sábado, 4 de julho de 2026

Sudeste Asiático Parte XIX: As praias paradisíacas

 

Maya Bay, do filme "A praia": só para olhar

Textos em português, inglês e espanhol
No final dos textos, confira as fotos da viagem
Clique nas fotos para ampliá-las

Pesquisei no Google para saber quais são as principais razões pelas quais os turistas se interessam pela Tailândia. Surgiram respostas como a variedade de experiências, os bons preços, a isenção de visto para longas estadias, a localização estratégica e as altas temperaturas durante todo o ano.

Outra pergunta importante: quantas pessoas visitaram a Tailândia em 2025? Espantem-se: 32,9 milhões de turistas internacionais. Esse número foi menor do que o registrado em 2024, quando o país recebeu 35,5 milhões de visitantes. Isso se deve ao fato de que a Tailândia vem buscando atrair turistas com maior poder aquisitivo. Para se ter uma ideia, o Brasil recebeu 9.287.196 turistas estrangeiros no mesmo período, embora tenha uma área territorial 16 vezes maior que a do país asiático.

Visitei a Tailândia em abril de 2026, em um tour operacionalizado pela agência Mundo Ásia. Estou viajando ao lado de Wagner Cosse e de outros companheiros que conhecemos ao longo do percurso. No 17º e no 18º dias da viagem, fomos conhecer a principal atração do país, ou seja, os lugares que mais encantam visitantes do mundo inteiro: as praias paradisíacas. E dá-lhe turistas! Eles chegam em grupos enormes da Índia, da China, da Coreia do Sul e de muitos outros países, lotando tudo o que encontram pela frente.

Estivemos em Phuket (lê-se Puquê), região que concentra algumas das praias mais bonitas da Tailândia, muitas delas cenário de filmes de James Bond e de Leonardo DiCaprio. Foi principalmente por meio do cinema que essas paisagens ganharam fama mundial. Passamos também pela famosa ilha Phi Phi (lê-se Pi Pi).

O principal passeio é feito de barco e dura quase o dia inteiro, com direito a almoço. A maioria das embarcações transporta aproximadamente 20 pessoas. Para chegar às principais atrações, é preciso navegar cerca de uma hora, enfrentando muitos solavancos, já que o mar estava bastante agitado.

A região lembra um pouco a Baía de Halong, no Vietnã, por suas formações rochosas e pelo mar cristalino, em tons verde-azulados. Diferentemente de Halong, na Tailândia o sol apareceu vibrante.

Não me lembro exatamente dos nomes de todos os lugares que visitamos. O que posso destacar é a beleza da paisagem, realmente deslumbrante. Em muitos casos, porém, ela está ali apenas para ser contemplada. Algumas praias são preservadas como patrimônio ambiental e não podem ser utilizadas pelos visitantes. Um lugar que me chamou especialmente a atenção foi a Ilha Bamboo, que recebeu esse nome em razão da abundância da árvore típica. Nela, é permitido tomar banho de mar.

Houve, no entanto, alguns pontos negativos. O primeiro deles foi o excesso de visitantes. E olhe que não estivemos lá na alta temporada! Também não gostei da forma como alguns destinos são explorados, como a ilha dos macacos. O que vi foram animais assustados com a presença de tantos turistas, cercados por copos e garrafinhas plásticas deixados pelo chão. Achei a cena bastante melancólica. Fiquei com pena dos bichinhos.

Também considerei desrespeitosa a atuação da equipe da embarcação que nos levou aos locais de visitação, principalmente quando paramos para apreciar os corais e fazer snorkeling. Tudo transcorria bem até que a corda do barco, presa de maneira inadequada a um dos corais, arrancou um pedaço considerável desse tesouro marinho, deixando a mim e aos demais visitantes perplexos e indignados. Se continuarem agindo dessa forma, daqui a pouco não haverá mais corais para sustentar o turismo local.

Em Phuket ficamos hospedados no Orchidacea Resort Kata Beach, fundado em 1987. O hotel possui uma estrutura fantástica. Nosso quarto tinha uma vista esplêndida para a praia. De lá também contemplamos um crepúsculo de tirar o fôlego.

