domingo, 17 de maio de 2026

Sudeste Asiático Parte III: Halong e Ninh Binh

 

No barco, passeando pela Baía de Halong, no Vietnã
Foto de Wagner Cosse

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Textos em português, inglês e espanhol

A Baía de Halong é, sem dúvida, um dos maiores – senão o maior – atrativos naturais do Vietnã. Ela se situa no norte do país, no Golfo de Tonquim, quase na divisa com a China. Já Ninh Binh, numa região relativamente próxima, é conhecida como a “Halong” do delta do rio Vermelho. Visitamos os dois lugares em viagem àquele país, no mês de abril de 2026.

Declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1994, Halong fica a 164 km de distância de Hanói. Ela ocupa uma área de 1.500 km². São mais de 2.000 formações de calcário e dolomita que emergem da água, como pequenas montanhas de pedra, contrastando com os tons esverdeados e azulados do mar. O nome significa “dragão que desce do mar”, como se as pedras fossem as corcovas do mítico animal.

O passeio inclui o pernoite em uma embarcação, que lembra as antigas gaiolas do rio São Francisco, no Brasil, ou do rio Mississipi, nos EUA. Somos colocados nesse navio, em cabines confortáveis, com direito a uma pequena varanda. O transporte também oferece várias atividades de lazer, como aulas de tai chi chuan e de culinária vietnamita, além das refeições, como almoço, jantar e café da manhã.

Há outras formas tradicionais de navegar por aquelas águas, como em veleiros e barcos-dragão. Mas a maioria utilizava os mesmos modelos que o nosso.

O dia estava nublado, sem chuva. Por isso, Halong não se revelou com todo o esplendor que às vezes observamos nas fotografias. Mesmo assim, o lugar impressiona por suas formações rochosas e grutas.

Em determinada ilha, visitamos um mirante de onde se podia observar a impressionante paisagem. Ali também havia uma pequena praia, além de restaurante, café e lojas de artesanato.

A única nota negativa do passeio foi proporcionada por uma água-viva ou caravela, não sabemos exatamente, que abraçou o corpo do Wagner quando ele entrou no mar e queimou seu corpo em várias partes, principalmente no dorso e no pescoço. Imediatamente, os guias acionaram os primeiros socorros, limpando-o com vinagre branco e limão e, depois, entregando-lhe uma pomada para amenizar as dores das queimaduras.

Felizmente, para todos nós (principalmente para o Wagner), o problema não evoluiu para febre ou outros sintomas, o que nos obrigaria a ir para um hospital ou buscar um atendimento mais especializado (há casos de pessoas que morrem afogadas nessa mesma situação). Aos poucos, Wagner conseguiu superar as dores e retomar a viagem sem maiores danos. Isso, no entanto, me fez temer entrar naquelas belas, mas perigosas águas.

De acordo com os guias locais, não é comum, nessa época do ano, a presença desses animais marinhos naquelas águas. Mas, em razão das mudanças climáticas, coisas assim acabam acontecendo. Por sorte e pelo atendimento imediato, a situação pôde ser contornada.

 

Ninh Binh fica a 95 km de Hanói. O passeio é um bate-e-volta, saindo da capital vietnamita na parte da manhã e retornando no final da tarde.

Conhecemos, inicialmente, o sítio histórico de Hoa Lu, criado pelo imperador Tien Hoang De para ser a capital do país em 958. O antigo palácio e a cidadela estão em ruínas, mas conservam a beleza dos jardins e dos templos. Parte do complexo foi preservada, e outra parte passou por uma criteriosa restauração.

A grande atração, no entanto, é a própria natureza que circunda o complexo e que integra o delta do rio Vermelho, um dos mais importantes do Vietnã. O local foi apelidado de “Baía de Halong terrestre”, pela semelhança entre as formações rochosas desse lugar e as da famosa baía descrita anteriormente.

Ali é realizado um passeio de canoa pelas águas do rio, circundado pelas belas montanhas de pedra, por plantações de arroz, por cavernas e jardins. Até os cemitérios próximos às águas são belíssimos, pois lembram a arquitetura dos pagodes budistas.

As canoas comportam grupos pequenos de pessoas. No nosso caso, somente Wagner, eu e o barqueiro estávamos na embarcação. O diferencial, além da paisagem, era o método de condução dos remos. Ao invés de usarem as mãos, os barqueiros (e as barqueiras) utilizavam os pés, com uma habilidade ímpar.

Vale ressaltar um importante detalhe desse passeio. Na rodovia entre Hanói e Ninh Binh, passamos por uma associação que realiza bordados feitos com fios de seda. As bordadeiras são mulheres que têm alguma deficiência em decorrência da guerra do Vietnã contra os EUA, nos anos 1960 e 1970. Elas nasceram com os problemas ou os adquiriram por meio das minas terrestres ou das bombas de napalm, amplamente utilizadas nos combates contra os vietcongues. Atualmente, essas pessoas criam obras encantadoras graças ao projeto social. Tivemos a oportunidade de comprar uma peça e fazer um registro fotográfico ao lado de sua autora.

