segunda-feira, 29 de junho de 2015

Bahia 5 – Mergulhando nas cachoeiras dos Mosquitos e do Buracão

Na Cachoeira do Buracão, em Ibicoara


    Já postamos aqui vários momentos da viagem à Chapada Diamantina, na Bahia, santuário ecológico brasileiro. E falamos também da Cachoeira da Fumaça, a maior da região, com 380 m. Nesta nova postagem, vamos visitar outras cachoeiras belíssimas que tivemos a oportunidade de conhecer.
         A primeira delas é a Cachoeira dos Mosquitos, 36 km de Lençóis. Ao contrário do que o nome pode sugerir, não se trata de um local repleto de pernilongos e muriçocas. Mosquito era o apelido de uma espécie de pequeno diamante comumente encontrado ali no passado. Para meu alívio, o acesso não era tão complicado como o da Fumaça. A caminhada dura pouco menos de 20 minutos, com uma trilha bem tranquila, sem grandes subidas e descidas. A coloração da água é conhaque, como na maioria das cachoeiras. Em alguns pontos, ela parece um gel de tão espessa. Ao deitarmos em seu leito, parece que estamos em uma hidromassagem.
            Devido à intensidade das chuvas nos dias anteriores à nossa visita, não conseguimos chegar muito próximos da queda d´água. Ela jorrava uma quantidade fenomenal de água e as gotículas se espalhavam a uma longa distância, invadindo inclusive as lentes das câmeras fotográficas. O curso do rio também estava muito caudaloso. Sem segurança (e sem um guia que nos desse um suporte), preferimos não nos arriscarmos. Mas, junto com os meus colegas de viagem (Wagner, Érica e Fábio), aproveitamos as águas do riacho, tomamos sol e nos banhamos.
            Como já citei anteriormente, muito desses locais ficam em áreas particulares. Por isso, os proprietários cobram uma taxa para entrar. No caso da Cachoeira dos Mosquitos, nós negociamos o pagamento na Associação dos Guias de Lençóis (R$ 10).

            A outra queda d´água que nos encantou foi a Cachoeira do Buracão, que fica em Ibicoara, sul do parque, mais próxima de Mucugê, para onde nos transferimos nos dias seguintes. Esta, sim, um passeio completo. Ela está localizada dentro de um parque mantido pela prefeitura local. Fizemos ma hora de caminhada, por trilhas lindíssimas, onde avistamos outros rios e cachoeiras. Só é possível fazer o percurso na companhia de um guia, que contratamos na associação de guias do município. Há uma diversidade incrível de plantas e flores no local, que me obrigou a fazer vários registros fotográficos.
            Ao chegarmos às proximidades do Buracão, o guia nos repassou coletes salva-vidas. Com eles, mergulhamos em um riacho que permite o acesso ao poço da cachoeira. Então, passamos por um cânion, nadando contra a correnteza. A visão da enorme queda, de 90 m de altura, é um misto de espanto e medo. As águas formam uma grande piscina em que nos mantemos a boiar sobre os coletes. Aviso: as águas são bem frias. No início, é difícil, mas depois nos acostumamos. É quase impossível fotografar, devido aos chuviscos. Mas nosso companheiro de viagem, Fábio, tinha uma espécie de capa de celular apropriada para essas ocasiões e conseguiu fazer alguns registros.
            Depois do banho restaurador, retornamos pelas margens do rio Espalhado, que dá nome ao parque, conhecendo outras quedas da região, inclusive a interessantíssima Cachoeira do Recanto Verde, cujas águas desabam por debaixo das rochas.
                        Logo após, nosso guia Jubran nos levou para um almoço “da roça”, feita pela cozinheira Gal (nome de artista), que apresentou alguns pratos bem típicos – e simples – da culinária local. Deliciosos, por sinal. O restaurante fica numa comunidade que desenvolve o projeto de construções sustentáveis, equilibrando elementos da natureza. O trabalho é chefiado por um espanhol que vive há alguns anos na região.
            Em Ibicoara também pode ser visitada outra cachoeira belíssima, descoberta há pouco tempo: a da Fumacinha. Mas o trajeto era muito complicado demandaria mais alguns dias. A trilha por cima tem 20 km ida-e-volta. Por baixo, chega a 34 km. Preferimos deixar para uma outra ocasião.
            Encerramos mais esta etapa da viagem. Na próxima postagem, vamos para Mucugê, uma encantadora cidade baiana, no centro da chapada, que se preparava para festejar o São João.