Como o hotel foi construído em uma área montanhosa, as acomodações localizadas na parte mais alta são acessadas por uma espécie de transporte interno, semelhante a carrinhos de golfe. Eles funcionam em horários previamente estabelecidos. Caso o hóspede perca o transporte ou não queira esperar o próximo, terá de enfrentar uma boa subida. No caso do nosso apartamento, contei espantosos 188 degraus!

Tivemos um dia livre em Phuket, que aproveitamos para passear pela cidade. Perto do hotel havia um bom conjunto de lojas e restaurantes, além da bela e arborizada praia de Kata, acessível a pé em poucos minutos. Chamou-nos a atenção a grande quantidade de lojas que vendiam cannabis.

Aproveitamos também para experimentar as famosas massagens tailandesas. É preciso ter certo discernimento na escolha do estabelecimento, pois há muitos locais que funcionam apenas como fachada para a prostituição. Tivemos sorte e recebemos massagens excelentes. Há inúmeras opções, com preços bastante variados.

Merece ainda destaque o restaurante Hottabych Chaihana, especializado em culinária uzbeque e russa. Além de um cardápio muito interessante, o restaurante propunha uma divertida interação aos clientes. Em todas as mesas havia caixas de lápis de cor, e a ideia era que, enquanto aguardávamos os pedidos, coloríssemos os desenhos impressos nos papéis-toalha que cobriam as mesas. O que, originalmente, parecia ser uma atração voltada ao público infantil acabava despertando também o lado lúdico dos clientes adultos.

Pedi, nesse restaurante, um prato típico que lembra um pastel. Quando ele chegou, constatei que era o maior pastel que já havia comido em toda a minha vida.

Encerrando essa etapa da viagem, pegamos um voo de Phuket para a capital tailandesa, Bangkok, última parada do nosso roteiro pelo Sudeste Asiático. Contarei os detalhes dessa experiência na próxima postagem.

Ilha de Bamboo

English version

I searched Google to find out the main reasons why tourists are drawn to Thailand. The answers included its wide variety of experiences, affordable prices, visa exemptions for extended stays, strategic location, and warm weather throughout the year.

Another important question was: how many people visited Thailand in 2025? The answer is astonishing: 32.9 million international tourists. Although impressive, this figure was lower than in 2024, when the country welcomed 35.5 million visitors. This decline reflects Thailand's current strategy of attracting travelers with higher purchasing power. To put this into perspective, Brazil received 9,287,196 international tourists during the same period, despite having a land area sixteen times larger than that of the Southeast Asian nation.

I visited Thailand in April 2026 on a tour organized by Mundo Ásia Travel Agency. I was traveling alongside Wagner Cosse and several companions whom we met along the journey. On the 17th and 18th days of our trip, we explored the country's greatest attraction—the places that captivate visitors from all over the world: its paradise-like beaches. And what a crowd! Tourists arrived in massive groups from India, China, South Korea, and many other countries, filling every destination they visited.

We stayed in Phuket (pronounced "Poo-ket"), home to some of Thailand's most spectacular beaches, many of which have served as filming locations for James Bond movies and The Beach, starring Leonardo DiCaprio. It was largely through cinema that these breathtaking landscapes gained worldwide fame. We also visited the famous Phi Phi Islands (pronounced "Pee Pee").

The main excursion is a full-day boat trip that includes lunch. Most boats carry around twenty passengers. Reaching the main attractions requires about an hour of sailing, with plenty of bouncing along the way, as the sea was quite rough.

The scenery reminded me somewhat of Ha Long Bay in Vietnam, thanks to its dramatic limestone formations and crystal-clear waters in shades of turquoise and emerald green. Unlike Ha Long Bay, however, we were fortunate to enjoy brilliant sunshine throughout the day.

I cannot remember the names of every place we visited, but what stands out most is the breathtaking beauty of the scenery. In many locations, however, the landscapes are meant only to be admired. Several beaches are protected environmental areas and are closed to visitors. One place that particularly impressed me was Bamboo Island, named after the abundance of bamboo growing there. Swimming is permitted on this beautiful island.

