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domingo, 24 de maio de 2026

Sudeste Asiático Parte V: Ho Chi Minh e Cu Chi

 

Ho Chi Minh City é a antiga Saigon, a maior cidade do Vietnã

Textos em português, inglês e espanhol
No final dos textos, confira as fotos da viagem
Clique nas fotos para ampliá-las


O Vietnã é um país surpreendente. Estou fazendo uma visita de 11 dias ao país, realizada em abril de 2026, acompanhado por meu companheiro de viagem Wagner Cosse. Estivemos no norte do país (Hanói, Ninh Binh, Halong), na área central (Hoi An, Da Nang, Hue) e, agora, vamos conhecer o sul (Ho Chi Minh e Cu Chi). Todas essas passagens podem ser conferidas nas postagens anteriores.

Ho Chi Minh City é a antiga cidade de Saigon. Ou melhor, de acordo com alguns moradores com quem conversei, Saigon ainda existe, mas é um distrito de Ho Chi Minh, a grande metrópole de 14 milhões de habitantes e a maior cidade do país.

Em meados do século passado, o Vietnã chegou a ser dividido em dois países, tal qual é hoje a Coreia. A parte do sul, mais urbanizada e ocidentalizada, tinha como capital a cidade de Saigon. Tudo mudou com a queda da Indochina, a posterior invasão do Japão (durante a Segunda Guerra Mundial), a luta pela independência e, finalmente, o conflito que nós chamamos de Guerra do Vietnã, mas que, para eles, é a Guerra dos Estados Unidos (anos 1950 a 1970).

Antes de os estadunidenses entrarem no combate, a guerra era do Sul capitalista contra o Norte comunista. Por trás de toda a luta pela independência e pela unificação do Vietnã estava um grande personagem: Ho Chi Minh (1890-1969), presidente do país e herói nacional. Vale a pena fazer uma busca na internet para se aprofundar na história desse homem fantástico, um líder sábio e um estadista extremamente articulado, que conquistou os corações dos vietnamitas.

                Ho Chi Minh chegou a liderar parte da guerra contra os vietnamitas do sul e os soldados estadunidenses, numa batalha épica que os vietnamitas do norte e os vietcongues venceram. Seria uma batalha inglória se não fossem os processos arcaicos, mas bastante eficazes, do povo vietnamita.

               

Cu Chi - Visitamos os túneis de Cu Chi, que ficam a cerca de 200 km de Ho Chi Minh City, transformados em um museu a céu aberto. O complexo exibe parte das operações de guerrilha que os vietcongues desenvolveram para superar os armamentos sofisticados dos estadunidenses. Sem dúvida alguma, era um bando de Davis lutando contra milhares de Golias. Em determinado momento da guerra, os estadunidenses chegaram a enviar 500 mil jovens para a luta.

                Os métodos eram extremamente simples, mas muito eficientes. Os visitantes são convidados a conhecer o sistema de fuga com o qual eles driblavam os ianques. Vimos algumas das armadilhas que foram criadas debaixo da terra e até mesmo como eles faziam suas refeições, viviam, criavam seus filhos e animais nessas condições inóspitas, dentro de densas florestas e sob um calor infernal.

                Não pretendo contar aqui a história da guerra, pois há muitos vídeos a respeito do assunto que podem ser vistos, analisados e confrontados. Mas a realidade é que o Vietnã do Norte impôs sua vitória em 30 de abril de 1975. O Vietnã do Sul e os EUA tiveram que aceitar a derrota. A partir de então, foi iniciado o processo de reunificação do país. Hanói, a capital do Vietnã do Norte, se tornou a capital da nação reunificada, e Saigon, capital do Vietnã do Sul, foi rebatizada como Ho Chi Minh.

                A antiga Saigon é uma metrópole sofisticada, vibrante, com muitos arranha-céus, inclusive o mais alto do país, o Landmark 81, uma torre de mais de 460 metros de altura. O município fica no Delta do Rio Mekong, um dos mais importantes do Sudeste Asiático.

                Há forte influência da arquitetura francesa na área central, principalmente no entorno da Estação Central dos Correios. Ali estão situados a catedral metropolitana, o teatro municipal e a prefeitura (ou Câmara Municipal), ladeados por caprichados jardins. E, é claro, uma imponente estátua do líder Ho Chi Minh recentemente instalada nas comemorações dos 50 anos da independência.

