domingo, 10 de maio de 2026

Sudeste Asiático Parte II - Hanói

 

Em Hanoi, com a escultura "Unity" ao fundo

Atenção: agora o blog tem texto com versões em inglês e espanhol, 
logo após o texto original em português.

No final do texto, confira as fotos. Clique nas fotos para ampliá-las


A primeira coisa que se observa ao chegarmos a Hanói, capital do Vietnã, é a quantidade absurda de motocicletas. Não é apenas pelo volume, mas também pelo intenso barulho das buzinas. Acredita-se que a cidade tenha aproximadamente 7 milhões desse tipo de transporte para uma população que gira em torno de 8,8 milhões de habitantes.

As motos estão em todos os lugares, inclusive nos passeios, onde ficam estacionadas. Que o pedestre se contente em transitar entre os veículos. Atravessar uma rua ou avenida, então, exige habilidade e atenção, uma vez que nem mesmo os sinais de pedestres são respeitados. Com o tempo, a gente acaba se acostumando, mas, no início, parece que estamos mergulhados no caos.


 3.000 anos de história - Passada essa primeira impressão, a metrópole vai mostrando suas outras facetas. Trata-se de uma localidade habitada há quase 3.000 anos e que, por isso, conta um pouco da história do Vietnã e de toda a região conhecida como Indochina. Há edificações de vários desses períodos, a começar pelo instigante Bairro Antigo, fundado no século XIII por artesãos, com suas ruelas abarrotadas de lojas comerciais, templos, restaurantes e casas de massagem.

No bairro (ou quarteirão) francês, observamos várias edificações do período colonial, quando Hanói foi a capital da Indochina. A ópera, o hotel Sofitel, a catedral e o Museu de História pertencem a esse período, que durou boa parte dos séculos XIX e XX.


 Templo da Literatura - Já o Templo da Literatura, criado por volta do ano 1070, é a primeira universidade do país, onde os homens da elite aprofundavam seus conhecimentos, inspirados pela filosofia do chinês Confúcio (551 a 479 a.C.). A China dominou aquele território por quase 1.000 anos e deixou marcas profundas na cultura vietnamita.

A cidade apresenta praças belíssimas, onde a tranquilidade e a organização rivalizam com o trânsito caótico. No entanto, há harmonia nos templos e jardins que remetem à meditação e à concentração, características marcantes dos povos orientais.

 

Cidade pulsante - Hanói é uma cidade pulsante, com muitos jovens, muito movimento e muita agitação. O desenvolvimento econômico transforma os hábitos da metrópole e a conduz para uma nova dinâmica internacional. Mas é nítido que os preceitos tradicionais continuam enraizados e pautam toda a condução do progresso.

É muito comum observar a população se alimentando em pequenos restaurantes de rua, sentada em cadeiras que parecem feitas para crianças. As pessoas — inclusive os executivos de terno e gravata — sentam-se em círculo, carregando seus potes de sopa ou outros alimentos similares, confraternizando e trocando experiências do dia a dia.

A maioria da população é magra, pois a dieta é fortemente marcada por legumes e verduras. Segundo os guias locais, os vietnamitas não têm o hábito de caminhar ou fazer exercícios aeróbicos dessa natureza. “Todos que vocês veem caminhando são turistas”, brincam. A maioria usa a motocicleta até para ir à esquina, dizem eles.

Também pudera. O calor costuma ser infernal. A sensação térmica, quando estive lá, no mês de abril, beirava os 40 graus. É preciso disposição para enfrentar caminhadas com essa temperatura. Os vietnamitas não gostam de sol. Eles cobrem todo o corpo para evitar o bronzeamento. De acordo com os mesmos guias, quanto mais branca a pele, melhor. Para eles, é sedutor ou atraente conservar a pele completamente alva.

 

Encontro com as crianças locais - Outra experiência que nos marcou na viagem foi o encontro com as crianças no Templo da Literatura. Uma determinada escola da cidade levou seus alunos, ainda bem pequenos, para uma visita ao local e para registros fotográficos de formatura. Elas quiseram fotografar conosco, os visitantes, e nos presentearam com pulseirinhas típicas do Vietnã, retiradas dos próprios pulsos, transformando esses momentos pela delicadeza da espontaneidade.