 Finalizo aqui esta postagem. Continuarei a viagem ao Vietnã, com novas e belas surpresas.

 

 English version

 Halong Bay is, without a doubt, one of Vietnam’s greatest — if not the greatest — natural attractions. It is located in the north of the country, in the Gulf of Tonkin, almost on the border with China. Ninh Binh, in a relatively nearby region, is known as the “Halong” of the Red River Delta. We visited both places during a trip to that country in April 2026.

Declared a UNESCO World Heritage Site in 1994, Halong is located 164 km from Hanoi. It covers an area of 1,500 km². There are more than 2,000 limestone and dolomite formations emerging from the water like small stone mountains, contrasting with the greenish and bluish shades of the sea. Its name means “dragon descending into the sea,” as if the rocks were the humps of the mythical creature.

The tour includes an overnight stay on a vessel that resembles the old riverboats of the São Francisco River in Brazil or the Mississippi River in the United States. Guests are accommodated in comfortable cabins with small private balconies. The cruise also offers several leisure activities, such as tai chi and Vietnamese cooking classes, in addition to meals including lunch, dinner, and breakfast.

There are other traditional ways of navigating those waters, such as sailboats and dragon boats. However, most vessels followed the same model as ours.

The day was cloudy, though without rain. For that reason, Halong did not reveal itself with all the splendor often seen in photographs. Even so, the place impresses with its rock formations and caves.

On one of the islands, we visited a viewpoint from which the impressive landscape could be admired. There was also a small beach, as well as a restaurant, café, and handicraft shops.

 

The only negative aspect of the trip came from a jellyfish — or perhaps a Portuguese man o’ war, we are not entirely sure — that wrapped around Wagner’s body when he entered the sea and caused burns on several parts of his body, especially on his back and neck. Immediately, the guides provided first aid, cleaning the affected areas with white vinegar and lemon and later giving him an ointment to ease the pain from the burns.

Fortunately for all of us (especially Wagner), the problem did not develop into fever or other symptoms, which would have required a hospital visit or more specialized medical care (there are cases of people who end up drowning in similar situations). Little by little, Wagner overcame the pain and was able to continue the journey without greater consequences. However, the incident made me afraid of entering those beautiful yet dangerous waters.

According to local guides, the presence of these marine animals is not common at that time of year. However, due to climate change, such occurrences can happen. Fortunately, because of the immediate assistance, the situation was controlled.

 

Ninh Binh is located 95 km from Hanoi. The tour is a one-day round trip, departing from the Vietnamese capital in the morning and returning in the late afternoon.

We first visited the historic site of Hoa Lu, established by Emperor Tien Hoang De to serve as the country’s capital in 958. The ancient palace and citadel are in ruins, but they still preserve the beauty of their gardens and temples. Part of the complex has been preserved, while another part underwent careful restoration.

The main attraction, however, is nature itself, surrounding the complex and forming part of the Red River Delta, one of the most important regions in Vietnam. The site has been nicknamed the “Terrestrial Halong Bay” because of the similarity between its rock formations and those of the famous bay mentioned earlier.

There is a canoe tour along the river waters, surrounded by beautiful stone mountains, rice fields, caves, and gardens. Even the cemeteries near the river are beautiful, as they resemble the architecture of Buddhist pagodas.

The canoes accommodate small groups. In our case, only Wagner, the boatman, and I were on board. Besides the scenery, the most remarkable aspect was the rowing technique. Instead of using their hands, the boatmen — and boatwomen — rowed using their feet, with remarkable skill.

 

It is worth highlighting one important detail of this excursion. On the highway between Hanoi and Ninh Binh, we stopped at an association that produces embroidery made with silk threads. The embroiderers are women who have disabilities resulting from the Vietnam War against the United States during the 1960s and 1970s. They were either born with these conditions or acquired them due to landmines or napalm bombs widely used during the conflict against the Viet Cong. Today, these people create enchanting works thanks to the social project. We had the opportunity to buy one of the pieces and take a photograph with its creator.

I conclude this post here. I will continue sharing the journey through Vietnam, with new and beautiful surprises.


 

Versión en español

 La Bahía de Halong es, sin duda, uno de los mayores —si no el mayor— atractivos naturales de Vietnam. Está ubicada en el norte del país, en el Golfo de Tonkín, casi en la frontera con China. Ninh Binh, en una región relativamente cercana, es conocida como la “Halong” del delta del río Rojo. Visitamos ambos lugares durante un viaje a ese país en abril de 2026.

Declarada Patrimonio de la Humanidad por la UNESCO en 1994, Halong se encuentra a 164 km de Hanói. Ocupa un área de 1.500 km². Son más de 2.000 formaciones de piedra caliza y dolomita que emergen del agua como pequeñas montañas de piedra, contrastando con los tonos verdosos y azulados del mar. Su nombre significa “dragón que desciende al mar”, como si las rocas fueran las jorobas del mítico animal.

