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| Em Hanoi, com a escultura "Unity" ao fundo |
Atenção: agora o blog tem texto com versões em inglês e espanhol, logo após o texto original em português.
No final do texto, confira as fotos. Clique nas fotos para ampliá-las
A primeira coisa que
se observa ao chegarmos a Hanói, capital do Vietnã, é a quantidade absurda
de motocicletas. Não é apenas pelo volume, mas também pelo intenso barulho
das buzinas. Acredita-se que a cidade tenha aproximadamente 7 milhões desse
tipo de transporte para uma população que gira em torno de 8,8 milhões de
habitantes.
As motos estão em
todos os lugares, inclusive nos passeios, onde ficam
estacionadas. Que o pedestre se contente em transitar entre os veículos.
Atravessar uma rua ou avenida, então, exige habilidade e atenção, uma vez que
nem mesmo os sinais de pedestres são respeitados. Com o tempo, a gente acaba se
acostumando, mas, no início, parece que estamos mergulhados no caos.
No bairro (ou
quarteirão) francês, observamos várias edificações do
período colonial, quando Hanói foi a capital da Indochina. A ópera, o hotel
Sofitel, a catedral e o Museu de História pertencem a esse período, que durou
boa parte dos séculos XIX e XX.
A cidade apresenta
praças belíssimas, onde a tranquilidade e a organização rivalizam com o
trânsito caótico. No entanto, há harmonia nos templos e jardins que remetem à
meditação e à concentração, características marcantes dos povos orientais.
Cidade pulsante -
Hanói é uma cidade pulsante, com muitos jovens, muito movimento e muita
agitação. O desenvolvimento econômico transforma os hábitos da metrópole e a
conduz para uma nova dinâmica internacional. Mas é nítido que os preceitos
tradicionais continuam enraizados e pautam toda a condução do progresso.
É muito comum observar
a população se alimentando em pequenos restaurantes de rua, sentada em
cadeiras que parecem feitas para crianças. As pessoas — inclusive os executivos
de terno e gravata — sentam-se em círculo, carregando seus potes de sopa ou
outros alimentos similares, confraternizando e trocando experiências do dia a
dia.
A maioria da população
é magra, pois a dieta é fortemente marcada por legumes e verduras. Segundo os
guias locais, os vietnamitas não têm o hábito de caminhar ou fazer exercícios
aeróbicos dessa natureza. “Todos que vocês veem caminhando são turistas”, brincam.
A maioria usa a motocicleta até para ir à esquina, dizem eles.
Também pudera. O
calor costuma ser infernal. A sensação térmica, quando estive lá, no mês de
abril, beirava os 40 graus. É preciso disposição para enfrentar caminhadas com
essa temperatura. Os vietnamitas não gostam de sol. Eles cobrem todo o corpo
para evitar o bronzeamento. De acordo com os mesmos guias, quanto mais branca a
pele, melhor. Para eles, é sedutor ou atraente conservar a pele completamente
alva.
Encontro com as
crianças locais - Outra experiência que nos marcou na
viagem foi o encontro com as crianças no Templo da Literatura. Uma determinada
escola da cidade levou seus alunos, ainda bem pequenos, para uma visita ao
local e para registros fotográficos de formatura. Elas quiseram fotografar
conosco, os visitantes, e nos presentearam com pulseirinhas típicas do Vietnã,
retiradas dos próprios pulsos, transformando esses momentos pela delicadeza da
espontaneidade.
Já outro grupo,
acompanhado pelo professor de inglês, aproveitou o fato de aquele ser um local
de grande afluxo de turistas para nos entrevistar. Foram momentos extremamente
agradáveis, com muitas risadas e brincadeiras.
Outro ponto a destacar
foi a oficina de arranjos florais oferecida pela agência de viagens
Mundo Ásia. Lá tivemos a oportunidade de conhecer um pouco dos cheiros e
fragrâncias das flores locais, além de acompanhar o processo de utilização da
fibra retirada do caule das flores de lótus para a confecção de tecidos, que
lembram muito a textura e a leveza da seda.