Fotos de Thelmo Lins, Wagner Cosse e Fábio Lago.

Cachoeira dos Mosquitos









Ibicoara e Cachoeira do Buracão






Casa com arquitetura sustentável



Rio Espalhado 







Cachoeira do Recanto Verde


Fábio e Wagner na piscina do Buracão

Cachoeira do Buracão

O guia Jubran e o cânion

Buracão do alto



Eu, Fábio, Wagner, Gal, Érika e Jubran, no almoço/jantar "da roça"

domingo, 28 de junho de 2015

Bahia 4 - Nos poços azulados na Chapada Diamantina

Com os amigos Fábio, Érika e Wagner, no Poço Azul


Pequenas vilas históricas, belíssimas grutas e cachoeiras, natureza exuberante. Estas são características da Chapada Diamantina, na Bahia. Mas outra impressionante razão para ir ao parque são as águas imaculadamente azuis que brotam de dentro de suas cavernas. Parece incrível, pois a maior parte das águas que correm os riachos e quedas d´água tem aquela cor de conhaque, muito comum também na região de Diamantina e Serro, em Minas Gerais. São limpíssimas, mas têm esta coloração.
No entanto, dentro daquelas formações rochosas, brotam águas azuladas, fruto de uma combinação inusitada de elementos minerais que ali são depositados. E o que é mais fantástico: a tonalidade impressionante só é possível ser observada em algumas horas do dia (e até mesmo em determinadas épocas do ano), devido à incidência do sol sobre os poços.
Visitamos três deles: a Pratinha, o Poço Azul e o Poço Encantado. Embora sejam propriedades da União, para alcançá-los é necessário passar por áreas particulares e os seus proprietários cobram taxas de manutenção.
Na Pratinha, que fica no norte do parque, 60 km de Lençois, é possível experimentar o mergulho, sempre acompanhado por um guia. Com os devidos coletes salva-vidas, laternas e óculos de mergulho, nos embrenhamos por uma gruta, onde é possível observar o fundo do poço. O passeio não é tão excitante, mas a coloração da água, quando estamos na abertura da gruta, é de tirar o fôlego.
No Poço Azul, a uma distância parecida, só que em outra direção, também é possível mergulhar. No local, com a incidência da luz do sol sobre as águas azuladas, parece que estamos boiando no infinito. Ou melhor, pairando sobre um céu azul. É inacreditável! Os proprietários do local obrigam todos os visitantes a se banharem em chuveiros antes de entrarem na água, para tirarmos excessos de cremes e gordura da pele. É uma forma de manter a limpidez da água. Para nossa surpresa, a temperatura da água não é tão fria como poderíamos imaginar. Do lado de fora, é possível provar uma deliciosa comida regional por preços bem razoáveis.
A terceira experiência aconteceu dia depois, no Poço Encantado, já na região de Andaraí, centro-sul do parque. Esse poço é aberto somente para visitação. Depois de descermos aproximadamente 100 m de um enorme salão da gruta, avistamos uma pequena lagoa. Entre 10 e 12h, quando o sol entra por uma fresta, ele provoca uma visão impactante, revelando o profundo azul das águas. Elas chegam a ter 60 m de profundidade. Somente profissionais especializados têm a liberação para mergulhar no poço em algumas épocas do ano, no intuito de fiscalizar a qualidade das águas e a vida dos animais que ali habitam – entre eles, um raríssimo peixe albino cego.

É impossível não se sentir privilegiado por estar nesses locais, na época do ano em que a luminosidade é mais adequada para a incidência dos feixes de luz. Para nossa felicidade, o sol também marcou sua presença. Em dias nublados, não é possível ter a mesma visão. É a Chapada Diamantina que a cada dia revela novas surpresas para os visitantes apaixonados.

Fotos de Thelmo Lins e Wagner Cosse.


