domingo, 24 de maio de 2026

Sudeste Asiático Parte V: Ho Chi Minh e Cu Chi

 

Ho Chi Minh City é a antiga Saigon, a maior cidade do Vietnã

Textos em português, inglês e espanhol
No final dos textos, confira as fotos da viagem
Clique nas fotos para ampliá-las


O Vietnã é um país surpreendente. Estou fazendo uma visita de 11 dias ao país, realizada em abril de 2026, acompanhado por meu companheiro de viagem Wagner Cosse. Estivemos no norte do país (Hanói, Ninh Binh, Halong), na área central (Hoi An, Da Nang, Hue) e, agora, vamos conhecer o sul (Ho Chi Minh e Cu Chi). Todas essas passagens podem ser conferidas nas postagens anteriores.

Ho Chi Minh City é a antiga cidade de Saigon. Ou melhor, de acordo com alguns moradores com quem conversei, Saigon ainda existe, mas é um distrito de Ho Chi Minh, a grande metrópole de 14 milhões de habitantes e a maior cidade do país.

Em meados do século passado, o Vietnã chegou a ser dividido em dois países, tal qual é hoje a Coreia. A parte do sul, mais urbanizada e ocidentalizada, tinha como capital a cidade de Saigon. Tudo mudou com a queda da Indochina, a posterior invasão do Japão (durante a Segunda Guerra Mundial), a luta pela independência e, finalmente, o conflito que nós chamamos de Guerra do Vietnã, mas que, para eles, é a Guerra dos Estados Unidos (anos 1950 a 1970).

Antes de os estadunidenses entrarem no combate, a guerra era do Sul capitalista contra o Norte comunista. Por trás de toda a luta pela independência e pela unificação do Vietnã estava um grande personagem: Ho Chi Minh (1890-1969), presidente do país e herói nacional. Vale a pena fazer uma busca na internet para se aprofundar na história desse homem fantástico, um líder sábio e um estadista extremamente articulado, que conquistou os corações dos vietnamitas.

                Ho Chi Minh chegou a liderar parte da guerra contra os vietnamitas do sul e os soldados estadunidenses, numa batalha épica que os vietnamitas do norte e os vietcongues venceram. Seria uma batalha inglória se não fossem os processos arcaicos, mas bastante eficazes, do povo vietnamita.

               

Cu Chi - Visitamos os túneis de Cu Chi, que ficam a cerca de 200 km de Ho Chi Minh City, transformados em um museu a céu aberto. O complexo exibe parte das operações de guerrilha que os vietcongues desenvolveram para superar os armamentos sofisticados dos estadunidenses. Sem dúvida alguma, era um bando de Davis lutando contra milhares de Golias. Em determinado momento da guerra, os estadunidenses chegaram a enviar 500 mil jovens para a luta.

                Os métodos eram extremamente simples, mas muito eficientes. Os visitantes são convidados a conhecer o sistema de fuga com o qual eles driblavam os ianques. Vimos algumas das armadilhas que foram criadas debaixo da terra e até mesmo como eles faziam suas refeições, viviam, criavam seus filhos e animais nessas condições inóspitas, dentro de densas florestas e sob um calor infernal.

                Não pretendo contar aqui a história da guerra, pois há muitos vídeos a respeito do assunto que podem ser vistos, analisados e confrontados. Mas a realidade é que o Vietnã do Norte impôs sua vitória em 30 de abril de 1975. O Vietnã do Sul e os EUA tiveram que aceitar a derrota. A partir de então, foi iniciado o processo de reunificação do país. Hanói, a capital do Vietnã do Norte, se tornou a capital da nação reunificada, e Saigon, capital do Vietnã do Sul, foi rebatizada como Ho Chi Minh.

                A antiga Saigon é uma metrópole sofisticada, vibrante, com muitos arranha-céus, inclusive o mais alto do país, o Landmark 81, uma torre de mais de 460 metros de altura. O município fica no Delta do Rio Mekong, um dos mais importantes do Sudeste Asiático.

                Há forte influência da arquitetura francesa na área central, principalmente no entorno da Estação Central dos Correios. Ali estão situados a catedral metropolitana, o teatro municipal e a prefeitura (ou Câmara Municipal), ladeados por caprichados jardins. E, é claro, uma imponente estátua do líder Ho Chi Minh recentemente instalada nas comemorações dos 50 anos da independência.

                Outro ponto visitado foi o vetusto Palácio da Reunificação, que já foi usado como sede do governo do Vietnã do Sul.