Herói nacional
- O passeio em Hanói finalizou-se com a visita ao mausoléu de Ho Chi Minh
(1890-1969), herói nacional, um dos articuladores do processo de libertação do
Vietnã e um dos líderes da guerra contra os Estados Unidos, que marcou
profundamente o país entre as décadas de 1950 e 1970 e da qual falaremos em
outra postagem.
Por fim, vale destacar
o encantador Teatro de Marionetes na Água que, segundo a tradição,
surgiu há mais de 1.000 anos. Em um palco que parece uma piscina, um grupo de
bonequeiros, acompanhado por músicos e instrumentistas, realiza a mágica de
transformar pequenos personagens de madeira em um espetáculo que conta um pouco
dos mitos e das histórias da região, de maneira bastante lúdica e bem-humorada.
Os sons extraídos daqueles instrumentos exóticos são um deleite para os
sentidos.
A próxima etapa desta
viagem acontece em Ninh Binh, a 95 km de Hanói, quando visitaremos o sul
do delta do rio Vermelho e suas impressionantes formações rochosas.
Conheceremos também a antiga capital real de Hoa Lu, criada no ano de 958.
Até mais!
English version
The
first thing you notices upon arriving in Hanói, the capital of Vietnã, is the
absurd number of motorcycles. It is not only because of the sheer volume, but
also because of the intense noise of the horns. It is believed that the city
has approximately 7 million motorcycles for a population of around 8.8 million
inhabitants.
Motorcycles
are everywhere, including on the sidewalks, where they are parked. Pedestrians
must simply accept weaving among the vehicles. Crossing a street or avenue
requires skill and attention, since even pedestrian signals are often ignored.
Over time, one eventually gets used to it, but at first it feels as though we
are immersed in chaos.
Once
this first impression fades, the metropolis begins to reveal its other facets.
It is a locality inhabited for nearly 3,000 years and therefore tells part of
the history of Vietnam and of the entire region known as Indochina. There are
buildings from several of these periods, beginning with the fascinating Old
Quarter, founded in the 13th century by artisans, with its narrow streets
packed with shops, temples, restaurants, and massage houses.
In the French Quarter,
we observed several buildings from the colonial period, when Hanoi was the
capital of Indochina. The opera house, the Sofitel Hotel, the cathedral, and
the History Museum belong to this period, which lasted through much of the 19th
and 20th centuries.
The
Temple of Literature, created around the year 1070, is the country’s first
university, where elite men deepened their knowledge inspired by the philosophy
of the Chinese thinker Confúcio (551–479 BC). China dominated that territory
for nearly 1,000 years and left profound marks on Vietnamese culture.
The
city features beautiful squares, where tranquility and organization contrast
with the chaotic traffic. Nevertheless, harmony prevails in the temples and
gardens that evoke meditation and concentration, characteristics strongly
associated with Eastern peoples.
Hanoi
is a vibrant city, full of young people, movement, and energy. Economic
development is transforming the habits of the metropolis and leading it toward
a new international dynamic. Yet it is evident that traditional values remain
deeply rooted and continue to guide the course of progress.
It
is very common to see the population eating in small street restaurants, seated
on chairs that seem made for children. People — including executives in suits
and ties — sit in circles carrying bowls of soup or similar foods, socializing
and exchanging stories about their daily lives.
Most
of the population is slim, since the diet is strongly based on vegetables and
greens. According to local guides, Vietnamese people are not accustomed to
walking or engaging in aerobic exercise of that kind. “Everyone you see walking
is a tourist,” they joke. Most people use motorcycles even to go around the
corner, they say.
No
wonder. The heat is usually unbearable. The heat index, when I was there in
April, was close to 40 degrees Celsius. It needs determination to face long
walks under such temperatures. Vietnamese people dislike the sun. They cover
their entire bodies to avoid tanning. According to the same guides, the fairer
the skin, the better. For them, maintaining completely pale skin is considered
attractive and seductive.
Another
memorable experience during the trip was meeting children at the Temple of
Literature. A local school had taken very young students there for a visit and
for graduation photographs. They wanted to take pictures with us, the visitors,
and gifted us traditional Vietnamese bracelets, removing them from their own
wrists, transforming those moments through the delicacy of spontaneity.