There were, however, a few downsides. The first was the overwhelming number of visitors—and keep in mind that we were not there during the peak tourist season. I was also disappointed by the way some attractions are managed, particularly Monkey Beach. The monkeys appeared frightened by the constant flow of tourists and were surrounded by plastic cups and bottles scattered across the ground. It was a rather sad and disheartening sight. I truly felt sorry for the animals.

Another disappointing moment involved the crew of the boat that took us from one attraction to another. Everything was going well until we stopped to admire the coral reefs and go snorkeling. Unfortunately, the boat's rope had been carelessly secured to a coral formation, and when it was released, it tore away a significant portion of this precious marine ecosystem. The incident left both me and the other visitors shocked and outraged. If such practices continue, there may soon be no coral reefs left to sustain the region's tourism.

In Phuket, we stayed at the Orchidacea Resort Kata Beach, established in 1987. The hotel boasts outstanding facilities, and our room offered a magnificent view of the beach. We also enjoyed an unforgettable sunset from our balcony.

Because the hotel was built on a hillside, the rooms located at the highest elevations are reached by an internal shuttle service using vehicles similar to golf carts. These operate according to a fixed schedule. Guests who miss the shuttle—or simply do not wish to wait for the next one—must climb quite a steep hill. In the case of our room, I counted an astonishing 188 steps!

We also had a free day in Phuket, which we spent exploring the city. Near the hotel we found an excellent selection of shops and restaurants, as well as the beautiful, tree-lined Kata Beach, just a short walk away. One thing that caught our attention was the remarkable number of stores selling cannabis.

We also took the opportunity to experience Thailand's famous traditional massages. It is important to choose the establishment carefully, as many massage parlors serve merely as fronts for prostitution. Fortunately, we found an excellent place and enjoyed outstanding massages. There are countless options available, with prices to suit every budget.

Another highlight was Hottabych Chaihana, a restaurant specializing in Uzbek and Russian cuisine. Besides offering a fascinating menu, the restaurant encouraged a fun interaction with its customers. Every table had a box of colored pencils, inviting diners to color the illustrations printed on the paper table covers while waiting for their meals. What initially appeared to be an activity designed for children ended up bringing out the playful side of many adult customers as well.

At this restaurant, I ordered a traditional pastry that resembles an empanada. When it arrived, I realized it was the largest pastry I had ever eaten in my entire life.

Bringing this stage of our journey to a close, we flew from Phuket to Thailand's capital, Bangkok, the final destination on our Southeast Asia itinerary. I'll share the details of that experience in my next post.

Com Wagner, em Phi Phi

Versión en español

Busqué en Google para conocer cuáles son las principales razones por las que los turistas se interesan por Tailandia. Entre las respuestas aparecieron la variedad de experiencias, los buenos precios, la exención de visado para estancias prolongadas, la ubicación estratégica y las altas temperaturas durante todo el año.

Otra pregunta importante: ¿cuántas personas visitaron Tailandia en 2025? ¡Sorpréndanse!: 32,9 millones de turistas internacionales. Esa cifra fue inferior a la registrada en 2024, cuando el país recibió 35,5 millones de visitantes. Esto se debe a que Tailandia ha venido buscando atraer a turistas con un mayor poder adquisitivo. Para hacerse una idea, Brasil recibió 9.287.196 turistas extranjeros durante el mismo período, aunque posee un territorio 16 veces mayor que el del país asiático.

Visité Tailandia en abril de 2026, durante un tour organizado por la agencia Mundo Ásia. Estoy viajando junto a Wagner Cosse y a otros compañeros que conocimos a lo largo del recorrido. En los días 17 y 18 del viaje fuimos a conocer el principal atractivo del país, es decir, los lugares que más fascinan a visitantes de todo el mundo: sus playas paradisíacas. ¡Y vaya cantidad de turistas! Llegan en enormes grupos procedentes de la India, China, Corea del Sur y muchos otros países, llenando todos los lugares por donde pasan.