                Outro ponto visitado foi o vetusto Palácio da Reunificação, que já foi usado como sede do governo do Vietnã do Sul.

                À noite, a cidade se mostra iluminada, com muito movimento nas lojas, praças, cafés e restaurantes. Ficamos na área central e atestamos que, mesmo em uma metrópole internacional como Ho Chi Minh, é possível andar tranquilamente pelas ruas – como em todo o Vietnã, aliás. Um fenômeno que vimos em poucas metrópoles internacionais. Isso vale até mesmo para mulheres que estejam viajando sozinhas, seja durante o dia ou à noite.

                Pelo que conseguimos apurar, esse fenômeno acontece graças à rigidez que o governo socialista do Vietnã emprega à questão da segurança. Andamos em becos escuros, em cidades pequenas e em cidades movimentadas, como Hanói e Ho Chi Minh, e não tivemos nenhum problema. E nem vimos moradores de rua. Se eles existem por lá, não conseguimos visualizá-los. E olha que andamos muito pelas ruas, independentemente da companhia dos guias ou de moradores da região.

                Para comemorar nosso último dia no país, fomos conhecer o restaurante Ngon, recomendado por um de nossos guias. Ele é reconhecido como um dos melhores de Ho Chi Minh para quem quer apreciar a gastronomia tipicamente vietnamita. Embora seja bastante disputado e com uma culinária local mais sofisticada, os preços eram bastante acessíveis. Só a decoração do local já valia a visita. É um restaurante delicioso e muito bonito.

                Encerramos aqui a série de postagens sobre o Vietnã, país que levarei para sempre como uma das melhores viagens que já realizei. Mas a turnê continua. Nas próximas postagens, contarei o que vi e apreciei no Camboja e na Tailândia. Até mais!


Version in English

 

Vietnam is a surprising country. I am currently on an 11-day visit to the country, taking place in April 2026, accompanied by my travel companion Wagner Cosse. We have been to the north of the country (Hanoi, Ninh Binh, Halong), the central region (Hoi An, Da Nang, Hue), and now we are going to explore the south (Ho Chi Minh and Cu Chi). All of these journeys can be checked out in our previous posts.

                Ho Chi Minh City is the ancient city of Saigon. Or rather, according to some locals I spoke with, Saigon still exists, but it is a district within Ho Chi Minh, the great metropolis of 14 million inhabitants and the largest city in the country.

                In the middle of the last century, Vietnam was divided into two countries, just as Korea is today. The southern part, more urbanized and westernized, had Saigon as its capital. Everything changed with the fall of Indochina, the subsequent invasion by Japan (during World War II), the struggle for independence, and finally, the conflict we call the Vietnam War, but which, to them, is the American War (from the 1950s to the 1970s).

                Before the Americans entered the combat, the war was between the capitalist South and the communist North. Behind the entire struggle for independence and the unification of Vietnam was a major historical figure: Ho Chi Minh (1890-1969), the country's president and national hero. It is well worth searching the internet to delve deeper into the history of this fantastic man, a wise leader, and an extremely articulate statesman who won the hearts of the Vietnamese people.

                Ho Chi Minh even led part of the war against the South Vietnamese and the American soldiers in an epic battle that the North Vietnamese and the Viet Cong won. It would have been an inglorious battle if not for the archaic yet highly effective methods of the Vietnamese people.

 

                Cu Chi - We visited the Cu Chi tunnels, located about 200 km from Ho Chi Minh City, which have been transformed into an open-air museum. The complex showcases part of the guerrilla operations that the Viet Cong developed to overcome the sophisticated armaments of the Americans. Without a doubt, it was a band of Davids fighting against thousands of Goliaths. At a certain point in the war, the Americans even sent 500,000 young men into the fight.

The methods were extremely simple but highly efficient. Visitors are invited to experience the escape system with which they dodged the Yankees. We saw some of the traps created underground and even how they prepared their meals, lived, raised their children, and kept animals under those inhospitable conditions, deep within dense forests and under an infernal heat.

                I do not intend to recount the history of the war here, as there are many videos on the subject that can be watched, analyzed, and contrasted. But the reality is that North Vietnam imposed its victory on April 30, 1975. South Vietnam and the US had to accept defeat. From then on, the country's reunification process began. Hanoi, the capital of North Vietnam, became the capital of the reunified nation, and Saigon, capital of South Vietnam, was renamed Ho Chi Minh City.

