terça-feira, 18 de abril de 2017

Três deslumbrantes igrejas de Sabará

Na igreja do Carmo, em Sabará, com os altares cobertos com os panos roxos da Quaresma
Fotos de Thelmo Lins. Clique nas imagens para ampliá-las

Os mineiros dão pouca atenção a Sabará e, numa corrente negativa, isso também acontece com os turistas. Assim como Santa Luzia, outra cidade histórica, ela é pouco visitada talvez por ficar tão perto de Belo Horizonte e sofrer com a descaracterização das periferias da capital mineira.
Os anos de desgoverno da cidade também colaboraram com seu atual estado. O casario se desmancha, as ruelas centrais são invadidas por um volume incontrolável de automóveis e falta um sensato planejamento urbano.
No entanto, mesmo com todas essas agruras, a cidade ainda respira sua importância histórica. Sabará foi o Eldorado brasileiro. Uma das mais ricas aglomerações urbanas da América Latina, desde que os bandeirantes descobriram o ouro no final do século 17.
A rua Pedro II, a única que se manteve razoavelmente intacta, exibe as marcas desse período áureo. Ali está o interessantíssimo teatrinho, antiga Casa de Ópera, obra prima das artes cênicas do século 19, atualmente em restauração, dentre outros prédios exuberantes.
Sempre admirei Sabará por sua culinária (as deliciosas jabuticabas e o maravilhoso ora-pro-nobis) e por suas igrejas barrocas. Nesta postagem, enfatizo três templos católicos que exprimem todo o poder que a cidade exerceu durante o período em que esteve em voga: Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Igreja do Carmo e a Igreja do Ó. Três pérolas que valem a pena visitar.
A Matriz de Nossa Senhora da Conceição é a que mais chama a atenção à primeira vista. A impressão é de que não há um metro quadrado que não seja coberto de ouro, retábulos retorcidos e pinturas. De acordo com o viajante Saint-Hilaire, que esteve no local no século 19, “os dourados foram aí empregados em espantosa profusão”. Os púlpitos de madeira são considerados os mais belos de Minas Gerais.  Sabe-se que a paróquia foi instituída em 1701, mas as obras de construção devem ter acontecido entre 1710 e 1714, quando se deu a inauguração.
Tombada pelo IPHAN (Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico), a matriz passou por várias restaurações. Atualmente, um profissional executa obras em uma porta lateral, que estava impregnada pelos cupins. A impressão geral é ótima. O atual pároco da matriz, Padre Nivaldo, é um profundo conhecedor da história de Sabará, sua terra natal. E isso tem ajudado a valorizar não só a sua arquitetura, como também as tradições e costumes da cidade.
A Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo, de 1763, não tem o mesmo douramento da matriz. Ela pertence ao último período do Barroco Mineiro, quando o excesso decorativo foi substituído por linhas mais objetivas e maior quantidade de paredes brancas. O estilo conhecido como Rococó.
O que chama a atenção no templo são as obras do Aleijadinho, o maior artista brasileiro do século 18. Seu entalhe está presente no frontispício da igreja, no coro e nas balaustradas. As duas figuras que suportam o coro são as mais impressionantes. Retratam dois homens musculosos, com traços que remetem aos profetas de Congonhas (MG).
No piso da igreja, podem ser vistos os locais onde antigamente eram sepultados os nobres e ricos da cidade. O hábito caiu em desuso, devido ao mal cheiro e as questões higiênicas. Por isso, em frente à igreja, há um cemitério onde a partir de então foram depositados os restos mortais dos falecidos.
Quando estive na cidade, os altares da igreja estavam cobertos com o pano roxo do período da Quaresma.
Na direção da fábrica da Arcelor (antiga Belgo Mineira) chega-se à Igreja de Nossa Senhora do Ó. O curioso nome deve-se às ladainhas cantadas nas principais festividades, sempre precedidas por um Oh! A sua repetição constante definiu o nome da capela. A imagem que está no altar é de uma Maria grávida, à espera do Menino Jesus.
A igrejinha do Ó é encantadora. Parece um caixa de joias, esplendidamente decorada. Sua construção se deu no início do século 18 e ela traz os traços da primeira fase do Barroco Mineiro. Além da profusão dos dourados, o ambiente enegrecido pela parca iluminação dão a ela um ar soturno. O que mais chama a atenção são as pinturas que reproduzem imagens chinesas, conhecidas como chinesices (que também podem ser observadas na Matriz de Nossa Senhora da Conceição). Ali, no entanto, elas são mais nítidas. Isso se deve, segundo os especialistas, às influências de Macau, colonizada pelos portugueses, na arte mineira.
Em todas as três igrejas cobra-se uma taxa de visitação, valores bem simbólicos que garantem a manutenção básica e limpeza. Os horários são fixos, com funcionamento inclusive às segundas-feiras. Não é permitido fotografar as igrejas. Para este blog, tive que pedir permissão à Arquidiocese de Belo Horizonte, por meio de sua assessoria de imprensa.
Espero que, com esta pequena contribuição, você se interesse em visitar a cidade e ainda aproveitar para adquirir alguns de seus belos produtos artesanais, com as palmas douradas, que são sua maior tradição. Há várias lojinhas na área central.