Já outro grupo, acompanhado pelo professor de inglês, aproveitou o fato de aquele ser um local de grande afluxo de turistas para nos entrevistar. Foram momentos extremamente agradáveis, com muitas risadas e brincadeiras.

Outro ponto a destacar foi a oficina de arranjos florais oferecida pela agência de viagens Mundo Ásia. Lá tivemos a oportunidade de conhecer um pouco dos cheiros e fragrâncias das flores locais, além de acompanhar o processo de utilização da fibra retirada do caule das flores de lótus para a confecção de tecidos, que lembram muito a textura e a leveza da seda.

 

Herói nacional - O passeio em Hanói finalizou-se com a visita ao mausoléu de Ho Chi Minh (1890-1969), herói nacional, um dos articuladores do processo de libertação do Vietnã e um dos líderes da guerra contra os Estados Unidos, que marcou profundamente o país entre as décadas de 1950 e 1970 e da qual falaremos em outra postagem.

Por fim, vale destacar o encantador Teatro de Marionetes na Água que, segundo a tradição, surgiu há mais de 1.000 anos. Em um palco que parece uma piscina, um grupo de bonequeiros, acompanhado por músicos e instrumentistas, realiza a mágica de transformar pequenos personagens de madeira em um espetáculo que conta um pouco dos mitos e das histórias da região, de maneira bastante lúdica e bem-humorada. Os sons extraídos daqueles instrumentos exóticos são um deleite para os sentidos.

A próxima etapa desta viagem acontece em Ninh Binh, a 95 km de Hanói, quando visitaremos o sul do delta do rio Vermelho e suas impressionantes formações rochosas. Conheceremos também a antiga capital real de Hoa Lu, criada no ano de 958.

 

Até mais! 

 

English version

                The first thing you notices upon arriving in Hanói, the capital of Vietnã, is the absurd number of motorcycles. It is not only because of the sheer volume, but also because of the intense noise of the horns. It is believed that the city has approximately 7 million motorcycles for a population of around 8.8 million inhabitants.

                Motorcycles are everywhere, including on the sidewalks, where they are parked. Pedestrians must simply accept weaving among the vehicles. Crossing a street or avenue requires skill and attention, since even pedestrian signals are often ignored. Over time, one eventually gets used to it, but at first it feels as though we are immersed in chaos.

                Once this first impression fades, the metropolis begins to reveal its other facets. It is a locality inhabited for nearly 3,000 years and therefore tells part of the history of Vietnam and of the entire region known as Indochina. There are buildings from several of these periods, beginning with the fascinating Old Quarter, founded in the 13th century by artisans, with its narrow streets packed with shops, temples, restaurants, and massage houses.

In the French Quarter, we observed several buildings from the colonial period, when Hanoi was the capital of Indochina. The opera house, the Sofitel Hotel, the cathedral, and the History Museum belong to this period, which lasted through much of the 19th and 20th centuries.

                The Temple of Literature, created around the year 1070, is the country’s first university, where elite men deepened their knowledge inspired by the philosophy of the Chinese thinker Confúcio (551–479 BC). China dominated that territory for nearly 1,000 years and left profound marks on Vietnamese culture.

                The city features beautiful squares, where tranquility and organization contrast with the chaotic traffic. Nevertheless, harmony prevails in the temples and gardens that evoke meditation and concentration, characteristics strongly associated with Eastern peoples.

                Hanoi is a vibrant city, full of young people, movement, and energy. Economic development is transforming the habits of the metropolis and leading it toward a new international dynamic. Yet it is evident that traditional values remain deeply rooted and continue to guide the course of progress.

                It is very common to see the population eating in small street restaurants, seated on chairs that seem made for children. People — including executives in suits and ties — sit in circles carrying bowls of soup or similar foods, socializing and exchanging stories about their daily lives.

                Most of the population is slim, since the diet is strongly based on vegetables and greens. According to local guides, Vietnamese people are not accustomed to walking or engaging in aerobic exercise of that kind. “Everyone you see walking is a tourist,” they joke. Most people use motorcycles even to go around the corner, they say.

                No wonder. The heat is usually unbearable. The heat index, when I was there in April, was close to 40 degrees Celsius. It needs determination to face long walks under such temperatures. Vietnamese people dislike the sun. They cover their entire bodies to avoid tanning. According to the same guides, the fairer the skin, the better. For them, maintaining completely pale skin is considered attractive and seductive.