                The old Saigon is a sophisticated, vibrant metropolis with many skyscrapers, including the tallest in the country, Landmark 81, a tower over 460 meters high. The city is located in the Mekong River Delta, one of the most important in Southeast Asia.

                There is a strong influence of French architecture in the central area, especially around the Central Post Office. Situated there are the metropolitan cathedral, the municipal theater, and the city hall, flanked by beautifully manicured gardens. And, of course, an imposing statue of the leader Ho Chi Minh, recently installed during the celebrations of the 50th anniversary of independence.

                Another point we visited was the venerable Reunification Palace, which was once used as the seat of government for South Vietnam.

                At night, the city lights up, with bustling activity in shops, squares, cafes, and restaurants. We stayed in the central area and witnessed that, even in an international metropolis like Ho Chi Minh, it is possible to walk peacefully through the streets—just like in all of Vietnam, for that matter. A phenomenon we have seen in few international metropolises, applying even to women traveling alone, whether during the day or at night.

                From what we were able to find out, this phenomenon happens thanks to the strictness that the socialist government of Vietnam applies to the issue of security. We walked down dark alleys, in small towns, and in bustling cities like Hanoi and Ho Chi Minh, and we encountered no problems at all. Nor did we see any homeless people. If they exist there, we were unable to spot them. And we walked extensively through the streets, regardless of being accompanied by guides or locals.

                To celebrate our last day in the country, we went to try the Ngon restaurant, recommended by one of our guides. It is recognized as one of the best in Ho Chi Minh for anyone wishing to appreciate typically Vietnamese cuisine. Although it is highly popular and offers a more sophisticated local culinary experience, the prices were very affordable. The decor of the place alone was worth the visit. It is a delicious and incredibly beautiful restaurant.

 We conclude here our series of posts about Vietnam, a country I will cherish forever as one of the best trips I have ever taken. But the tour continues. In the next posts, I will share what I saw and enjoyed in Cambodia and Thailand. See you soon!

 

Versión en Español

 

Vietnam es un país sorprendente. Estoy realizando una visita de 11 dias al país, llevada a cabo en abril de 2026, acompañado por mi compañero de viaje Wagner Cosse. Estuvimos en el norte del país (Hanoi, Ninh Binh, Halong), en la zona central (Hoi An, Da Nang, Hue) y, ahora, vamos a conocer el sur (Ho Chi Minh y Cu Chi). Todas estas etapas se pueden consultar en las publicaciones anteriores.

                Ho Chi Minh City es la antigua ciudad de Saigón. O mejor dicho, según algunos residentes con los que conversé, Saigón todavía existe, pero es un distrito de Ho Chi Minh, la gran metrópoli de 14 millones de habitantes y la ciudad más grande del país.

                A mediados del siglo pasado, Vietnam llegó a estar dividido en dos países, tal como está hoy Corea. La parte del sur, más urbanizada y occidentalizada, tenía como capital la ciudad de Saigón. Todo cambió con la caída de Indochina, la posterior invasión de Japón (durante la Segunda Guerra Mundial), la lucha por la independencia y, finalmente, el conflicto que nosotros llamamos la Guerra de Vietnam, mas que, para ellos, es la Guerra de los Estados Unidos (años 1950 a 1970).

                Antes de que los estadounidenses entraran en el combate, la guerra era del Sur capitalista contra el Norte comunista. Detrás de toda la lucha por la independencia y por la unificación de Vietnam estaba un gran personaje: Ho Chi Minh (1890-1969), presidente del país y héroe nacional. Vale la pena hacer una búsqueda en internet para profundizar en la historia de este hombre fantástico, un líder sabio y un estadista extremadamente articulado, que conquistó los corazones de los vietnamitas.

                Ho Chi Minh llegó a liderar parte de la guerra contra los vietnamitas del sur y los soldados estadounidenses, en una batalla épica que los vietnamitas del norte y los vietcongs vencieron. Habría sido una batalla inglória si no fuera por los métodos arcaicos, pero bastante eficaces, del pueblo vietnamita.