Estuvimos en Phuket (se pronuncia «Puqué»), una región que concentra algunas de las playas más hermosas de Tailandia, muchas de ellas escenario de películas de James Bond y de Leonardo DiCaprio. Fue principalmente gracias al cine que estos paisajes alcanzaron fama mundial. También visitamos la famosa isla Phi Phi (se pronuncia «Pi Pi»).

La excursión principal se realiza en barco y dura casi todo el día, con almuerzo incluido. La mayoría de las embarcaciones transporta aproximadamente a 20 personas. Para llegar a los principales atractivos es necesario navegar durante cerca de una hora, soportando numerosos sacudones, ya que el mar estaba bastante agitado.

La región recuerda un poco a la Bahía de Halong, en Vietnam, por sus formaciones rocosas y por el mar cristalino de tonalidades verde azuladas. A diferencia de Halong, en Tailandia el sol brilló con toda su intensidad.

No recuerdo exactamente los nombres de todos los lugares que visitamos. Lo que sí puedo destacar es la belleza del paisaje, realmente deslumbrante. Sin embargo, en muchos casos esos lugares están allí únicamente para ser contemplados. Algunas playas se preservan como patrimonio ambiental y no pueden ser utilizadas por los visitantes. Un sitio que me llamó especialmente la atención fue la isla Bamboo, que recibió ese nombre por la abundancia de esta especie de árbol. Allí sí está permitido bañarse en el mar.

Hubo, sin embargo, algunos aspectos negativos. El primero fue el exceso de visitantes. ¡Y eso que no estuvimos allí en temporada alta! Tampoco me gustó la forma en que se explotan algunos destinos, como la isla de los monos. Lo que vi fueron animales asustados por la presencia de tantos turistas, rodeados de vasos y botellas de plástico abandonados en el suelo. Me pareció una escena bastante melancólica. Sentí mucha pena por esos animalitos.

También consideré irrespetuosa la actuación del equipo de la embarcación que nos llevó a los lugares de visita, especialmente cuando nos detuvimos para admirar los corales y practicar snorkel. Todo transcurría con normalidad hasta que la cuerda del barco, mal sujetada a uno de los corales, arrancó un fragmento considerable de ese tesoro marino, dejando a todos los visitantes, incluido yo, perplejos e indignados. Si continúan actuando de esa manera, dentro de poco ya no quedarán corales para sostener el turismo local.

En Phuket nos alojamos en el Orchidacea Resort Kata Beach, fundado en 1987. El hotel cuenta con una infraestructura fantástica. Nuestra habitación tenía una vista espléndida de la playa. Desde allí también contemplamos un atardecer verdaderamente impresionante.

Como el hotel fue construido en una zona montañosa, las habitaciones situadas en la parte más alta se alcanzan mediante una especie de transporte interno, similar a los carritos de golf. Estos funcionan en horarios previamente establecidos. Si el huésped pierde el transporte o no desea esperar el siguiente, tendrá que afrontar una buena subida. En el caso de nuestro apartamento, conté la asombrosa cantidad de 188 escalones.

Tuvimos un día libre en Phuket, que aprovechamos para recorrer la ciudad. Cerca del hotel había un buen conjunto de tiendas y restaurantes, además de la hermosa y arbolada playa de Kata, accesible a pie en pocos minutos. Nos llamó la atención la gran cantidad de tiendas que vendían cannabis.

También aprovechamos para probar los famosos masajes tailandeses. Es necesario tener cierto criterio al elegir el establecimiento, ya que existen muchos lugares que funcionan únicamente como fachada para la prostitución. Tuvimos suerte y recibimos excelentes masajes. Hay innumerables opciones, con precios muy variados.

También merece una mención especial el restaurante Hottabych Chaihana, especializado en cocina uzbeka y rusa. Además de ofrecer un menú muy interesante, el restaurante proponía una divertida interacción con los clientes. En todas las mesas había cajas de lápices de colores, y la idea era que, mientras esperábamos los platos, coloreáramos los dibujos impresos en los manteles individuales de papel que cubrían las mesas. Lo que, en principio, parecía ser una actividad destinada al público infantil terminaba despertando también el lado lúdico de los clientes adultos.