Serviço:
Matriz de Nossa Senhora da Conceição e Igrejinha do Ó: telefone (31) 3671-1724.
Igreja Nossa Senhora do Carmo: telefone (31) 3671-2417

Assessoria de Comunicação e Marketing da Arquidiocese de Belo Horizonte: telefone (31) 3269-3161; site: www.arquidiocesebh.org.br

Matriz de Nossa Senhora da Conceição

























Chinesices

Porta principal da matriz

Igreja do Carmo



Frontispício da igreja atribuído a Aleijadinho









Púlpito atribuído a Aleijadinho


Atribuído a Aleijadinho





Atribuído a Aleijadinho


Atribuído a Aleijadinho












Acima imagem ao lado da famosa palma de Sabará

Igreja do Ó








Chinesices

Chinesices

Chinesices

Chinesices

Chinesices



Outros edifícios históricos de Sabará

Ruínas da Igreja do Rosário

Ruínas da Igreja do Rosário

Cemitério




domingo, 16 de abril de 2017

De volta do Rio para conhecer o Museu do Amanhã e o Pão de Açúcar

No Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro (foto de Wagner Cosse)


Fotos de Thelmo Lins e Wagner Cosse
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            Voltei ao Rio de Janeiro no início de abril deste ano (2017) a trabalho. A estadia seria curta, apenas dois dias e meio. Mas, sendo a cidade o que é, não me furtei a usufruir de seus dotes turísticos e naturais.
            Desta vez, hospedei-me na confluência entre Copacabana e Ipanema, a poucos minutos do Arpoador. Escolhi experimentar a hospedagem em um apartamento, no estilo hospedagem compartilhada. Havia, no local, três quartos. Um deles era ocupado pelo proprietário do imóvel; o outro por um jovem casal argentino em férias; e o nosso (meu e do meu companheiro de viagem, Wagner Cosse). O espaço era composto por uma sala e copa com televisão e geladeira e uma cozinha também, compartilhada.
            O ponto negativo foi o banheiro compartilhado. Mesmo sem muito movimento pela casa, reconheço que o fato de ter um banheiro privativo não é um luxo e, sim, um artigo de primeira necessidade. O positivo foi o preço e a localização.
            A menos de dois quilômetros, estávamos em Ipanema, onde era o meu compromisso profissional. Por isso, pude ir e voltar a pé, sem sobressaltos. As praias também estavam logo ali e havia um sem número de ofertas de restaurantes, padarias e lanchonetes próximos.
            Tivemos uma manhã e uma tarde para curtirmos o Rio. Por isso, a primeira opção foi visitar o Museu do Amanhã, na Praça Mauá, região central da cidade. Para chegarmos ao local, optamos pelo metrô: rápido, limpo e barato.
O Museu do Amanhã foi o principal legado das Olimpíadas de 2016. O edifício realmente é muito bonito e a localização, privilegiada. Ali perto estão o porto, o antigo edifício da Rádio Nacional e o Museu de Arte do Rio (que eu já havia conhecido em outra ocasião). Nota-se que a obra ainda não foi concluída, pois há locais sem arborização. E a Baia da Guanabara, que circunda a praça, está muito poluída. Espero que, no futuro, quando a cidade se recuperar dos rombos econômicos e políticos, a situação possa ser melhorada.
            A exposição do Museu do Amanhã é instigante e lúdica, despertando interesse em públicos de todas as faixas etárias. É impossível usufruir de todas as suas potencialidades em uma visita de algumas horas. São necessários dias. Por isso, pegue o folheto na bilheteria e escolha as principais atrações.