                Another memorable experience during the trip was meeting children at the Temple of Literature. A local school had taken very young students there for a visit and for graduation photographs. They wanted to take pictures with us, the visitors, and gifted us traditional Vietnamese bracelets, removing them from their own wrists, transforming those moments through the delicacy of spontaneity.

                Another group, accompanied by their English teacher, took advantage of the fact that it was a place with a large influx of tourists to interview us. Those were extremely pleasant moments, filled with laughter and playful exchanges.

                Another highlight was the flower arrangement workshop offered by the travel agency Mundo Ásia. There we had the opportunity to discover the scents and fragrances of local flowers, as well as learn about the process of using fibers extracted from lotus flower stems to produce fabrics that strongly resemble the texture and lightness of silk.

                Our tour in Hanoi concluded with a visit to the mausoleum of Ho Chi Minh (1890–1969), a national hero, one of the key figures in Vietnam’s liberation process, and one of the leaders of the war against the United States that profoundly marked the country between the 1950s and 1970s — a subject we will discuss in another post.

                Finally, it is worth highlighting the enchanting Water Puppet Theater, which, according to tradition, originated more than 1,000 years ago. On a stage resembling a pool, a group of puppeteers accompanied by musicians and instrumentalists perform the magic of transforming small wooden characters into a spectacle that tells some of the myths and stories of the region in a very playful and humorous way. The sounds produced by those exotic instruments are a delight to the senses.

                The next stage of this journey takes place in Ninh Binh, 95 km from Hanói, where we will visit the southern region of the Red River Delta and its impressive rock formations. We will also visit the ancient royal capital of Hoa Lu, founded in the year 958.

                See you soon!

 

Versión en español

Lo primero que se observa al llegar a Hanói, capital de Vietnã, es la absurda cantidad de motocicletas. No solo por el volumen, sino también por el intenso ruido de las bocinas. Se cree que la ciudad tiene aproximadamente 7 millones de motocicletas para una población de alrededor de 8,8 millones de habitantes.

                Las motos están en todas partes, incluso en las aceras, donde permanecen estacionadas. El peatón debe conformarse con circular entre los vehículos. Cruzar una calle o avenida exige habilidad y atención, ya que ni siquiera las señales peatonales son respetadas. Con el tiempo, uno termina acostumbrándose, pero al principio parece que estamos inmersos en el caos.

                Superada esta primera impresión, la metrópoli comienza a mostrar sus otras facetas. Se trata de una localidad habitada desde hace casi 3.000 años y que, por ello, cuenta parte de la historia de Vietnam y de toda la región conocida como Indochina. Existen edificaciones de varios de esos períodos, comenzando por el fascinante Barrio Antiguo, fundado en el siglo XIII por artesanos, con sus callejuelas repletas de tiendas, templos, restaurantes y casas de masaje.

                En el barrio francés observamos varios edificios del período colonial, cuando Hanói fue la capital de Indochina. La ópera, el hotel Sofitel, la catedral y el Museo de Historia pertenecen a esa época, que se extendió durante buena parte de los siglos XIX y XX.

                El Templo de la Literatura, creado alrededor del año 1070, es la primera universidad del país, donde los hombres de la élite profundizaban sus conocimientos inspirados por la filosofía del pensador chino Confúcio (551–479 a.C.). China dominó ese territorio durante casi 1.000 años y dejó profundas huellas en la cultura vietnamita.

                La ciudad presenta plazas bellísimas, donde la tranquilidad y la organización contrastan con el tránsito caótico. Sin embargo, existe armonía en los templos y jardines que remiten a la meditación y la concentración, características muy marcadas de los pueblos orientales.

                Hanói es una ciudad vibrante, con muchos jóvenes, mucho movimiento y gran agitación. El desarrollo económico transforma los hábitos de la metrópoli y la conduce hacia una nueva dinámica internacional. Pero es evidente que los valores tradicionales siguen profundamente arraigados y continúan orientando el rumbo del progreso.

                Es muy común observar a la población alimentándose en pequeños restaurantes callejeros, sentados en sillas que parecen hechas para niños. Las personas —incluidos los ejecutivos de traje y corbata— se sientan en círculo llevando sus recipientes de sopa u otros alimentos similares, compartiendo y conversando sobre las experiencias de su vida cotidiana.