                À noite, a cidade se mostra iluminada, com muito movimento nas lojas, praças, cafés e restaurantes. Ficamos na área central e atestamos que, mesmo em uma metrópole internacional como Ho Chi Minh, é possível andar tranquilamente pelas ruas – como em todo o Vietnã, aliás. Um fenômeno que vimos em poucas metrópoles internacionais. Isso vale até mesmo para mulheres que estejam viajando sozinhas, seja durante o dia ou à noite.

                Pelo que conseguimos apurar, esse fenômeno acontece graças à rigidez que o governo socialista do Vietnã emprega à questão da segurança. Andamos em becos escuros, em cidades pequenas e em cidades movimentadas, como Hanói e Ho Chi Minh, e não tivemos nenhum problema. E nem vimos moradores de rua. Se eles existem por lá, não conseguimos visualizá-los. E olha que andamos muito pelas ruas, independentemente da companhia dos guias ou de moradores da região.

                Para comemorar nosso último dia no país, fomos conhecer o restaurante Ngon, recomendado por um de nossos guias. Ele é reconhecido como um dos melhores de Ho Chi Minh para quem quer apreciar a gastronomia tipicamente vietnamita. Embora seja bastante disputado e com uma culinária local mais sofisticada, os preços eram bastante acessíveis. Só a decoração do local já valia a visita. É um restaurante delicioso e muito bonito.

                Encerramos aqui a série de postagens sobre o Vietnã, país que levarei para sempre como uma das melhores viagens que já realizei. Mas a turnê continua. Nas próximas postagens, contarei o que vi e apreciei no Camboja e na Tailândia. Até mais!


Version in English

 

Vietnam is a surprising country. I am currently on an 11-day visit to the country, taking place in April 2026, accompanied by my travel companion Wagner Cosse. We have been to the north of the country (Hanoi, Ninh Binh, Halong), the central region (Hoi An, Da Nang, Hue), and now we are going to explore the south (Ho Chi Minh and Cu Chi). All of these journeys can be checked out in our previous posts.

                Ho Chi Minh City is the ancient city of Saigon. Or rather, according to some locals I spoke with, Saigon still exists, but it is a district within Ho Chi Minh, the great metropolis of 14 million inhabitants and the largest city in the country.

                In the middle of the last century, Vietnam was divided into two countries, just as Korea is today. The southern part, more urbanized and westernized, had Saigon as its capital. Everything changed with the fall of Indochina, the subsequent invasion by Japan (during World War II), the struggle for independence, and finally, the conflict we call the Vietnam War, but which, to them, is the American War (from the 1950s to the 1970s).

                Before the Americans entered the combat, the war was between the capitalist South and the communist North. Behind the entire struggle for independence and the unification of Vietnam was a major historical figure: Ho Chi Minh (1890-1969), the country's president and national hero. It is well worth searching the internet to delve deeper into the history of this fantastic man, a wise leader, and an extremely articulate statesman who won the hearts of the Vietnamese people.

                Ho Chi Minh even led part of the war against the South Vietnamese and the American soldiers in an epic battle that the North Vietnamese and the Viet Cong won. It would have been an inglorious battle if not for the archaic yet highly effective methods of the Vietnamese people.

 

                Cu Chi - We visited the Cu Chi tunnels, located about 200 km from Ho Chi Minh City, which have been transformed into an open-air museum. The complex showcases part of the guerrilla operations that the Viet Cong developed to overcome the sophisticated armaments of the Americans. Without a doubt, it was a band of Davids fighting against thousands of Goliaths. At a certain point in the war, the Americans even sent 500,000 young men into the fight.

The methods were extremely simple but highly efficient. Visitors are invited to experience the escape system with which they dodged the Yankees. We saw some of the traps created underground and even how they prepared their meals, lived, raised their children, and kept animals under those inhospitable conditions, deep within dense forests and under an infernal heat.

                I do not intend to recount the history of the war here, as there are many videos on the subject that can be watched, analyzed, and contrasted. But the reality is that North Vietnam imposed its victory on April 30, 1975. South Vietnam and the US had to accept defeat. From then on, the country's reunification process began. Hanoi, the capital of North Vietnam, became the capital of the reunified nation, and Saigon, capital of South Vietnam, was renamed Ho Chi Minh City.

                The old Saigon is a sophisticated, vibrant metropolis with many skyscrapers, including the tallest in the country, Landmark 81, a tower over 460 meters high. The city is located in the Mekong River Delta, one of the most important in Southeast Asia.