 

Cu Chi - Visitamos los túneles de Cu Chi, que se encuentran a unos 200 km de Ho Chi Minh City, transformados en un museo a cielo aberto. El complejo exhibe parte de las operaciones de guerrilla que los vietcongs desarrollaron para superar los armamentos sofisticados de los estadounidenses. Sin duda alguna, era un grupo de Davides luchando contra miles de Goliats. En determinado momento de la guerra, los estadounidenses llegaron a enviar 500 mil jóvenes al combate.

                Los métodos eran extremadamente simples, pero muy eficientes. Los visitantes son invitados a conocer el sistema de escape con el cual burlaban a los yanquis. Vimos algunas de las trampas que se crearon bajo tierra e incluso cómo preparaban sus comidas, vivían, criaban a sus hijos y animales en esas condiciones inhóspitas, dentro de densas selvas y bajo un calor infernal.

                No pretendo contar aquí la historia de la guerra, ya que hay muchos videos al respecto que se pueden ver, analizar y confrontar. Pero la realidad es que Vietnam del Norte impuso su victoria el 30 de abril de 1975. Vietnam del Sur y los EE. UU. tuvieron que aceptar la derrota. A partir de entonces, se inició el proceso de reunificación del país. Hanói, la capital de Vietnam del Norte, se convirtió en la capital de la nación reunificada, y Saigón, capital de Vietnam del Sur, fue rebautizada como Ho Chi Minh.

                La antigua Saigón es una metrópoli sofisticada y vibrante, con muchos rascacielos, incluido el más alto del país, el Landmark 81, una torre de más de 460 metros de altura. El municipio se localiza en el Delta del Río Mekong, uno de los más importantes del Sudeste Asiático.

                Existe una fuerte influencia de la arquitectura francesa en la zona céntrica, principalmente en los alrededores de la Estación Central de Correos. Allí se sitúan la catedral metropolitana, el teatro municipal y la alcaldía (o Ayuntamiento), flanqueados por cuidados jardines. Y, por supuesto, una imponente estatua del líder Ho Chi Minh, recientemente instalada en las conmemoraciones de los 50 años de la independencia.

                Otro punto visitado fue el vetusto Palacio de la Reunificación, que ya fue utilizado como sede del gobierno de Vietnam del Sur.

                Por la noche, la ciudad se muestra iluminada, con mucho movimiento en las tiendas, plazas, cafés y restaurantes. Nos alojamos en la zona central y confirmamos que, incluso en una metrópoli internacional como Ho Chi Minh, es posible caminar tranquilamente por las calles – como en todo Vietnam, por lo demás. Un fenómeno que hemos visto en pocas metrópolis internacionales. Esto aplica incluso para mujeres que viajen solas, ya sea durante el día o por la noche.

                Por lo que logramos averiguar, este fenómeno ocurre gracias a la rigidez que el gobierno socialista de Vietnam aplica al tema de la seguridad. Caminamos por callejones oscuros, en ciudades pequeñas y en ciudades concurridas como Hanói y Ho Chi Minh, y no tuvimos ningún problema. Tampoco vimos personas en situación de calle. Si existen por allí, no logramos visualizarlas. Y eso que caminamos muchísimo por las calles, independientemente de la compañía de los guías o de los habitantes de la región.

                Para celebrar nuestro último día en el país, fuimos a conocer el restaurante Ngon, recomendado por uno de nuestros guías. Es reconocido como uno de los mejores de Ho Chi Minh para quienes desean apreciar la gastronomía típicamente vietnamita. Aunque es muy concurrido y ofrece una cocina local más sofisticada, los precios resultaron bastante accesibles. Solo la decoración del lugar ya valía la visita. Es un restaurante delicioso y muy hermoso.

                Concluimos aquí la serie de publicaciones sobre Vietnam, un país que llevaré para siempre como uno de los mejores viajes que he realizado. Pero la gira continúa. En las próximas publicaciones, contaré lo que vi y disfruté en Camboya y Tailandia. ¡Hasta pronto!

