| No barco, passeando pela Baía de Halong, no Vietnã Foto de Wagner Cosse |
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Textos em português, inglês e espanhol
A Baía de Halong é,
sem dúvida, um dos maiores – senão o maior – atrativos naturais do Vietnã. Ela
se situa no norte do país, no Golfo de Tonquim, quase na divisa com a China. Já
Ninh Binh, numa região relativamente próxima, é conhecida como a “Halong” do
delta do rio Vermelho. Visitamos os dois lugares em viagem àquele país, no mês
de abril de 2026.
Declarada Patrimônio
da Humanidade pela Unesco em 1994, Halong fica a 164 km de
distância de Hanói. Ela ocupa uma área de 1.500 km². São mais de 2.000
formações de calcário e dolomita que emergem da água, como pequenas
montanhas de pedra, contrastando com os tons esverdeados e azulados do mar. O
nome significa “dragão que desce do mar”, como se as pedras fossem as
corcovas do mítico animal.
O passeio inclui o
pernoite em uma embarcação, que lembra as antigas gaiolas do rio São
Francisco, no Brasil, ou do rio Mississipi, nos EUA. Somos colocados nesse
navio, em cabines confortáveis, com direito a uma pequena varanda. O transporte
também oferece várias atividades de lazer, como aulas de tai chi chuan e de
culinária vietnamita, além das refeições, como almoço, jantar e café da manhã.
Há outras formas
tradicionais de navegar por aquelas águas, como em veleiros e barcos-dragão.
Mas a maioria utilizava os mesmos modelos que o nosso.
O dia estava nublado,
sem chuva. Por isso, Halong não se revelou com todo o esplendor que às vezes
observamos nas fotografias. Mesmo assim, o lugar impressiona por suas
formações rochosas e grutas.
Em determinada ilha,
visitamos um mirante de onde se podia observar a impressionante
paisagem. Ali também havia uma pequena praia, além de restaurante, café e lojas
de artesanato.
A única nota negativa
do passeio foi proporcionada por uma água-viva ou caravela, não sabemos
exatamente, que abraçou o corpo do Wagner quando ele entrou no mar e queimou
seu corpo em várias partes, principalmente no dorso e no pescoço.
Imediatamente, os guias acionaram os primeiros socorros, limpando-o com vinagre branco e limão e, depois, entregando-lhe uma pomada para amenizar as dores das
queimaduras.
Felizmente, para todos
nós (principalmente para o Wagner), o problema não evoluiu para febre ou outros
sintomas, o que nos obrigaria a ir para um hospital ou buscar um atendimento
mais especializado (há casos de pessoas que morrem afogadas nessa mesma situação).
Aos poucos, Wagner conseguiu superar as dores e retomar a viagem sem
maiores danos. Isso, no entanto, me fez temer entrar naquelas belas, mas
perigosas águas.
De acordo com os guias
locais, não é comum, nessa época do ano, a presença desses animais marinhos
naquelas águas. Mas, em razão das mudanças climáticas, coisas assim acabam
acontecendo. Por sorte e pelo atendimento imediato, a situação pôde ser
contornada.
Ninh Binh fica a 95 km
de Hanói. O passeio é um bate-e-volta, saindo da capital
vietnamita na parte da manhã e retornando no final da tarde.
Conhecemos,
inicialmente, o sítio histórico de Hoa Lu, criado pelo imperador Tien
Hoang De para ser a capital do país em 958. O antigo palácio e a cidadela estão
em ruínas, mas conservam a beleza dos jardins e dos templos. Parte do complexo
foi preservada, e outra parte passou por uma criteriosa restauração.
A grande atração, no
entanto, é a própria natureza que circunda o complexo e que integra o delta do
rio Vermelho, um dos mais importantes do Vietnã. O local foi apelidado de “Baía
de Halong terrestre”, pela semelhança entre as formações rochosas desse
lugar e as da famosa baía descrita anteriormente.
Ali é realizado um
passeio de canoa pelas águas do rio, circundado pelas belas montanhas de
pedra, por plantações de arroz, por cavernas e jardins. Até os cemitérios
próximos às águas são belíssimos, pois lembram a arquitetura dos pagodes
budistas.
As canoas comportam
grupos pequenos de pessoas. No nosso caso, somente Wagner, eu e o barqueiro
estávamos na embarcação. O diferencial, além da paisagem, era o método de
condução dos remos. Ao invés de usarem as mãos, os barqueiros (e as
barqueiras) utilizavam os pés, com uma habilidade ímpar.
Vale ressaltar um
importante detalhe desse passeio. Na rodovia entre Hanói e Ninh Binh, passamos
por uma associação que realiza bordados feitos com fios de seda. As
bordadeiras são mulheres que têm alguma deficiência em decorrência da guerra do
Vietnã contra os EUA, nos anos 1960 e 1970. Elas nasceram com os problemas ou
os adquiriram por meio das minas terrestres ou das bombas de napalm, amplamente
utilizadas nos combates contra os vietcongues. Atualmente, essas pessoas
criam obras encantadoras graças ao projeto social. Tivemos a oportunidade
de comprar uma peça e fazer um registro fotográfico ao lado de sua autora.