                La mayoría de la población es delgada, ya que la dieta está fuertemente basada en verduras y vegetales. Según los guías locales, los vietnamitas no tienen la costumbre de caminar ni de practicar ejercicios aeróbicos de ese tipo. “Todos los que ustedes ven caminando son turistas”, bromean. La mayoría usa la motocicleta incluso para ir a la esquina, dicen ellos.

                Y no es para menos. El calor suele ser infernal. La sensación térmica, cuando estuve allí en abril, rondaba los 40 grados Celsius. Se necesita disposición para enfrentar caminatas bajo esas temperaturas. A los vietnamitas no les gusta el sol. Cubren todo el cuerpo para evitar el bronceado. Según los mismos guías, cuanto más blanca sea la piel, mejor. Para ellos, conservar la piel completamente pálida resulta atractivo y seductor.

                Otra experiencia que nos marcó durante el viaje fue el encuentro con los niños en el Templo de la Literatura. Una escuela de la ciudad llevó a sus alumnos, todavía muy pequeños, para visitar el lugar y realizar fotografías de graduación. Ellos quisieron fotografiarse con nosotros, los visitantes, y nos regalaron pulseritas típicas de Vietnam, quitándolas de sus propias muñecas, transformando esos momentos gracias a la delicadeza de la espontaneidad.

                Otro grupo, acompañado por su profesor de inglés, aprovechó el hecho de que aquel era un lugar con gran afluencia de turistas para entrevistarnos. Fueron momentos extremadamente agradables, llenos de risas y bromas.

                Otro punto destacado fue el taller de arreglos florales ofrecido por la agencia de viajes Mundo Ásia. Allí tuvimos la oportunidad de conocer un poco de los aromas y fragancias de las flores locales, además de aprender el proceso de utilización de la fibra extraída del tallo de las flores de loto para confeccionar tejidos que recuerdan mucho la textura y la ligereza de la seda.

                El recorrido por Hanói concluyó con la visita al mausoleo de Ho Chi Minh (1890-1969), héroe nacional, uno de los articuladores del proceso de liberación de Vietnam y uno de los líderes de la guerra contra Estados Unidos que marcó profundamente al país entre las décadas de 1950 y 1970, tema del que hablaremos en otra publicación.

                Por último, vale destacar el encantador Teatro de Marionetas sobre el Agua que, según la tradición, surgió hace más de 1.000 años. En un escenario que parece una piscina, un grupo de titiriteros, acompañado por músicos e instrumentistas, realiza la magia de transformar pequeños personajes de madera en un espectáculo que relata algunos de los mitos e historias de la región de manera muy lúdica y humorística. Los sonidos extraídos de aquellos instrumentos exóticos son un verdadero deleite para los sentidos.

                La próxima etapa de este viaje tendrá lugar en Ninh Binh, a 95 km de Hanói, donde visitaremos el sur del delta del río Rojo y sus impresionantes formaciones rocosas. También conoceremos la antigua capital real de Hoa Lu, fundada en el año 958.

                ¡Hasta pronto!

Álbum de Fotografias

Profusão de motos

Soldados guardam o túmulo de Ho Chi Ming

Pelas ruas de Hanói


Decoração no interior de um restaurante

Templo

Comércio de rua

Templo

Frutas embaladas

Passeio de tuk tuk pelo Bairro Antigo


Bairro (ou quarteirão) francês






Ópera de Hanói

Escultura "Unity"



Catedral de São José (inspirada na Notre Dame)

Jovens fazem poses para a câmera do celular

Exposição de rua

Bonsai

Templo da Literatura


Entrada principal

Jardineiros

Crianças visitam o templo e interagem conosco





Entrevista em inglês

Mural de madeira conta a história de Hanói





Lagoa Central e Ponte Vermelha








Oficina de arranjo floral


Parede enfeitada de chumaços de incenso


Arranjo floral criado por Wagner




Túmulo de Ho Chi Minh

Casas-tubo: característica das construções locais

Teatro de Marionetes na Água









Delicadas fibras extraídas do caule da flor de lótus
para produzir tecidos que se parecem com a seda



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