Há também um auditório e uma galeria para exposições temporárias, que estavam fechados no dia da nossa visita. Aconselha-se a comprar o ingresso com antecedência pela internet, para evitar as filas enormes que se criam na entrada.
            Outro local de destaque em nossa visita foi o Pão de Açúcar. Já estive no Rio várias vezes ao longo de minha vida, mas nunca tinha ido passear no bondinho. E a experiência valeu a pena. Como fomos numa segunda-feira, o movimento estava bem tranquilo. O ingresso custa R$ 80 (inteira), incluindo o transporte até o Morro da Urca, onde o bonde faz sua primeira parada. E, posteriormente, o transporte até o Morro do Pão de Açúcar, onde é realizada a segunda parada. Os deslocamentos são rápidos. Duram menos de cinco minutos cada.
            As paradas são feitas de acordo com o tempo de cada um. Em ambos os morros, a vista é deslumbrante. Como estávamos na parte da tarde, pudemos observar ainda o início do pôr-do-sol. Dali podem ser vistos a Praia de Copacabana, o Parque do Flamengo, o aeroporto Santo Dumont, o Botafogo e parte de Niterói. Uma boa quantidade de mirantes abastece os visitantes de imagens inacreditáveis.
            Com atrações locais, os morros têm espaços culturais, lanchonetes, lojinhas e até mesmo antigos bondinhos que fizeram a história da atração turística. Os preços no comércio costumam ser salgados. Por isso, se não quiser gastar muito, deixe para lanchar na Praia Vermelha, aonde se compram os ingressos para o bondinho. Lá em cima há bebedouro e banheiros de uso gratuito.
            Quando apeamos do bondinho, quase seis da tarde, a lua cheia já marcava sua presença na Praia Vermelha. Admiramos a paisagem e, em seguida, para não pegarmos o trânsito caótico do Rio, resolvemos fazer uma hora e comer algo em uma lanchonete de comida árabe que fica ali pertinho, na Urca.
            Outra dica: há vários ônibus (lotação) que levam o visitante de Copacabana para a Urca, onde fica o Pão de Açúcar. Em especial o 581, que estava cheio de outros turistas. Não se trata de um ônibus especial. Na volta, como tínhamos um compromisso na Gávea, pegamos outro lotação (582). Assim, conhecemos um pouco mais dos costumes locais e ainda economizamos o dinheiro do táxi ou do Uber.

            No mais, um grande abraço e até a próxima postagem!

Praça Mauá

Letreiro em frente ao Museu do Amanhã






Esposições do Museu do Amanhã










Praça Mauá


Wagner e o letreiro em frente ao museu

À direita, o antigo prédio da Rádio Nacional

Museu de Arte no Rio (MAR)

Praia de Copacabana

Passeio ao Pão de Açúcar



Wagner no mirante do Morro da Urca

Praia Vermelha

Wagner no primeiro bondinho, do início do século XX

Bonde utilizado nos anos 1970

Vista do Flamengo e do aeroporto Santo Dumond

Urca



Em outro mirante do Morro da Urca


Copacabana


Wagner observa a vista do Beach Bar, no Morro do Pão de Açúcar

Albatrozes

Botafogo

Pôr-do-sol

A lua cheia surge na Praia Vermelha


Turnê Atacama/Uyuni Parte IV: Salar de Uyuni

  No bosque das bandeiras, atração do Salar de Uyuni Veja as fotos no final do texto Clique nas fotos para ampliá-las      Chegamos à última...