English version
Declared a UNESCO
World Heritage Site in 1994, Halong is located 164 km from
Hanoi. It covers an area of 1,500 km². There are more than 2,000 limestone
and dolomite formations emerging from the water like small stone mountains,
contrasting with the greenish and bluish shades of the sea. Its name means
“dragon descending into the sea,” as if the rocks were the humps of the
mythical creature.
The tour includes an
overnight stay on a vessel that resembles the old riverboats of the São
Francisco River in Brazil or the Mississippi River in the United States. Guests
are accommodated in comfortable cabins with small private balconies. The cruise
also offers several leisure activities, such as tai chi and Vietnamese cooking
classes, in addition to meals including lunch, dinner, and breakfast.
There are other
traditional ways of navigating those waters, such as sailboats and dragon
boats. However, most vessels followed the same model as ours.
The day was cloudy,
though without rain. For that reason, Halong did not reveal itself with all the
splendor often seen in photographs. Even so, the place impresses with its
rock formations and caves.
On one of the islands,
we visited a viewpoint from which the impressive landscape could be
admired. There was also a small beach, as well as a restaurant, café, and
handicraft shops.
The only negative
aspect of the trip came from a jellyfish — or perhaps a Portuguese man
o’ war, we are not entirely sure — that wrapped around Wagner’s body when he
entered the sea and caused burns on several parts of his body,
especially on his back and neck. Immediately, the guides provided first aid,
cleaning the affected areas with white vinegar and lemon and later giving him an
ointment to ease the pain from the burns.
Fortunately for all of
us (especially Wagner), the problem did not develop into fever or other
symptoms, which would have required a hospital visit or more specialized
medical care (there are cases of people who end up drowning in similar
situations). Little by little, Wagner overcame the pain and was able to
continue the journey without greater consequences. However, the incident made
me afraid of entering those beautiful yet dangerous waters.
According to local
guides, the presence of these marine animals is not common at that time of
year. However, due to climate change, such occurrences can happen. Fortunately,
because of the immediate assistance, the situation was controlled.
Ninh Binh is located
95 km from Hanoi. The tour is a one-day round trip,
departing from the Vietnamese capital in the morning and returning in the late
afternoon.
We first visited the
historic site of Hoa Lu, established by Emperor Tien Hoang De to serve
as the country’s capital in 958. The ancient palace and citadel are in ruins,
but they still preserve the beauty of their gardens and temples. Part of the
complex has been preserved, while another part underwent careful restoration.
The main attraction,
however, is nature itself, surrounding the complex and forming part of the Red
River Delta, one of the most important regions in Vietnam. The site has been
nicknamed the “Terrestrial Halong Bay” because of the similarity between
its rock formations and those of the famous bay mentioned earlier.
There is a canoe tour
along the river waters, surrounded by beautiful stone mountains, rice fields,
caves, and gardens. Even the cemeteries near the river are beautiful, as they
resemble the architecture of Buddhist pagodas.
The canoes accommodate
small groups. In our case, only Wagner, the boatman, and I were on board.
Besides the scenery, the most remarkable aspect was the rowing technique. Instead
of using their hands, the boatmen — and boatwomen — rowed using their feet,
with remarkable skill.
It is worth
highlighting one important detail of this excursion. On the highway between
Hanoi and Ninh Binh, we stopped at an association that produces embroidery
made with silk threads. The embroiderers are women who have disabilities
resulting from the Vietnam War against the United States during the 1960s and
1970s. They were either born with these conditions or acquired them due to
landmines or napalm bombs widely used during the conflict against the Viet
Cong. Today, these people create enchanting works thanks to the social
project. We had the opportunity to buy one of the pieces and take a
photograph with its creator.
I conclude this post
here. I will continue sharing the journey through Vietnam, with new and
beautiful surprises.
Versión en español
Declarada Patrimonio
de la Humanidad por la UNESCO en 1994, Halong se
encuentra a 164 km de Hanói. Ocupa un área de 1.500 km². Son más de 2.000
formaciones de piedra caliza y dolomita que emergen del agua como pequeñas
montañas de piedra, contrastando con los tonos verdosos y azulados del mar.
Su nombre significa “dragón que desciende al mar”, como si las rocas
fueran las jorobas del mítico animal.
El paseo incluye pasar
la noche en una embarcación que recuerda a los antiguos
barcos fluviales del río São Francisco, en Brasil, o del río Mississippi, en
Estados Unidos. Los pasajeros son alojados en cómodas cabinas con pequeños
balcones privados. El transporte también ofrece diversas actividades recreativas,
como clases de tai chi y cocina vietnamita, además de las comidas: almuerzo,
cena y desayuno.