Another
group, accompanied by their English teacher, took advantage of the fact that it
was a place with a large influx of tourists to interview us. Those were
extremely pleasant moments, filled with laughter and playful exchanges.
Another
highlight was the flower arrangement workshop offered by the travel agency
Mundo Ásia. There we had the opportunity to discover the scents and fragrances
of local flowers, as well as learn about the process of using fibers extracted
from lotus flower stems to produce fabrics that strongly resemble the texture
and lightness of silk.
Our
tour in Hanoi concluded with a visit to the mausoleum of Ho Chi Minh
(1890–1969), a national hero, one of the key figures in Vietnam’s liberation
process, and one of the leaders of the war against the United States that
profoundly marked the country between the 1950s and 1970s — a subject we will
discuss in another post.
Finally,
it is worth highlighting the enchanting Water Puppet Theater, which, according
to tradition, originated more than 1,000 years ago. On a stage resembling a
pool, a group of puppeteers accompanied by musicians and instrumentalists
perform the magic of transforming small wooden characters into a spectacle that
tells some of the myths and stories of the region in a very playful and
humorous way. The sounds produced by those exotic instruments are a delight to
the senses.
The
next stage of this journey takes place in Ninh Binh, 95 km from Hanói, where we
will visit the southern region of the Red River Delta and its impressive rock
formations. We will also visit the ancient royal capital of Hoa Lu, founded in
the year 958.
See
you soon!
Versión en español
Lo primero que se
observa al llegar a Hanói, capital de Vietnã, es la absurda cantidad de
motocicletas. No solo por el volumen, sino también por el intenso ruido de las
bocinas. Se cree que la ciudad tiene aproximadamente 7 millones de motocicletas
para una población de alrededor de 8,8 millones de habitantes.
Las
motos están en todas partes, incluso en las aceras, donde permanecen
estacionadas. El peatón debe conformarse con circular entre los vehículos.
Cruzar una calle o avenida exige habilidad y atención, ya que ni siquiera las
señales peatonales son respetadas. Con el tiempo, uno termina acostumbrándose,
pero al principio parece que estamos inmersos en el caos.
Superada
esta primera impresión, la metrópoli comienza a mostrar sus otras facetas. Se
trata de una localidad habitada desde hace casi 3.000 años y que, por ello,
cuenta parte de la historia de Vietnam y de toda la región conocida como
Indochina. Existen edificaciones de varios de esos períodos, comenzando por el
fascinante Barrio Antiguo, fundado en el siglo XIII por artesanos, con sus
callejuelas repletas de tiendas, templos, restaurantes y casas de masaje.
En
el barrio francés observamos varios edificios del período colonial, cuando
Hanói fue la capital de Indochina. La ópera, el hotel Sofitel, la catedral y el
Museo de Historia pertenecen a esa época, que se extendió durante buena parte
de los siglos XIX y XX.
El
Templo de la Literatura, creado alrededor del año 1070, es la primera
universidad del país, donde los hombres de la élite profundizaban sus
conocimientos inspirados por la filosofía del pensador chino Confúcio (551–479
a.C.). China dominó ese territorio durante casi 1.000 años y dejó profundas
huellas en la cultura vietnamita.
La
ciudad presenta plazas bellísimas, donde la tranquilidad y la organización
contrastan con el tránsito caótico. Sin embargo, existe armonía en los templos
y jardines que remiten a la meditación y la concentración, características muy
marcadas de los pueblos orientales.
Hanói
es una ciudad vibrante, con muchos jóvenes, mucho movimiento y gran agitación.
El desarrollo económico transforma los hábitos de la metrópoli y la conduce
hacia una nueva dinámica internacional. Pero es evidente que los valores
tradicionales siguen profundamente arraigados y continúan orientando el rumbo
del progreso.
Es
muy común observar a la población alimentándose en pequeños restaurantes
callejeros, sentados en sillas que parecen hechas para niños. Las personas
—incluidos los ejecutivos de traje y corbata— se sientan en círculo llevando
sus recipientes de sopa u otros alimentos similares, compartiendo y conversando
sobre las experiencias de su vida cotidiana.