En ese restaurante pedí un plato típico que recuerda a una empanada. Cuando llegó a la mesa, comprobé que era la empanada más grande que había comido en toda mi vida.

Para concluir esta etapa del viaje, tomamos un vuelo de Phuket hacia la capital tailandesa, Bangkok, última parada de nuestro itinerario por el Sudeste Asiático. Los detalles de esa experiencia los compartiré en la próxima publicación.

Fotos



Passeio de barco pelas ilhas

Tentando registrar os tons da água








Ilha dos macacos: melancolia

Phi Phi: deslumbre



Wagner no snorkel

Hotel





Wagner e alguns dos 188 degraus

Praia de Kata

Por do sol

Escadaria

Quarto do hotel: vista maravilhosa

Wagner na piscina do hotel

Fachada principal do hotel

Casa de Cannabis

Restaurante uzbeque




Wagner colorindo o papel-toalha

Pastel gigantesco


No aeroporto de Phuket

Esperando o avião para Bangkok

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Sudeste Asiático Parte VIII: Os templos de Chiang Rai

 

No Templo Branco, em Chiang Rai

Textos em português, inglês e espanhol
No final dos textos, confira as fotos da viagem
Clique nas fotos para ampliá-las

Chegamos ao 16º dia da viagem ao Sudeste Asiático. Estamos (Wagner, meu companheiro de viagem, e eu) na Tailândia, um dos países que mais recebem turistas no mundo, graças às suas belezas naturais e à proximidade com a China e a Índia, dois gigantes que concentram quase um terço da população mundial.

No entanto, o que mais me atrai nesse país são seus templos. Oficialmente, segundo o Escritório Nacional do Budismo, a Tailândia possui 44 mil templos dessa filosofia. Ou seja, seriam necessários anos e anos para visitar todos. Nós conhecemos alguns dos mais belos.

Existe um passeio, com duração de aproximadamente 12 horas (ida e volta), que sai de Chiang Mai bem cedinho e percorre 187 km até Chiang Rai. No caminho, temos a oportunidade de conhecer algumas dessas maravilhas. O grupo era todo formado por brasileiros, desde a guia, Giovana (que mora atualmente na Tailândia), até os passageiros.

É bom ressaltar que, ao contrário de muitos templos antigos, os que estamos visitando são relativamente modernos, ou seja, foram construídos nas últimas décadas.

Mulheres-girafa

No percurso, fizemos uma parada na famosa aldeia das mulheres-girafa da tribo Kayan Lahwi (também conhecida como Padaung). Elas usam espirais de latão para alongar o pescoço. O adereço é inserido ainda na infância, por volta dos seis anos de idade, e vai ganhando novas espirais à medida que elas envelhecem.

O alongamento tem vários significados. Além de ser um símbolo de beleza e status, representa uma forte identidade cultural e étnica desse povo nômade que, por muitos anos, não teve um local fixo para se estabelecer. Outras correntes também indicam que ele servia como proteção. Uma das crenças populares é que os anéis eram usados para defender a garganta das mulheres contra ataques de tigres.

Atualmente, o ornamento é uma forma de sobrevivência financeira da aldeia, já que se tornou uma atração exótica para os turistas. O lugarejo é um verdadeiro mercado, com muitas barracas de artesanato a preços bem acessíveis. O principal artigo são os tecidos produzidos em teares manuais, tradição mantida há muitas gerações.

Vimos poucos homens da tribo. A maioria deles, segundo nossa guia, trabalha nas plantações e no pastoreio e passa boa parte do tempo fora de casa.

Chamou nossa atenção a forma como eles cultivam suas hortaliças e frutas, entremeadas por pés de cannabis, utilizada em seus rituais.

Cafeteria tropical

Outra parada foi no Lalitta Café, construído por um grupo chinês. A cafeteria simula uma floresta tropical, com quedas-d’água, plantas, flores e muitas estátuas. Com efeitos especiais de luzes e fumaça, além de um sistema de umidificação do ar, o resultado é fantástico. O local virou atração turística e ponto obrigatório para fotografias.

