domingo, 8 de setembro de 2019

Europa 3 – Nos arredores de Lisboa


Em Sítio, observando a praia de Nazaré, cerca de 100 km de Lisboa.
(Foto de Wagner Cosse; edição Thelmo Lins)

Fotos de Thelmo Lins, Wagner Cosse e parceiros
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            É sempre encantador visitar Lisboa. Desta vez estive lá entre o final de julho e o princípio de agosto de 2019 e atestei o quanto a cidade se transformou, realmente, em um dos destinos mais competitivos da Europa. Só de uma observação do céu, aleatoriamente, notei que a cada 15 minutos chegava um novo avião à cidade, num tráfego aéreo impressionante.
            Já estive em Lisboa em outras ocasiões, mas desta vez estava em companhia dos queridos amigos Conceição, Vinicius e Wagner. Para que eles pudessem ter uma noção da beleza e da riqueza cultural da região, decidimos comprar um passeio de van que tinha por intenção fazer o circuito de Fátima, Batalha, Nazaré e Óbidos em um dia. A única cidade que eu não conhecia era o balneário de Nazaré, mas valeu a pena voltar às outras localidades, devido à sua beleza e importância. Pagamos 50 euros, por pessoa, pelo tour.

Fátima

            Começamos por Fátima, importante centro religioso católico internacional. Foi ali que, em 1917, três pastores – Lúcia, Jacinta e Francisco – todos crianças, teriam testemunhado a aparição de uma figura brilhante em cima de uma azinheira, a quem posteriormente identificaram com Maria, a mãe de Cristo. Desde então, o local se transformou em um ponto de peregrinação.
            Na grande esplanada de Fátima encontram-se a basílica, construída em 1928, a Capela das Aparições (local onde a Virgem teria aparecido aos pastores) e, mais recentemente, foi construída outra igreja, com capacidade para mais de 5.000 pessoas. Na basílica estão os túmulos dos três pastorinhos, belamente decorados. Eles também viraram locais de vigília e oração.
            Mesmo para os pouco crentes, Fátima chama a atenção pelo magnetismo da fé que irradia entre os tantos penitentes. Rezando, cumprindo promessas de joelhos, acendendo velas, ela irradia uma aura comovente. Talvez por isso, são creditados milagres e graças aos que puderam ter a chance de estar ali.
            Não me furtei à lembrança da minha infância em Itabirito, quando coroávamos Nossa Senhora no mês de maio. No dia 13, fantasiados de pastores, depositávamos na imagem de Fátima a palma, o véu e a coroa, cantando: “A 13 de maio, na Cova da Iria, no céu aparece a Virgem Maria...” E lá se vão várias décadas!

Batalha


            O próximo passo do roteiro é o impressionante Mosteiro da Batalha, reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. O nome comemora a vitória do Rei João I sobre Castela, em Aljubarrota, lugarejo situado a 10 km dali. A obra teve início em 1386 e tem predominante estilo gótico. Muitos dos cômodos estão inconclusos, devido às interrupções ocorridas durante a construção. Mas o que chegou aos nossos dias é fantástico.
            Foi usada a pedra calcária, em tom de areia, que, com o tempo, ganhou manchas avermelhadas e negras. Em seu interior, uma imponente catedral, capelas e claustros, iluminados por coloridos vitrais. Há também construções manuelinas, típicas da Era do Descobrimento (1450 a 1550). O portal de entrada também é arrebatador.
            Não se cobra ingresso para entrar no mosteiro. Mas há uma taxa para quem quiser visitar algumas dependências específicas, como a Capela do Fundador, que tem uma rica decoração com rendilhados na pedra. Nos arredores, lojinhas de artesanato e restaurantes muito agradáveis.

Nazaré


            O próximo destino foi Nazaré, uma linda praia rodeada de rochedos, com uma longa faixa de areia, água em tom verde azulado, casinhas brancas com telhados vermelhos. O motorista parou numa localidade chamada Sítio, no alto de um dos penhascos, onde encontra-se uma praça dominada pelo santuário de Nazaré. Dali se observa uma vista de tirar o fôlego.         
            Em Sítio, existem muitas lojas de artesanato e restaurantes. Lá se avistam as tradicionais mulheres vestidas com a sete saias, um dos trajes típicos da cultura portuguesa.
            Nazaré é famosa pelas ondas gigantescas que atraem surfistas do mundo inteiro. Uma delas, de 30 metros de altura, figura no livro dos recordes da Guinness.
            Nessa leva de brasileiros que estão saindo do Brasil para morar em Portugal, confesso que Nazaré foi a cidade que mais me atraiu nesse caminho. Já me vi morando naquele local tão agradável, numa daquelas casinhas saídas dos contos de fadas, e me banhando naquela praia aprazível. Quem sabe, um dia?