La
mayoría de la población es delgada, ya que la dieta está fuertemente basada en
verduras y vegetales. Según los guías locales, los vietnamitas no tienen la
costumbre de caminar ni de practicar ejercicios aeróbicos de ese tipo. “Todos
los que ustedes ven caminando son turistas”, bromean. La mayoría usa la
motocicleta incluso para ir a la esquina, dicen ellos.
Y
no es para menos. El calor suele ser infernal. La sensación térmica, cuando
estuve allí en abril, rondaba los 40 grados Celsius. Se necesita disposición
para enfrentar caminatas bajo esas temperaturas. A los vietnamitas no les gusta
el sol. Cubren todo el cuerpo para evitar el bronceado. Según los mismos guías,
cuanto más blanca sea la piel, mejor. Para ellos, conservar la piel
completamente pálida resulta atractivo y seductor.
Otra
experiencia que nos marcó durante el viaje fue el encuentro con los niños en el
Templo de la Literatura. Una escuela de la ciudad llevó a sus alumnos, todavía
muy pequeños, para visitar el lugar y realizar fotografías de graduación. Ellos
quisieron fotografiarse con nosotros, los visitantes, y nos regalaron
pulseritas típicas de Vietnam, quitándolas de sus propias muñecas,
transformando esos momentos gracias a la delicadeza de la espontaneidad.
Otro
grupo, acompañado por su profesor de inglés, aprovechó el hecho de que aquel
era un lugar con gran afluencia de turistas para entrevistarnos. Fueron
momentos extremadamente agradables, llenos de risas y bromas.
Otro
punto destacado fue el taller de arreglos florales ofrecido por la agencia de
viajes Mundo Ásia. Allí tuvimos la oportunidad de conocer un poco de los aromas
y fragancias de las flores locales, además de aprender el proceso de
utilización de la fibra extraída del tallo de las flores de loto para
confeccionar tejidos que recuerdan mucho la textura y la ligereza de la seda.
El
recorrido por Hanói concluyó con la visita al mausoleo de Ho Chi Minh
(1890-1969), héroe nacional, uno de los articuladores del proceso de liberación
de Vietnam y uno de los líderes de la guerra contra Estados Unidos que marcó
profundamente al país entre las décadas de 1950 y 1970, tema del que hablaremos
en otra publicación.
Por
último, vale destacar el encantador Teatro de Marionetas sobre el Agua que,
según la tradición, surgió hace más de 1.000 años. En un escenario que parece
una piscina, un grupo de titiriteros, acompañado por músicos e instrumentistas,
realiza la magia de transformar pequeños personajes de madera en un espectáculo
que relata algunos de los mitos e historias de la región de manera muy lúdica y
humorística. Los sonidos extraídos de aquellos instrumentos exóticos son un
verdadero deleite para los sentidos.
La
próxima etapa de este viaje tendrá lugar en Ninh Binh, a 95 km de Hanói, donde
visitaremos el sur del delta del río Rojo y sus impresionantes formaciones
rocosas. También conoceremos la antigua capital real de Hoa Lu, fundada en el
año 958.
¡Hasta
pronto!
Álbum de Fotografias
| Profusão de motos |
| Soldados guardam o túmulo de Ho Chi Ming |
Pelas ruas de Hanói
| Decoração no interior de um restaurante |
| Templo |
| Comércio de rua |
| Templo |
| Frutas embaladas |
| Passeio de tuk tuk pelo Bairro Antigo |
Bairro (ou quarteirão) francês
| Ópera de Hanói |
| Escultura "Unity" |
| Catedral de São José (inspirada na Notre Dame) |
| Jovens fazem poses para a câmera do celular |
| Exposição de rua |
| Bonsai |
Templo da Literatura
| Entrada principal |
| Jardineiros |
| Crianças visitam o templo e interagem conosco |
| Entrevista em inglês |
| Mural de madeira conta a história de Hanói |
Lagoa Central e Ponte Vermelha
Oficina de arranjo floral
| Parede enfeitada de chumaços de incenso |
| Arranjo floral criado por Wagner |
| Túmulo de Ho Chi Minh |
| Casas-tubo: característica das construções locais |
Teatro de Marionetes na Água
| Delicadas fibras extraídas do caule da flor de lótus para produzir tecidos que se parecem com a seda |

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