Templos de Chiang Rai

Retornando aos templos, fizemos três paradas. Na primeira delas, conhecemos o Wat Huay Pla Kang. O complexo combina arte tailandesa e chinesa, com um templo e um pagode de 49 metros de altura. No alto de um morro, fica a estátua da Deusa da Misericórdia, com aproximadamente 90 metros de altura. É possível ingressar no interior da estátua com a ajuda de um elevador. Seus olhos vazados transformam-se em um mirante, de onde se avista a paisagem local.

Foi o monge budista Phop Chok Tissuwaso quem teve a ideia de criar essa obra, inaugurada em 2007. Ao longo desses quase 20 anos, ele transformou o local em um polo de assistência social, fornecendo abrigo, suporte e educação para órfãos, idosos e pessoas carentes da região. O monge vive no local e, por vezes, é visto entre os visitantes.

Templo Azul

A próxima parada foi o Wat Rong Suea Ten, ou Templo Azul, construído sobre um antigo vilarejo onde tigres corriam livremente, o que originou seu nome, que significa “Casa do Tigre Dançante”. O interior abriga uma grande estátua de Buda em mármore branco.

O conjunto atual foi construído entre 2005 e 2016 por artesãos da região, que aprenderam as técnicas milenares desse tipo de edificação. É uma profusão de cores dominada pelos tons azul e dourado. São fontes, ninfas, estátuas e cachoeiras artificiais que adornam todo o complexo, riquíssimo em detalhes.

Templo Branco

A próxima e última parada aconteceu no Wat Rong Khun, ou Templo Branco, a principal atração de Chiang Rai. Ele foi criado pelo artista visual tailandês Chalermchai Kositpipat, nascido em 1955. O criador misturou a filosofia budista com influências da cultura pop, gerando um resultado belo e intrigante. Ficamos absorvidos por tantos e curiosos detalhes.

O branco é a cor dominante, mas também há espaço para o dourado e para muitos espelhos. O espaço é muito bem cuidado, com um gramado verdejante e muitas árvores. Em algumas esculturas, podemos contribuir com mensagens que remetam à alegria, à felicidade e à prosperidade. Escrevemos o texto em uma folha de metal, comprada na loja local, e depois a dependuramos nas esculturas.

Trata-se da obra-prima de Kositpipat, famoso por trabalhos polêmicos ao redor do mundo, principalmente aqueles relacionados a templos budistas, diante dos quais os mais tradicionalistas torcem o nariz. Nesse caso, segundo a guia que nos acompanhou na excursão, a obra foi bancada com recursos próprios do artista, o que garantiu sua total liberdade de criação.

Dos templos visitados naquele dia, foi o único para o qual tivemos de pagar ingresso. E posso dizer que vale cada centavo investido!

Termino aqui esta postagem. Continuaremos na Tailândia. A próxima parada será nas praias de Phuket. Até lá!

 

English version

We have reached the 16th day of our journey through Southeast Asia. Wagner, my travel companion, and I are in Thailand, one of the countries that receives the largest number of tourists in the world, thanks to its natural beauty and its proximity to China and India, two giants that together account for nearly one-third of the world's population.

However, what fascinates me most about this country is its Buddhist temples. Officially, according to the National Office of Buddhism, Thailand has 44,000 temples. In other words, it would take years and years to visit them all. We had the opportunity to see some of the most beautiful ones.

There is an excursion lasting approximately 12 hours round trip that leaves Chiang Mai early in the morning and travels 187 kilometers to Chiang Rai. Along the way, visitors can discover some of these remarkable sites. Our entire group was made up of Brazilians, from our guide, Giovana, who currently lives in Thailand, to all the passengers.

It is worth noting that, unlike many ancient temples, the ones we visited are relatively modern, having been built over the last few decades.

Long-neck women

Along the route, we stopped at the famous village of the Kayan Lahwi (Padaung) “long-neck women.” They wear brass coils around their necks from childhood, gradually adding more rings as they grow older.

The practice carries several meanings. Besides being a symbol of beauty and social status, it represents a strong cultural and ethnic identity. Some traditions also suggest that the rings served as protection, including against tiger attacks.