                There is a strong influence of French architecture in the central area, especially around the Central Post Office. Situated there are the metropolitan cathedral, the municipal theater, and the city hall, flanked by beautifully manicured gardens. And, of course, an imposing statue of the leader Ho Chi Minh, recently installed during the celebrations of the 50th anniversary of independence.

                Another point we visited was the venerable Reunification Palace, which was once used as the seat of government for South Vietnam.

                At night, the city lights up, with bustling activity in shops, squares, cafes, and restaurants. We stayed in the central area and witnessed that, even in an international metropolis like Ho Chi Minh, it is possible to walk peacefully through the streets—just like in all of Vietnam, for that matter. A phenomenon we have seen in few international metropolises, applying even to women traveling alone, whether during the day or at night.

                From what we were able to find out, this phenomenon happens thanks to the strictness that the socialist government of Vietnam applies to the issue of security. We walked down dark alleys, in small towns, and in bustling cities like Hanoi and Ho Chi Minh, and we encountered no problems at all. Nor did we see any homeless people. If they exist there, we were unable to spot them. And we walked extensively through the streets, regardless of being accompanied by guides or locals.

                To celebrate our last day in the country, we went to try the Ngon restaurant, recommended by one of our guides. It is recognized as one of the best in Ho Chi Minh for anyone wishing to appreciate typically Vietnamese cuisine. Although it is highly popular and offers a more sophisticated local culinary experience, the prices were very affordable. The decor of the place alone was worth the visit. It is a delicious and incredibly beautiful restaurant.

 We conclude here our series of posts about Vietnam, a country I will cherish forever as one of the best trips I have ever taken. But the tour continues. In the next posts, I will share what I saw and enjoyed in Cambodia and Thailand. See you soon!

 

Versión en Español

 

Vietnam es un país sorprendente. Estoy realizando una visita de 11 dias al país, llevada a cabo en abril de 2026, acompañado por mi compañero de viaje Wagner Cosse. Estuvimos en el norte del país (Hanoi, Ninh Binh, Halong), en la zona central (Hoi An, Da Nang, Hue) y, ahora, vamos a conocer el sur (Ho Chi Minh y Cu Chi). Todas estas etapas se pueden consultar en las publicaciones anteriores.

                Ho Chi Minh City es la antigua ciudad de Saigón. O mejor dicho, según algunos residentes con los que conversé, Saigón todavía existe, pero es un distrito de Ho Chi Minh, la gran metrópoli de 14 millones de habitantes y la ciudad más grande del país.

                A mediados del siglo pasado, Vietnam llegó a estar dividido en dos países, tal como está hoy Corea. La parte del sur, más urbanizada y occidentalizada, tenía como capital la ciudad de Saigón. Todo cambió con la caída de Indochina, la posterior invasión de Japón (durante la Segunda Guerra Mundial), la lucha por la independencia y, finalmente, el conflicto que nosotros llamamos la Guerra de Vietnam, mas que, para ellos, es la Guerra de los Estados Unidos (años 1950 a 1970).

                Antes de que los estadounidenses entraran en el combate, la guerra era del Sur capitalista contra el Norte comunista. Detrás de toda la lucha por la independencia y por la unificación de Vietnam estaba un gran personaje: Ho Chi Minh (1890-1969), presidente del país y héroe nacional. Vale la pena hacer una búsqueda en internet para profundizar en la historia de este hombre fantástico, un líder sabio y un estadista extremadamente articulado, que conquistó los corazones de los vietnamitas.

                Ho Chi Minh llegó a liderar parte de la guerra contra los vietnamitas del sur y los soldados estadounidenses, en una batalla épica que los vietnamitas del norte y los vietcongs vencieron. Habría sido una batalla inglória si no fuera por los métodos arcaicos, pero bastante eficaces, del pueblo vietnamita.

 

Cu Chi - Visitamos los túneles de Cu Chi, que se encuentran a unos 200 km de Ho Chi Minh City, transformados en un museo a cielo aberto. El complejo exhibe parte de las operaciones de guerrilla que los vietcongs desarrollaron para superar los armamentos sofisticados de los estadounidenses. Sin duda alguna, era un grupo de Davides luchando contra miles de Goliats. En determinado momento de la guerra, los estadounidenses llegaron a enviar 500 mil jóvenes al combate.