Fotos

HO CHI MINH




Palácio da Reunificação

Estação dos Correios

Interior dos Correios

Arranha-céu em Ho Chi Minh

Vista de Ho Chi Minh (foto impressa em mural da cidade)

Rua das livrarias

Ao fundo, detalhe da catedral metropolitana

Teatro Municipal

Hotel Continental


Entrada do Teatro Municipal

Estátua de Ho Chi Minh

Prefeitura (Câmara) Municipal

Ho Chi Minh está estampado no dinheiro vietnamita

Ngon Restaurante




Na entrada do restaurante

Com Wagner, experimentando a culinária local



CU CHI

Técnica de camuflagem dos vietnamitas


Entrada de um dos túneis

Wagner experimenta caminhar nos túneis

Floresta que cerca o local

Armadilhas usadas pelos vietnamitas

Modelo da cozinha usada nos campos de guerra

Chinelas de couro usadas pelos vietcongues

Entrada e saída dos túneis

Wagner sai de um dos túneis

Algumas das bombas recolhidas na região




domingo, 17 de maio de 2026

Sudeste Asiático Parte III: Halong e Ninh Binh

 

No barco, passeando pela Baía de Halong, no Vietnã
Foto de Wagner Cosse

Confira as fotos no final do texto
Clique nas fotos para ampliá-las

Textos em português, inglês e espanhol

A Baía de Halong é, sem dúvida, um dos maiores – senão o maior – atrativos naturais do Vietnã. Ela se situa no norte do país, no Golfo de Tonquim, quase na divisa com a China. Já Ninh Binh, numa região relativamente próxima, é conhecida como a “Halong” do delta do rio Vermelho. Visitamos os dois lugares em viagem àquele país, no mês de abril de 2026.

Declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1994, Halong fica a 164 km de distância de Hanói. Ela ocupa uma área de 1.500 km². São mais de 2.000 formações de calcário e dolomita que emergem da água, como pequenas montanhas de pedra, contrastando com os tons esverdeados e azulados do mar. O nome significa “dragão que desce do mar”, como se as pedras fossem as corcovas do mítico animal.

O passeio inclui o pernoite em uma embarcação, que lembra as antigas gaiolas do rio São Francisco, no Brasil, ou do rio Mississipi, nos EUA. Somos colocados nesse navio, em cabines confortáveis, com direito a uma pequena varanda. O transporte também oferece várias atividades de lazer, como aulas de tai chi chuan e de culinária vietnamita, além das refeições, como almoço, jantar e café da manhã.

Há outras formas tradicionais de navegar por aquelas águas, como em veleiros e barcos-dragão. Mas a maioria utilizava os mesmos modelos que o nosso.

O dia estava nublado, sem chuva. Por isso, Halong não se revelou com todo o esplendor que às vezes observamos nas fotografias. Mesmo assim, o lugar impressiona por suas formações rochosas e grutas.

Em determinada ilha, visitamos um mirante de onde se podia observar a impressionante paisagem. Ali também havia uma pequena praia, além de restaurante, café e lojas de artesanato.

A única nota negativa do passeio foi proporcionada por uma água-viva ou caravela, não sabemos exatamente, que abraçou o corpo do Wagner quando ele entrou no mar e queimou seu corpo em várias partes, principalmente no dorso e no pescoço. Imediatamente, os guias acionaram os primeiros socorros, limpando-o com vinagre branco e limão e, depois, entregando-lhe uma pomada para amenizar as dores das queimaduras.

Felizmente, para todos nós (principalmente para o Wagner), o problema não evoluiu para febre ou outros sintomas, o que nos obrigaria a ir para um hospital ou buscar um atendimento mais especializado (há casos de pessoas que morrem afogadas nessa mesma situação). Aos poucos, Wagner conseguiu superar as dores e retomar a viagem sem maiores danos. Isso, no entanto, me fez temer entrar naquelas belas, mas perigosas águas.

De acordo com os guias locais, não é comum, nessa época do ano, a presença desses animais marinhos naquelas águas. Mas, em razão das mudanças climáticas, coisas assim acabam acontecendo. Por sorte e pelo atendimento imediato, a situação pôde ser contornada.

 

Ninh Binh fica a 95 km de Hanói. O passeio é um bate-e-volta, saindo da capital vietnamita na parte da manhã e retornando no final da tarde.

Conhecemos, inicialmente, o sítio histórico de Hoa Lu, criado pelo imperador Tien Hoang De para ser a capital do país em 958. O antigo palácio e a cidadela estão em ruínas, mas conservam a beleza dos jardins e dos templos. Parte do complexo foi preservada, e outra parte passou por uma criteriosa restauração.