Today, the ornament has become an important source of income for the village, which attracts tourists from around the world. The settlement resembles a large handicraft market, where visitors can purchase textiles produced on traditional hand looms, a craft preserved for generations.

We saw only a few men in the village. According to our guide, most work in agriculture and livestock activities, spending much of their time away from home.

We were also surprised to see vegetables and fruit trees growing alongside cannabis plants, which are used in local rituals.

Tropical café

Another stop was the Lalitta Café, built by a Chinese group. The café recreates a tropical rainforest environment with waterfalls, flowers, plants, statues, mist effects, and humidified air. The result is spectacular, making it a popular tourist attraction and photography spot.

Chiang Rai temples

Returning to the temples, our first visit was to Wat Huay Pla Kang. The complex combines Thai and Chinese architecture and features a pagoda rising 49 meters high. On a nearby hill stands the impressive 90-meter-tall statue of the Goddess of Mercy. Visitors can take an elevator inside the statue and enjoy panoramic views through openings in its eyes.

The project was conceived by the Buddhist monk Phop Chok Tissuwaso and inaugurated in 2007. Over nearly two decades, the site has evolved into an important social assistance center that provides shelter, support, and education for orphans, elderly people, and low-income residents.

Blue Temple

Our next stop was Wat Rong Suea Ten (the Blue Temple), built on the site of an old village where tigers once roamed freely. The temple’s name means “House of the Dancing Tiger.” Inside, visitors can admire a magnificent white marble Buddha.

Built between 2005 and 2016, the temple complex is a vibrant display of blue and gold colors, featuring fountains, mythical figures, statues, and artificial waterfalls, all richly decorated with intricate details.

White Temple

Our final destination was Wat Rong Khun (the White Temple), the most famous attraction in Chiang Rai. It was created by Thai visual artist Chalermchai Kositpipat, who blended Buddhist philosophy with elements of popular culture, producing a fascinating and unique masterpiece.

White is the dominant color, complemented by golden structures and countless mirrors. The grounds are impeccably maintained, with lush lawns and beautiful trees. Visitors can leave messages of joy, happiness, and prosperity on metal plaques that are later hung among the sculptures.

The White Temple is considered Kositpipat’s masterpiece. According to our guide, the artist financed the project himself, ensuring complete creative freedom. Of all the temples we visited that day, it was the only one that required an admission ticket—and I can confidently say that it was worth every penny.

This concludes today’s travel diary. We will continue our adventure in Thailand, with our next destination being the beautiful beaches of Phuket. See you there!


Versión en español

Hemos llegado al día 16 de nuestro viaje por el Sudeste Asiático. Wagner, mi compañero de viaje, y yo estamos en Tailandia, uno de los países que más turistas recibe en el mundo, gracias a sus bellezas naturales y a su cercanía con China e India, dos gigantes que concentran casi un tercio de la población mundial.

Sin embargo, lo que más me atrae de este país son sus templos budistas. Oficialmente, según la Oficina Nacional del Budismo, Tailandia cuenta con 44.000 templos. Es decir, harían falta años para visitarlos todos. Nosotros tuvimos la oportunidad de conocer algunos de los más hermosos.

Existe una excursión de aproximadamente 12 horas ida y vuelta que sale muy temprano de Chiang Mai y recorre 187 kilómetros hasta Chiang Rai. Durante el trayecto, es posible descubrir algunas de estas maravillas. Todo nuestro grupo estaba formado por brasileños, desde nuestra guía, Giovana, que actualmente vive en Tailandia, hasta los demás pasajeros.

Cabe destacar que, a diferencia de muchos templos antiguos, los que visitamos son relativamente modernos, construidos en las últimas décadas.

Mujeres jirafa

En el camino hicimos una parada en la famosa aldea de las mujeres jirafa de la tribu Kayan Lahwi (Padaung). Ellas utilizan espirales de latón alrededor del cuello desde la infancia y van agregando más anillos a medida que crecen.

Esta práctica tiene varios significados. Además de representar belleza y estatus social, constituye una fuerte identidad cultural y étnica. Algunas tradiciones también sostienen que los anillos servían como protección, incluso contra los ataques de tigres.