Óbidos


            Saindo de Nazaré, fomos para o último destino do passeio, a vila de Óbidos. Trata-se de uma cidade colorida, cercada por grandes muralhas. O castelo é considerado uma das sete maravilhas de Portugal.
            Como tínhamos pouco tempo, optamos por alugar uma charrete para conhecer melhor a vila. As ruas de pedra, o casario branco com detalhes coloridos, muitas flores, igrejas ricamente ornadas e muitos visitantes. Havia, na ocasião, um festival medieval e a cidade estava enfeitada com grandes bandeirolas vermelhas e azuis.
            A história de Óbidos remonta ao ano de 1148, logo que os mouros foram expulsos da Península Ibérica. Em 1282, o rei Dinis a deu de presente para sua esposa, Isabel de Aragão. Atualmente é um disputado destino turístico encantadoramente bem preservado, com muitas lojas, restaurantes, cafés e atrações culturais, como o Folio, o famoso festival que deu a ela o título de cidade literária pela Unesco. Ele acontece em outubro.
            O circuito finalizou no Miradouro São Pedro de Alcântara, em Lisboa, de onde se tem uma vista incrível da capital portuguesa, principalmente no pôr do sol, quando os casarões ficam tingidos de um tom dourado. Assim, bom momento para uma pausa para tomar um chope ou uma taça de vinho, enquanto assistimos à chegada do anoitecer.
            Terminamos esta postagem e convidamos para continuar nos acompanhando neste tour pela Europa. A próxima parada será no Museu Nacional dos Coches, na região de Belém, em Lisboa. Até lá!


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Fátima


Basílica


A nova igreja

Local onde os pastores avistaram a Virgem

Local é ponto de peregrinação e orações

Interior da basílica

Túmulo de Francsico

Túmulo de Francisco (detalhe)

Túmulo de Jacinta e Lúcia

Nova igreja e os peregrinos

Mosteiro da Batalha


Com os amigos Conceição, Vinicius e Wagner, em frente ao mosteiro




No interior da igreja (foto de Wagner Cosse. Edição Thelmo Lins)







Nazaré






Com Vinicius e Conceição, em Sítio

Wagner

Igreja de N.Sra. de Nazaré


Praça de Sítio

Vista aérea de Nazaré

Detalhe da ermida da Memória

Sete saias: tradição local (foto internet)


Óbidos


Na charrete, com Vinicius e Conceição (foto Wagner Cosse; edição Thelmo Lins)

No interior da Igreja de S. Pedro




Trecho das muralhas

Rua central, com barraca de artesanato

Entrada da vila



Outro trecho das muralhas






Igreja de S. Pedro (exterior)

Interior da Igreja de Santa Maria, matriz de Óbidos

Decoração do festival medieval 


Lisboa 


Vista do Mirante São Pedro de Alcântara



Vinicius, Conceição e Wagner contemplando a tarde

Rua do Bairro Alto




Praça Camões


Com Conceição, na estátua de Fernando Pessoa (foto Wagner Cosse; edição Thelmo Lins)




Praça Camões à noite


Vitrine com doces portugueses


Teatro São Carlos

Rua do Chiado

Nas proximidades da Praça do Rossio

Wagner na Praça do Rossio


quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Europa 2: De trem pela Europa

No trem rápido, entre Paris e Innsbruck. (foto Wagner Cosse)

Fotos de Thelmo Lins, Wagner Cosse e parceiros.
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Viajar de trem pela Europa costuma ser uma boa opção para quem quer conhecer os países por terra, apreciando as paisagens, ou – no caso dos trens noturnos – aproveitar para dormir entre um destino e outro.

Essa foi a nossa opção nesta viagem de 21 dias pela Europa. Depois de pesquisas e vários conselhos, optamos por comprar o Euro Pass, um passaporte que dá direito a usufruir de uma vasta rede ferroviária que interliga os diversos países da região. Além disso, optamos sempre pela primeira classe, uma vez que a diferença de preços para a segunda classe não era tão significativa e o conforto bem superior. E, por fim, garantimos a marcação dos lugares, pois temíamos que, por ser uma época muito concorrida, teríamos dificuldades de encontrar assentos ou cabines. No entanto, para reservar os lugares, teríamos que pagar uma taxa extra.
Fizemos nove trechos: Lisboa/Madri, Madri/Barcelona, Barcelona/Toulouse/Paris, Paris/Innsbruck, Innsbruck/Salzburgo, Salzburgo/Viena, Viena/Veneza, Veneza/Florença e, por fim, Florença/Roma. Destes, três trechos foram noturnos: entre Lisboa e Madri, entre Toulouse e Paris e entre Viena e Veneza. E um trecho foi na segunda classe, pois era diurno e não havia outra opção.