Existen otras formas
tradicionales de navegar por esas aguas, como los veleros y los barcos dragón.
Sin embargo, la mayoría utilizaba modelos similares al nuestro.
El día estaba nublado,
aunque sin lluvia. Por ello, Halong no se reveló con todo el esplendor que a
veces vemos en las fotografías. Aun así, el lugar impresiona por sus
formaciones rocosas y cuevas.
En una de las islas
visitamos un mirador desde donde se podía contemplar el impresionante
paisaje. Allí también había una pequeña playa, además de restaurante,
cafetería y tiendas de artesanía.
La única nota negativa
del paseo fue provocada por una medusa —o quizás una carabela portuguesa, no
lo sabemos exactamente— que rodeó el cuerpo de Wagner cuando entró al mar y
le provocó quemaduras en varias partes del cuerpo, principalmente en la
espalda y el cuello. Inmediatamente, los guías prestaron primeros auxilios,
limpiando la zona con vinagre blanco y limón y entregándole posteriormente una pomada
para aliviar el dolor.
Afortunadamente para
todos nosotros (principalmente para Wagner), el problema no evolucionó hacia
fiebre ni otros síntomas, lo que nos habría obligado a acudir a un hospital
o buscar atención médica especializada (existen casos de personas que llegan a
ahogarse en situaciones semejantes). Poco a poco, Wagner logró superar el dolor
y continuar el viaje sin mayores consecuencias. Sin embargo, el episodio me
hizo temer entrar en aquellas hermosas pero peligrosas aguas.
Según los guías
locales, la presencia de estos animales marinos no es común en esa época del
año. Pero, debido a los cambios climáticos, este tipo de situaciones termina
ocurriendo. Afortunadamente, gracias a la atención inmediata, todo pudo
resolverse.
Ninh Binh se encuentra
a 95 km de Hanói. El paseo es de ida y vuelta en el
mismo día, saliendo de la capital vietnamita por la mañana y regresando al
final de la tarde.
Inicialmente conocimos
el sitio histórico de Hoa Lu, creado por el emperador Tien Hoang De para
ser la capital del país en el año 958. El antiguo palacio y la ciudadela están
en ruinas, pero aún conservan la belleza de sus jardines y templos. Parte del
complejo fue preservada y otra parte pasó por una cuidadosa restauración.
La gran atracción, sin
embargo, es la propia naturaleza que rodea el complejo y que forma parte del
delta del río Rojo, uno de los más importantes de Vietnam. El lugar fue apodado
“Bahía de Halong terrestre”, debido a la semejanza entre sus formaciones
rocosas y las de la famosa bahía anteriormente mencionada.
Allí se realiza un
paseo en canoa por las aguas del río, rodeado de hermosas montañas de
piedra, arrozales, cuevas y jardines. Incluso los cementerios cercanos al agua
son bellísimos, ya que recuerdan la arquitectura de las pagodas budistas.
Las canoas reciben
pequeños grupos de personas. En nuestro caso, solamente Wagner, el barquero y
yo estábamos en la embarcación. El diferencial, además del paisaje, era la
técnica utilizada para remar. En lugar de usar las manos, los barqueros —y
las barqueras— utilizaban los pies con una habilidad extraordinaria.
Vale la pena destacar
un importante detalle de este paseo. En la carretera entre Hanói y Ninh Binh
pasamos por una asociación que realiza bordados con hilos de seda. Las
bordadoras son mujeres con discapacidades derivadas de la Guerra de Vietnam
contra Estados Unidos en las décadas de 1960 y 1970. Nacieron con esos
problemas o los adquirieron a causa de minas terrestres o bombas de napalm
ampliamente utilizadas en los combates contra el Viet Cong. Actualmente, estas
personas crean obras encantadoras gracias al proyecto social. Tuvimos la
oportunidad de comprar una pieza y tomarnos una fotografía junto a su autora.
Finalizo aquí esta
publicación. Continuaré el viaje por Vietnam con nuevas y hermosas sorpresas.
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| Vista panorâmica da Baía de Halong (foto Thelmo Lins) |
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| Com Wagner, tomando café da manhã no barco |
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| Quarto da embarcação |
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| Com Wagner e Mike, no cais |
| Fotografando ao lado da bandeira do Vietnã |
| Baía com tempo nublado |
| Aula de tai chi |
| Barco de mercadorias |
| Vista geral |
| Pescadores locais |
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| Danos da água-vina nas costas do Wagner |
| Com nossa guia, em Hoa Lu |
| Entrada principal de Hoa Lu |
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| No barco |
| Halong do rio Vermelho |
| Cemitério na beira do rio |
| Passeio atravessa cavernas |
| Destreza dos barqueiros de remar com os pés |
| Visita à associação das bordadeiras |
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| Wagner e eu com a bordado que adquirimos na associação |