A grande atração, no entanto, é a própria natureza que circunda o complexo e que integra o delta do rio Vermelho, um dos mais importantes do Vietnã. O local foi apelidado de “Baía de Halong terrestre”, pela semelhança entre as formações rochosas desse lugar e as da famosa baía descrita anteriormente.

Ali é realizado um passeio de canoa pelas águas do rio, circundado pelas belas montanhas de pedra, por plantações de arroz, por cavernas e jardins. Até os cemitérios próximos às águas são belíssimos, pois lembram a arquitetura dos pagodes budistas.

As canoas comportam grupos pequenos de pessoas. No nosso caso, somente Wagner, eu e o barqueiro estávamos na embarcação. O diferencial, além da paisagem, era o método de condução dos remos. Ao invés de usarem as mãos, os barqueiros (e as barqueiras) utilizavam os pés, com uma habilidade ímpar.

Vale ressaltar um importante detalhe desse passeio. Na rodovia entre Hanói e Ninh Binh, passamos por uma associação que realiza bordados feitos com fios de seda. As bordadeiras são mulheres que têm alguma deficiência em decorrência da guerra do Vietnã contra os EUA, nos anos 1960 e 1970. Elas nasceram com os problemas ou os adquiriram por meio das minas terrestres ou das bombas de napalm, amplamente utilizadas nos combates contra os vietcongues. Atualmente, essas pessoas criam obras encantadoras graças ao projeto social. Tivemos a oportunidade de comprar uma peça e fazer um registro fotográfico ao lado de sua autora.

 Finalizo aqui esta postagem. Continuarei a viagem ao Vietnã, com novas e belas surpresas.

 

 English version

 Halong Bay is, without a doubt, one of Vietnam’s greatest — if not the greatest — natural attractions. It is located in the north of the country, in the Gulf of Tonkin, almost on the border with China. Ninh Binh, in a relatively nearby region, is known as the “Halong” of the Red River Delta. We visited both places during a trip to that country in April 2026.

Declared a UNESCO World Heritage Site in 1994, Halong is located 164 km from Hanoi. It covers an area of 1,500 km². There are more than 2,000 limestone and dolomite formations emerging from the water like small stone mountains, contrasting with the greenish and bluish shades of the sea. Its name means “dragon descending into the sea,” as if the rocks were the humps of the mythical creature.

The tour includes an overnight stay on a vessel that resembles the old riverboats of the São Francisco River in Brazil or the Mississippi River in the United States. Guests are accommodated in comfortable cabins with small private balconies. The cruise also offers several leisure activities, such as tai chi and Vietnamese cooking classes, in addition to meals including lunch, dinner, and breakfast.

There are other traditional ways of navigating those waters, such as sailboats and dragon boats. However, most vessels followed the same model as ours.

The day was cloudy, though without rain. For that reason, Halong did not reveal itself with all the splendor often seen in photographs. Even so, the place impresses with its rock formations and caves.

On one of the islands, we visited a viewpoint from which the impressive landscape could be admired. There was also a small beach, as well as a restaurant, café, and handicraft shops.

 

The only negative aspect of the trip came from a jellyfish — or perhaps a Portuguese man o’ war, we are not entirely sure — that wrapped around Wagner’s body when he entered the sea and caused burns on several parts of his body, especially on his back and neck. Immediately, the guides provided first aid, cleaning the affected areas with white vinegar and lemon and later giving him an ointment to ease the pain from the burns.

Fortunately for all of us (especially Wagner), the problem did not develop into fever or other symptoms, which would have required a hospital visit or more specialized medical care (there are cases of people who end up drowning in similar situations). Little by little, Wagner overcame the pain and was able to continue the journey without greater consequences. However, the incident made me afraid of entering those beautiful yet dangerous waters.

According to local guides, the presence of these marine animals is not common at that time of year. However, due to climate change, such occurrences can happen. Fortunately, because of the immediate assistance, the situation was controlled.

 

Ninh Binh is located 95 km from Hanoi. The tour is a one-day round trip, departing from the Vietnamese capital in the morning and returning in the late afternoon.

We first visited the historic site of Hoa Lu, established by Emperor Tien Hoang De to serve as the country’s capital in 958. The ancient palace and citadel are in ruins, but they still preserve the beauty of their gardens and temples. Part of the complex has been preserved, while another part underwent careful restoration.