As passagens foram reservadas em Belo Horizonte, onde vivemos, com o apoio de duas agências de turismo. Podíamos fazer tudo pela internet, mas ficamos receosos de errar em algum detalhe e complicarmos nossa vida na Europa. Isso funcionou, de certa forma. Houve alguns deslizes, por falta de informação. A primeira é que os Euro Passes deveriam ter sido preenchidos com nossos nomes, números de passaporte e os trechos que iríamos percorrer. Não sabíamos disso e quase perdemos um trecho. Fomos salvos por um funcionário da rede, em Madri, que permitiu que preenchêssemos durante a viagem.

O outro inconveniente foi a situação de alguns trens, principalmente entre Toulouse e Paris. Simplesmente decepcionante. Mesmo sendo na primeira classe, tivemos que ficar os quatro passageiros em uma cabine muito pequena. O banheiro era coletivo e ficava no fundo do corredor. E a pia ficava em outro compartimento. Assim, como estávamos com uma viajante com problemas de locomoção, tivemos muitas dificuldades para que ela acessasse as instalações e para acomodar as malas no pequeno quarto.

Entre Viena e Veneza, já com trens mais confortáveis, quase não conseguimos embarcar na primeira classe, pois os funcionários do trem, ao verem que havia uma cadeirante entre nós, não queriam permitir que ela acessasse a primeira classe, porque alegaram que não havia espaço para a cadeira. Depois de uma longa discussão, tivemos que praticamente invadir o trem e garantir os nossos lugares. Caso contrário, teríamos viajado na segunda classe, mesmo tendo pago os serviços da primeira (incluindo a marcação das cabines). Até agora não entendemos porque isso aconteceu. Os atendentes chegaram a ser rudes conosco.
O transporte, apesar de ainda fascinante, não tem mais aquele charme dos filmes antigos. As mesinhas do vagão restaurante não existem mais, pelo menos nos trens que pegamos. No lugar delas, balcões. E, em alguns trechos, nem havia cadeiras. Tínhamos que lanchar em pé. As cabines são extremamente apertadas, com beliche. O banheiro tem um espaço exíguo, possível para pessoas que não estão acima do peso.

Então, por que não optamos pelo avião, mais rápido e com menos percalços? Em primeiro lugar, pela oportunidade de viajar de trem, raríssima no Brasil. Em segundo lugar, porque substituímos algumas estadias em hotéis pelas viagens noturnas. E, por último, para não passar por aquele estresse natural dos aeroportos, que nos obriga a chegar com muitas horas de antecedência para pegar um voo. Nas estações ferroviárias é possível chegar com até 20 minutos de antecedência, principalmente se você já tem o número do seu assento e do seu vagão.

Não é um transporte barato, mas era menos caro na comparação com os mesmos trechos de avião. Isso sem contar com os custos dos taxis entre os aeroportos, geralmente distantes da região dos hotéis. Neste caso, a maioria das estações fica no centro das cidades. O custo total, por pessoa, girou em torno de 1.000 euros, cerca de 111 euros por trecho. O custo da marcação também está incluído nesta conta. Somente entre Viena e Veneza pagamos 94 euros por pessoa para garantir o nosso lugar.

Em resumo, foi uma boa opção. Em termos de atendimento, o trem noturno entre Lisboa e Madri foi o melhor, incluindo a boa comida servida no restaurante (o único que fornecia assentos para os passageiros). Em termos de paisagem, a viagem entre Paris e Innsbruck foi inesquecível. Percorremos o belíssimo sul da França e atravessamos praticamente toda a Suíça durante o dia, apreciando suas paisagens maravilhosas. Para dormir, sem dúvida o trecho entre Viena e Veneza (garantida a primeira classe, é claro!). Quase todos oferecem uns pequenos brindes, como água, tampão para ouvido, chinelos e até uma pequena garrafa de espumante. Ou seja, valeu a pena!

Ah, e vale ressaltar que quase todas as situações foram tratadas com o melhor bom humor possível e, às vezes, geraram muitas risadas depois do fato acontecido e resolvido. Felizmente, não deixamos que esses aborrecimentos se perpetuassem na viagem.

