terça-feira, 21 de maio de 2013

No Masai Mara, voo de balão, leões e contato com a cultura tradicional

Voando de balão sobre o parque Masai Mara, no Quênia



Passei parte da primeira tarde em Masai Mara no hotel, cochilando e tentando recuperar as forças para a próxima etapa do roteiro, que seria um passeio de balão sobre o enorme vale, na manhã do dia seguinte. O voo não é barato - custa 450 dólares por pessoa - mas é bastante aprazível.
Do alto, tem-se a sensação exata da enorme área, povoada por centenas de animais. Menos, aliás, do gostaríamos de ver. Segundo o guia, muitos deles ainda estão na Tanzânia e só chegam ao Quênia em setembro. Entre eles, os quase 2,5 milhões de gnus. Mas valeu a pena a experiência. Diferentemente da Turquia, com a média de 80 a 300 balões, dependendo da época do ano, no Quênia havia apenas dois. No final, além de belas imagens, fomos recepcionados por um lauto café da manhã, servido na savana. Na foto oficial, com todo o grupo, empunhamos orgulhosos a bandeira do Brasil.
Durante o dia, fizemos dois safaris de aproximadamente três horas cada. Parece um parque de diversão que, em determinadas horas, recalibram as nossas emoções, em jorros de pura adrenalina. A visão de leões, por exemplo, mesmo em estado de letargia, é impactante. Sem querer quase disparamos 200 fotos à espera de alguma ação dos felinos. Abrir a boca, por exemplo, é um prêmio a ser conquistado. No grupo do balão, alguns exibiam fotos de duas chitas (que tem uma grande semelhança com o guepardo), mãe e filha, destroçando uma impala. É apavorante, mas ao mesmo tempo se transforma em um troféu da natureza. Vimos apenas uma chita caminhando pela área, o que foi suficiente para comemorarmos.
Dos Big Five (leão, elefante, rinoceronte, hipopótamo e búfalo), também vimos uma manada de rinocerontes adultos e crianças, mergulhados no rio. Cada uma de suas aparições era como se fosse um gol. Belos pássaros, girafas, solitários elefantes, centenas de impalas e búfalos fizeram parte do cardápio (somente visual, é claro).
Visitamos uma aldeia do povo masai, que ainda conserva suas características tradicionais. Fomos recebidos pelo jovem líder e vários rapazes, que entoaram cantos, fizeram demonstrações de danças e de seus saltos. Wagner, Tímor (meus companheiros de viagem) e eu fomos convidados a entrar na roda. Depois, percorremos a aldeia, conhecemos uma das casas, flagramos as sorridentes e brincalhonas crianças e ainda conhecemos um breve ritual de música das mulheres, com seus trajes coloridos. Aproveito para explicar que, segundo os masai, as roupas vermelhas dos homens são usadas com o intuito de espantar os grandes animais, principalmente os leões. Como não poderia deixar de ser, encerramos a visita em um pequeno shopping à maneira masai, com muitos adereços, tecidos e estatuetas de madeira.
Um misto de orgulho e tristeza nos invadiu nessa visita. Os masai quase nos imploravam para adquirir seus produtos artesanais. A pobreza e as duras condições de vida também nos emocionaram. Eles são honrados e representam uma cultura rica e ancestral, mas vivem em condições que, aos olhos ocidentais, parecem desumanas. Tentamos nos fixar em sua beleza e altivez, para não transformar tudo isso em sofrimento para nós.
À noite, no nosso confortável lodge, saboreando de um jantar maravilhoso e desfrutando de tanto acolhimento, pensamos o quanto a humanidade é marcada pelos disparates, diferenças, alegrias e tristezas. Um equilíbrio delicado, como a natureza.

No grupo do balão, com a bandeira do Brasil


Paciência e muitas fotos para conseguir esta pose


O belo e instigante rei dos animais






A dança e os saltos dos masai

Wagner, com a coroa de chefe da tribo (uma juba de leão)


E e o masai que faz um barulho na dança

Adereços


Crianças masai

Tribo masai

As mulheres masai (neste caso, as matriarcas)