Gruta da Pratinha



Wagner na entrada da gruta





Poço Azul


Com os amigos Érika e Fábio (na escada), entrando no poço Azul

Poço Encantado


Bahia 3 - No Vale do Capão, visitando a Cachoeira da Fumaça

Cachoeira da Fumaça (foto Wagner Cosse)


          A internet não funciona bem em Lençóis. Agência bancária, somente a do Banco do Brasil. E, de vez em quando, acontecem aqueles assaltos que a deixam fechada por semanas. Aceitam-se pagamentos com cartões de crédito e débito, mas nem em todos os lugares. O lado bom é desvincular-se um pouco das redes sociais, e-mails e dos aplicativos do celular. Por isso, deliguei um pouco desse vício que nos consome de ficar plugado o tempo todo. E, assim, não postei as histórias desta viagem ao vivo, como costumo fazer.
Neste terceiro dia de viagem, com o sol já aparecendo timidamente, resolvemos enfrentar o desafio de conhecer a Cachoeira da Fumaça, a maior da Chapada Diamantina, com 380m de altura.
          Ela fica no Vale do Capão, a aproximadamente 70 km de Lençóis, onde estávamos hospedados. Além do trajeto de automóvel, teríamos que vencer mais 6 km a pé, em uma caminhada cheia de percalços. O início dela é a parte mais complicada, pois logo temos que enfrentar um paredão muito cansativo. E dá-lhe subidas e mais subidas. Uma verdadeira prova para conferir a resistência e a flexibilidade de nossas pernas e joelhos. Esta trilha, diga-se de passagem, é a mais curta e nos conduz à parte alta da cachoeira. Para chegar por baixo, onde está o poço, são necessários de três a quatro dias de caminhada.
Depois da subida íngreme, andamos por locais um pouco mais planos. Mas atravessamos área alagadas e até riachos. A paisagem se descortina e conseguimos ver todo o vale abaixo de nós, com as montanhas conhecidas como Três Irmãos.
Depois de algumas horas, chegamos ao ponto alto da Cachoeira da Fumaça. A vista é deslumbrante, mas a altura do abismo me provocou uma vertigem imediata. Alguns mais ousados chegavam à beira do chapadão. Só de vê-los, eu arrepiava. Um desses ousados, foi o Wagner, meu companheiro de viagem.
          O medo não me impediu de sacar algumas fotos. Por causa do período chuvoso que antecedeu à nossa visita, a cachoeira estava plena e alcançava o poço lá no fundo. E não se espalhava no ar, como prevê o seu nome. O resultado ficou muito bom. A nota negativa é que é impossível, nesse local, tomar um banho refrescante, depois da extenuante caminhada, com aquelas águas todas caindo em cima da gente.
Agora, é hora de voltar os mesmos 6 km. Já passava de três da tarde e teríamos que deixar o parque antes das 18h, pois eles não permitem que pessoas fiquem ali dentro durante a noite. E nós também não estávamos preparados para isso, pois não levamos lanternas nem agasalhos.
          Reservamos a noite para jantarmos em um restaurante do Vale do Capão. O lugarejo é muito charmoso.  Vale ressaltar, também, a beleza de Palmeira, sede do município a qual o vale está inserido. A praça principal é belíssima, com vários casarões preservados. Ficamos encantados!
        Nossos amigos – inclusive Wagner – ficaram interessados em retornar ao local, em outra ocasião, para fazer a trilha do Vale do Paty, que demora de cinco a seis dias, passando por lugares deslumbrantes. Planos para outra viagem.
       Ressalto, também, a preocupação com a pouca estrutura do Parque Nacional da Chapada Diamantina. Como é de hábito em outras áreas preservadas brasileiras, o local tem uma equipe muito pequena, sofre com a falta de recursos públicos e o descaso das autoridades. É mantido com o esforço de pessoas abnegadas que trabalham ali e cuidam dele com o carinho e a delicadeza que merece, considerando sua importância para a sustentabilidade da região. Afinal, ele é considerado a caixa d´água da Bahia. Alguns estudantes voluntários ficam no local contabilizando todos os visitantes, para convencer o governo federal de que vale a pena investir na região. Um dos argumentos para essa estrutura é a de que o turismo ainda é incipiente. Ma s somente a cachoeira recebe de 15 a 25 mil turistas anuais, mesmo com tantas dificuldades na trilha.
           Encerramos aqui esta etapa e retornamos em nova postagem, contando um pouco mais da experiência de conhecer a Chapada Diamantina, o principal destino de ecoturismo do Brasil.

Fotos de Thelmo Lins e Wagner Cosse.






Wagner na beira do abismo e o fotógrafo (eu) tendo vertigem...











Visão da cachoeira da parte de baixo (imagem copiada do escritório do parque nacional)

Vale do Capão





Palmeiras









Turnê Atacama/Uyuni Parte IV: Salar de Uyuni

  No bosque das bandeiras, atração do Salar de Uyuni Veja as fotos no final do texto Clique nas fotos para ampliá-las      Chegamos à última...