Então, até a próxima postagem!

Carteira do Euro Pass

Estação ferroviária de Lisboa

No vagão restaurante do trem Lisboa/Madri

Vagão restaurante: pouco charme

Sopa servida no trem


Ainda no vagão restaurante entre Lisboa e Madri

Conceição e Vinicius na cabine apertada

Wagner no trem-bala entre Paris e Innsbruck

Conceição realiza o desejo de viajar de trem pela Europa

Enfrentando com humor a terrível cabine (de primeira classe!!!) entre Toulouse e Paris

Na cabine de Toulouse a Paris, tentando lanchar no meio e roupas e malas

Pouco espaço para guardar a bagagem



Fazendo humor com o cansaço de carregar as bagagens entre as estações

Grupo "despenca" de cansaço (rsrsrs)

Na Estação Campo di Marte, em Firenze (Florença)

Ainda na estação de Florença

Conceição aguarda o trem, depois de enfrentar os percalços da assessibilidade nas estações ferroviárias.





terça-feira, 3 de setembro de 2019

Europa 1: Vamos começar o tour de 21 dias por cinco países da Europa

No sentido horário, Vinicius, Thelmo, Wagner e Conceição

Fotos de Wagner Cosse, Thelmo Lins e parceiros
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Vinte e um dias pela Europa, atravessando cinco países e várias cidades, entre capitais e interior. No trajeto, Lisboa e arredores (Portugal), Madri, Toledo e Barcelona (Espanha), Paris e Versalhes (França), Innsbruck, Salzburg e Viena (Áustria), Veneza, Florença, Roma (Itália) e Vaticano. Uma viagem de descobertas e de emoções.
Tudo surgiu da vontade de realizar o grande sonho de dois amigos de conhecer a Europa: Conceição e Vinicius, mãe e irmão do meu companheiro Wagner Cosse. O roteiro, estudado em conjunto, tinha o objetivo de agradar a todos os viajantes, entre lugares já conhecidos e outros que eu fui pela primeira vez (Toledo, Versalhes, Innsbruck, Salzburg, cidades italianas e Vaticano).
Com dificuldades de caminhar, levamos Conceição em uma cadeira de rodas, o que facilitaria a sua circulação. Infelizmente nem mesmo a Europa está adaptada a essas condições, provocando algumas dificuldades. A cidade mais acessível foi Barcelona. A mais difícil, Veneza.
Quanto mais antiga a área histórica, mais complexa era a acessibilidade. Até mesmo na Igreja de São Pedro, no Vaticano, a entrada de cadeirantes foi dificultada por falta de elevadores e rampas.
Enfrentamos também o calor do verão (29 de julho a 20 de agosto de 2019), que chegou a 33 graus em algumas cidades. E o enorme fluxo de turistas que se direciona a esses grandes destinos turísticos nessa época do ano. Para se ter uma ideia, cerca de 40 mil pessoas visitam o Museu do Vaticano diariamente.
Compramos muitos serviços ainda no Brasil, para facilitar o acesso. E o fato de termos uma cadeirante no grupo também ajudou muito em várias situações.
A partir de agora, vamos mergulhar nessa viagem em postagens que mostrarão novos lugares que não foram abordados neste blog e minhas observações de cada local visitado.
Venham conosco, pois há muitas aventuras nesse trajeto!


Na loja das Sardinhas Portuguesas, em Lisboa

Com o amigo Antônio (Tó) Coelho, em Lisboa

Passeando de charrete em Óbidos, Portugal

Com Conceição, tomando um chope no fim de tarde de Lisboa

Brindando na confeitaria Pasteis de Belém, em Lisboa

Na frente do Mosteiro de São Jerônimo, em Lisboa

Conceição e o elevador para cadeirantes, em Lisboa

Vinicius, Wagner e Conceição em frente à Torre de Belém, em Lisboa

Na Plaza Mayor, em Madri

Brincando na casa de Tapas, em Madri

Com Vinicius e Conceição, nos jardins reais em Madri

Com Conceição, em frente à Catedral de la Almuneda, em Madri

Na frente do Palácio Real de Madri, ouvindo música

Wagner e a cidade de Toledo, na Espanha

No lobby do hotel de Barcelona

No ônibus turístico de Barcelona

Nas ramblas de Barcelona

Vinicius, Wagner e Conceição no Moulin Rouge, em Paris



Turnê Atacama/Uyuni Parte IV: Salar de Uyuni

  No bosque das bandeiras, atração do Salar de Uyuni Veja as fotos no final do texto Clique nas fotos para ampliá-las      Chegamos à última...