Actualmente, este adorno se ha convertido en una importante fuente de ingresos para la aldea, ya que atrae turistas de todo el mundo. El lugar funciona como un gran mercado artesanal donde se venden tejidos elaborados en telares tradicionales, una tradición conservada durante generaciones.

Vimos pocos hombres en la comunidad. Según nuestra guía, la mayoría trabaja en actividades agrícolas y ganaderas, pasando gran parte del tiempo fuera de casa.

También nos llamó la atención ver cultivos de frutas y verduras mezclados con plantas de cannabis, utilizadas en rituales locales.

Cafetería tropical

Otra parada fue el Lalitta Café, construido por un grupo chino. La cafetería recrea un bosque tropical con cascadas, flores, plantas, estatuas, efectos de niebla y aire humidificado. El resultado es espectacular, convirtiéndolo en una de las atracciones turísticas más fotografiadas de la región.

Templos de Chiang Rai

De regreso a los templos, nuestra primera visita fue al Wat Huay Pla Kang. El complejo combina arquitectura tailandesa y china e incluye una pagoda de 49 metros de altura. En la cima de una colina se encuentra la impresionante estatua de la Diosa de la Misericordia, de aproximadamente 90 metros de altura. Los visitantes pueden subir al interior mediante un ascensor y disfrutar de vistas panorámicas desde sus ojos.

La obra fue concebida por el monje budista Phop Chok Tissuwaso e inaugurada en 2007. Con el paso de los años, el lugar se transformó en un importante centro de asistencia social para huérfanos, ancianos y personas necesitadas.

Templo Azul

La siguiente parada fue el Wat Rong Suea Ten (Templo Azul), construido sobre un antiguo poblado donde los tigres corrían libremente. Su nombre significa “Casa del Tigre Danzante”. En su interior destaca una magnífica estatua de Buda de mármol blanco.

Construido entre 2005 y 2016, el complejo deslumbra por sus intensos tonos azules y dorados, además de fuentes, figuras mitológicas, estatuas y cascadas artificiales llenas de detalles.

Templo Blanco

Nuestra última visita fue al Wat Rong Khun (Templo Blanco), la principal atracción de Chiang Rai. Fue creado por el artista visual tailandés Chalermchai Kositpipat, quien combinó la filosofía budista con elementos de la cultura popular, dando como resultado una obra fascinante y única.

El blanco domina el conjunto, acompañado por estructuras doradas y miles de espejos. Los jardines están impecablemente cuidados, con césped verde y abundantes árboles. Los visitantes pueden dejar mensajes de alegría, felicidad y prosperidad en placas metálicas que luego se cuelgan entre las esculturas.

El Templo Blanco es considerado la obra maestra de Kositpipat. Según nuestra guía, el artista financió personalmente el proyecto, lo que le permitió gozar de total libertad creativa. De todos los templos visitados ese día, fue el único que exigió entrada, y puedo afirmar que valió cada centavo invertido.

Aquí termina esta crónica. Continuaremos nuestro recorrido por Tailandia. Nuestro próximo destino serán las hermosas playas de Phuket. ¡Hasta la próxima!

FOTOS

Mulheres-girafa



Wagner segura a sequencia de aneis que a mulher
pode alcançar na velhice

Tecidos criados pelas artesãos locais





Pés de cannabis entre as hortaliças


Café Tropical





Wagner, no meio da paisagem tropical




Wat Huay Pla Kang


Visual apreciado dos olhos da Deusa

Wagner em frente a um dos templos



Escadaria monumental

Deusa da Misericórdia: 90 metros


Pagode: 46 metros

Templo Azul




Interior do templo

Pinturas internas

Detalhe da fachada


Estátua de Buda em mármore branco

Vista do templo principal

Templo Branco



Fachada principal

Figuras da cultura pop fazem parte do acervo










Wagner e eu em uma das fachadas do templo



Jardins do templo

Gruta artificial





Wagner deposita sua oferenda na árvore-escultura

Desejando boas novas para o "ano novo"

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