                Los métodos eran extremadamente simples, pero muy eficientes. Los visitantes son invitados a conocer el sistema de escape con el cual burlaban a los yanquis. Vimos algunas de las trampas que se crearon bajo tierra e incluso cómo preparaban sus comidas, vivían, criaban a sus hijos y animales en esas condiciones inhóspitas, dentro de densas selvas y bajo un calor infernal.

                No pretendo contar aquí la historia de la guerra, ya que hay muchos videos al respecto que se pueden ver, analizar y confrontar. Pero la realidad es que Vietnam del Norte impuso su victoria el 30 de abril de 1975. Vietnam del Sur y los EE. UU. tuvieron que aceptar la derrota. A partir de entonces, se inició el proceso de reunificación del país. Hanói, la capital de Vietnam del Norte, se convirtió en la capital de la nación reunificada, y Saigón, capital de Vietnam del Sur, fue rebautizada como Ho Chi Minh.

                La antigua Saigón es una metrópoli sofisticada y vibrante, con muchos rascacielos, incluido el más alto del país, el Landmark 81, una torre de más de 460 metros de altura. El municipio se localiza en el Delta del Río Mekong, uno de los más importantes del Sudeste Asiático.

                Existe una fuerte influencia de la arquitectura francesa en la zona céntrica, principalmente en los alrededores de la Estación Central de Correos. Allí se sitúan la catedral metropolitana, el teatro municipal y la alcaldía (o Ayuntamiento), flanqueados por cuidados jardines. Y, por supuesto, una imponente estatua del líder Ho Chi Minh, recientemente instalada en las conmemoraciones de los 50 años de la independencia.

                Otro punto visitado fue el vetusto Palacio de la Reunificación, que ya fue utilizado como sede del gobierno de Vietnam del Sur.

                Por la noche, la ciudad se muestra iluminada, con mucho movimiento en las tiendas, plazas, cafés y restaurantes. Nos alojamos en la zona central y confirmamos que, incluso en una metrópoli internacional como Ho Chi Minh, es posible caminar tranquilamente por las calles – como en todo Vietnam, por lo demás. Un fenómeno que hemos visto en pocas metrópolis internacionales. Esto aplica incluso para mujeres que viajen solas, ya sea durante el día o por la noche.

                Por lo que logramos averiguar, este fenómeno ocurre gracias a la rigidez que el gobierno socialista de Vietnam aplica al tema de la seguridad. Caminamos por callejones oscuros, en ciudades pequeñas y en ciudades concurridas como Hanói y Ho Chi Minh, y no tuvimos ningún problema. Tampoco vimos personas en situación de calle. Si existen por allí, no logramos visualizarlas. Y eso que caminamos muchísimo por las calles, independientemente de la compañía de los guías o de los habitantes de la región.

                Para celebrar nuestro último día en el país, fuimos a conocer el restaurante Ngon, recomendado por uno de nuestros guías. Es reconocido como uno de los mejores de Ho Chi Minh para quienes desean apreciar la gastronomía típicamente vietnamita. Aunque es muy concurrido y ofrece una cocina local más sofisticada, los precios resultaron bastante accesibles. Solo la decoración del lugar ya valía la visita. Es un restaurante delicioso y muy hermoso.

                Concluimos aquí la serie de publicaciones sobre Vietnam, un país que llevaré para siempre como uno de los mejores viajes que he realizado. Pero la gira continúa. En las próximas publicaciones, contaré lo que vi y disfruté en Camboya y Tailandia. ¡Hasta pronto!

Fotos

HO CHI MINH




Palácio da Reunificação

Estação dos Correios

Interior dos Correios

Arranha-céu em Ho Chi Minh

Vista de Ho Chi Minh (foto impressa em mural da cidade)

Rua das livrarias

Ao fundo, detalhe da catedral metropolitana

Teatro Municipal

Hotel Continental


Entrada do Teatro Municipal

Estátua de Ho Chi Minh

Prefeitura (Câmara) Municipal

Ho Chi Minh está estampado no dinheiro vietnamita

Ngon Restaurante




Na entrada do restaurante

Com Wagner, experimentando a culinária local



CU CHI

Técnica de camuflagem dos vietnamitas


Entrada de um dos túneis

Wagner experimenta caminhar nos túneis

Floresta que cerca o local

Armadilhas usadas pelos vietnamitas

Modelo da cozinha usada nos campos de guerra

Chinelas de couro usadas pelos vietcongues

Entrada e saída dos túneis

Wagner sai de um dos túneis

Algumas das bombas recolhidas na região




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