O comércio dos masai


O solitário elefante

Hipopótamo, outro dos Big Five



Uma leoa

Leoa atravessa a estrada

Hipopótamos se banham no rio






E ainda apareceu um rasgo de arco-íris

Fim de tarde no Masai Mara

Um por do sol, com direito a uma revoada de pássaros

A chita: a foto não ficou boa, mas é um registro de um momento mágico

A chita

Debutando nos safaris do Quênia

Eu, Wagner, Tímor e uma girafa, em Aberdare



O mergulho pelo interior do Quênia previa a busca pelo elo ancestral da livre convivência entre os homens e os animais, nos grandes parques do país, como Aberdare, Nakuru e Masai Mara. Neles, o principal atrativo são os safaris. Boa parte do mundo que tem contato com o National Geographic ou o Discovery Channel vislumbra um dia ter a oportunidade de realizar esse encontro.
Na saída de Nairóbi para o interior do país conhecemos o nosso guia, Kamotho, que fala português muito bem, e o Tímor, um jovem paulista que, a partir dali, dividiria os programas conosco. Poderíamos, enfim, falar nossa língua natal, contar casos e conhecer histórias diferentes de vida. Tímor se revelou um ótimo companheiro de viagem e uma pessoa gentil, amável e bem humorada.
No caminho para Aberdare, que seria nossa primeira escala do roteiro, passamos pela linha do Equador. Havia, ainda, várias lojas de artesanato, que confundem nossos sentidos, com tantos objetos maravilhosos. Compramos (Wagner, Tímor e eu) algumas peças, mediante a uma complexa negociação para reduzir os preços que inicialmente são altos. Na barganha, que é uma prática comum no país, os valores podem cair até 40%. A moeda queniana é o shilling, cuja proporção em relação com o dólar é de um para 80. Um café custa 100 shillings. Uma massagem relaxante, em torno de 4.500 shillings. Uma escultura artesanal de madeira é adquirida por 7.000 shillings e uma boa refeição, cerca de 1.500. Um suco ou a gorjeta para os carregadores nos hotéis, cerca de 200 shillings.
Para enfrentar os safaris, contamos com um 4x4 da Toyota, veículo que é indispensável nas estradas não asfaltadas. No parque de Aberdare, nos anos 1950, Elizabeth estava hospedada, quando recebeu a notícia que seria a nova rainha da Inglaterra. Elefantes, girafas, búfalos, impalas, babuínos e vários tipos de macacos, além de uma imensa diversidade de pássaros, fizeram parte do nosso roteiro. Logo recebemos o aviso para nos mantermos silenciosos para não espantar os animais, mas quase perdemos a compostura ao vermos duas hienas na estrada.
Ficamos hospedados no belo e confortável lodge (assim que eles denominam os hotéis localizados nos parques nacionais) The Ark, que simboliza a arca de Noé. O local é um esplêndido observatório de animais, que ficam pastando na frente do lodge. As dependências são divinas. Para comemorar tantas emoções, o encontro e a amizade com Tímor, brindamos com um delicioso vinho tinto sul africano. Observando a qualidade dos serviços é que a gente entende os custos altos de uma viagem para a África, pelo menos para nós da classe média brasileira.
No dia seguinte, rumamos para o parque do lago de Nakuru, internacionalmente famoso pelos flamingos, que migram para o local em busca de uma alga encontrada ali que, além de alimentá-las, colore suas penas brancas de um tom róseo. A viagem dos pássaros também envolve os rituais de acasalamento. No entanto, havia poucas aves no lago, contrariando as previsões e nos frustrando um pouco. Vamos tentar vê-las em outro lago, na Tanzânia. Esperamos ter mais sucesso.
Mas Nakuru é um parque soberbo pela beleza das acácias de tronco amarelo, pela imensa quantidade de outros animais e, principalmente, por ser uma das maiores reservas do rinoceronte branco, em risco de extinção. O animal, que pode pesar até três toneladas, vive ali em grupo familiar. Sua visão é fantástica e vale todo o percurso.
No lodge de Nakuru, também belíssimo, convivemos com dezenas de babuínos, que vinham visitar os apartamentos. É preciso trancar as portas e janelas, pois eles costumam levar objetos dos hóspedes. Na região ainda vimos pântanos com vegetações incríveis.
A próxima parada é a reserva dos Masai Mara, na divisa do Quênia com a Tanzânia. Os maasai são muito elegantes e vestem trajes característicos, marcados por roupas e colares coloridos. Atualmente, existem cerca de um milhão deles, entre os tradicionais e os que já assumiram hábitos mais ocidentais. Seu poder está no número de vacas que conseguem arrebanhar ao longo de suas vidas. Os animais são utilizados até nas transações matrimoniais. Uma bela mulher, com boa instrução, pode gerar até 10 vacas de dote para seu pai. Cada família tem um design diferente para marcar o gado.
Chegamos ao lodge da reserva após seis horas de viagem, as últimas delas numa estrada de terra inacreditavelmente ruim. Sacolejamos o tempo todo. O cansaço já rumava para a exaustão quando surgiu o paradisíaco hotel Mara Leisure Camp. Os quartos são luxuosas barracas, com uma estrutura fenomenal. Do lado de fora, os miquinhos fazem uma algazarra, lembrando-nos a todo o momento que estamos nesse lugar mágico chamado África.  Agora, é descansar um pouco, pois amanhã tem mais aventura!

No 4x4 essencial para enfrentar os safaris do Quênia

Artesanato queniano


Parque Aberdare: girafas

Impalas e javalis em Aberdare

Trombando com elefantes

Uma espécie de alce e os búfafos em Aberdare

Vai encarar?

Antílope

O lodge The Ark, com grupo de elefantes na sua frente: paraíso

Eu e Tímor, em The Ark

Wagner e nosso novo amiguinho, Edward

Eu, Wagner e Timor comemorando com vinho sul africano

The Ark

Hienas, uma festa para fotografar

Zebra

Na linha do Equador

Garota queniana

Olhos de menina do Quênia

Wagner e os pequenos camaleões

Tímor, Wagner e eu, numa cachoeira do Quênia

Impalas

A natureza invade o quarto do lodge em Nakuru

Pássaro do Quênia

Lodge em Nakuro: simplesmente fantástico


Rinoceronte branco

Rinocerontes brancos

Rinocerontes brancos na floresta de acácias amarelas

Flamingos de Nakuru: poucos, mas lindos

O lago Nakuru

Família de babuínos

Patos quenianos

Pântanos do parque Nakuru

Pássaros sobrevoam Nakuru

Quarto em Nakuru: à prova de mosquitos

Turnê Atacama/Uyuni Parte IV: Salar de Uyuni

  No bosque das bandeiras, atração do Salar de Uyuni Veja as fotos no final do texto Clique nas fotos para ampliá-las      Chegamos à última...