El paseo incluye pasar la noche en una embarcación que recuerda a los antiguos barcos fluviales del río São Francisco, en Brasil, o del río Mississippi, en Estados Unidos. Los pasajeros son alojados en cómodas cabinas con pequeños balcones privados. El transporte también ofrece diversas actividades recreativas, como clases de tai chi y cocina vietnamita, además de las comidas: almuerzo, cena y desayuno.

Existen otras formas tradicionales de navegar por esas aguas, como los veleros y los barcos dragón. Sin embargo, la mayoría utilizaba modelos similares al nuestro.

 

El día estaba nublado, aunque sin lluvia. Por ello, Halong no se reveló con todo el esplendor que a veces vemos en las fotografías. Aun así, el lugar impresiona por sus formaciones rocosas y cuevas.

En una de las islas visitamos un mirador desde donde se podía contemplar el impresionante paisaje. Allí también había una pequeña playa, además de restaurante, cafetería y tiendas de artesanía.

La única nota negativa del paseo fue provocada por una medusa —o quizás una carabela portuguesa, no lo sabemos exactamente— que rodeó el cuerpo de Wagner cuando entró al mar y le provocó quemaduras en varias partes del cuerpo, principalmente en la espalda y el cuello. Inmediatamente, los guías prestaron primeros auxilios, limpiando la zona con vinagre blanco y limón y entregándole posteriormente una pomada para aliviar el dolor.

Afortunadamente para todos nosotros (principalmente para Wagner), el problema no evolucionó hacia fiebre ni otros síntomas, lo que nos habría obligado a acudir a un hospital o buscar atención médica especializada (existen casos de personas que llegan a ahogarse en situaciones semejantes). Poco a poco, Wagner logró superar el dolor y continuar el viaje sin mayores consecuencias. Sin embargo, el episodio me hizo temer entrar en aquellas hermosas pero peligrosas aguas.

Según los guías locales, la presencia de estos animales marinos no es común en esa época del año. Pero, debido a los cambios climáticos, este tipo de situaciones termina ocurriendo. Afortunadamente, gracias a la atención inmediata, todo pudo resolverse.

 

Ninh Binh se encuentra a 95 km de Hanói. El paseo es de ida y vuelta en el mismo día, saliendo de la capital vietnamita por la mañana y regresando al final de la tarde.

Inicialmente conocimos el sitio histórico de Hoa Lu, creado por el emperador Tien Hoang De para ser la capital del país en el año 958. El antiguo palacio y la ciudadela están en ruinas, pero aún conservan la belleza de sus jardines y templos. Parte del complejo fue preservada y otra parte pasó por una cuidadosa restauración.

La gran atracción, sin embargo, es la propia naturaleza que rodea el complejo y que forma parte del delta del río Rojo, uno de los más importantes de Vietnam. El lugar fue apodado “Bahía de Halong terrestre”, debido a la semejanza entre sus formaciones rocosas y las de la famosa bahía anteriormente mencionada.

Allí se realiza un paseo en canoa por las aguas del río, rodeado de hermosas montañas de piedra, arrozales, cuevas y jardines. Incluso los cementerios cercanos al agua son bellísimos, ya que recuerdan la arquitectura de las pagodas budistas.

Las canoas reciben pequeños grupos de personas. En nuestro caso, solamente Wagner, el barquero y yo estábamos en la embarcación. El diferencial, además del paisaje, era la técnica utilizada para remar. En lugar de usar las manos, los barqueros —y las barqueras— utilizaban los pies con una habilidad extraordinaria.

Vale la pena destacar un importante detalle de este paseo. En la carretera entre Hanói y Ninh Binh pasamos por una asociación que realiza bordados con hilos de seda. Las bordadoras son mujeres con discapacidades derivadas de la Guerra de Vietnam contra Estados Unidos en las décadas de 1960 y 1970. Nacieron con esos problemas o los adquirieron a causa de minas terrestres o bombas de napalm ampliamente utilizadas en los combates contra el Viet Cong. Actualmente, estas personas crean obras encantadoras gracias al proyecto social. Tuvimos la oportunidad de comprar una pieza y tomarnos una fotografía junto a su autora.

Finalizo aquí esta publicación. Continuaré el viaje por Vietnam con nuevas y hermosas sorpresas.


Vista panorâmica da Baía de Halong (foto Thelmo Lins)

Com Wagner, tomando café da manhã no barco

Quarto da embarcação

Com Wagner e Mike, no cais

Fotografando ao lado da bandeira do Vietnã

Baía com tempo nublado




Aula de tai chi


Barco de mercadorias 

Vista geral 



Pescadores locais


Danos da água-vina nas costas do Wagner

Com nossa guia, em Hoa Lu

Entrada principal de Hoa Lu









No barco

Halong do rio Vermelho


Cemitério na beira do rio

Passeio atravessa cavernas



Destreza dos barqueiros de remar com os pés


Visita à associação das bordadeiras

Wagner e eu com a bordado que adquirimos na associação



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