The main attraction, however, is nature itself, surrounding the complex and forming part of the Red River Delta, one of the most important regions in Vietnam. The site has been nicknamed the “Terrestrial Halong Bay” because of the similarity between its rock formations and those of the famous bay mentioned earlier.

There is a canoe tour along the river waters, surrounded by beautiful stone mountains, rice fields, caves, and gardens. Even the cemeteries near the river are beautiful, as they resemble the architecture of Buddhist pagodas.

The canoes accommodate small groups. In our case, only Wagner, the boatman, and I were on board. Besides the scenery, the most remarkable aspect was the rowing technique. Instead of using their hands, the boatmen — and boatwomen — rowed using their feet, with remarkable skill.

 

It is worth highlighting one important detail of this excursion. On the highway between Hanoi and Ninh Binh, we stopped at an association that produces embroidery made with silk threads. The embroiderers are women who have disabilities resulting from the Vietnam War against the United States during the 1960s and 1970s. They were either born with these conditions or acquired them due to landmines or napalm bombs widely used during the conflict against the Viet Cong. Today, these people create enchanting works thanks to the social project. We had the opportunity to buy one of the pieces and take a photograph with its creator.

I conclude this post here. I will continue sharing the journey through Vietnam, with new and beautiful surprises.


 

Versión en español

 La Bahía de Halong es, sin duda, uno de los mayores —si no el mayor— atractivos naturales de Vietnam. Está ubicada en el norte del país, en el Golfo de Tonkín, casi en la frontera con China. Ninh Binh, en una región relativamente cercana, es conocida como la “Halong” del delta del río Rojo. Visitamos ambos lugares durante un viaje a ese país en abril de 2026.

Declarada Patrimonio de la Humanidad por la UNESCO en 1994, Halong se encuentra a 164 km de Hanói. Ocupa un área de 1.500 km². Son más de 2.000 formaciones de piedra caliza y dolomita que emergen del agua como pequeñas montañas de piedra, contrastando con los tonos verdosos y azulados del mar. Su nombre significa “dragón que desciende al mar”, como si las rocas fueran las jorobas del mítico animal.

El paseo incluye pasar la noche en una embarcación que recuerda a los antiguos barcos fluviales del río São Francisco, en Brasil, o del río Mississippi, en Estados Unidos. Los pasajeros son alojados en cómodas cabinas con pequeños balcones privados. El transporte también ofrece diversas actividades recreativas, como clases de tai chi y cocina vietnamita, además de las comidas: almuerzo, cena y desayuno.

Existen otras formas tradicionales de navegar por esas aguas, como los veleros y los barcos dragón. Sin embargo, la mayoría utilizaba modelos similares al nuestro.

 

El día estaba nublado, aunque sin lluvia. Por ello, Halong no se reveló con todo el esplendor que a veces vemos en las fotografías. Aun así, el lugar impresiona por sus formaciones rocosas y cuevas.

En una de las islas visitamos un mirador desde donde se podía contemplar el impresionante paisaje. Allí también había una pequeña playa, además de restaurante, cafetería y tiendas de artesanía.

La única nota negativa del paseo fue provocada por una medusa —o quizás una carabela portuguesa, no lo sabemos exactamente— que rodeó el cuerpo de Wagner cuando entró al mar y le provocó quemaduras en varias partes del cuerpo, principalmente en la espalda y el cuello. Inmediatamente, los guías prestaron primeros auxilios, limpiando la zona con vinagre blanco y limón y entregándole posteriormente una pomada para aliviar el dolor.

Afortunadamente para todos nosotros (principalmente para Wagner), el problema no evolucionó hacia fiebre ni otros síntomas, lo que nos habría obligado a acudir a un hospital o buscar atención médica especializada (existen casos de personas que llegan a ahogarse en situaciones semejantes). Poco a poco, Wagner logró superar el dolor y continuar el viaje sin mayores consecuencias. Sin embargo, el episodio me hizo temer entrar en aquellas hermosas pero peligrosas aguas.

Según los guías locales, la presencia de estos animales marinos no es común en esa época del año. Pero, debido a los cambios climáticos, este tipo de situaciones termina ocurriendo. Afortunadamente, gracias a la atención inmediata, todo pudo resolverse.

 

Ninh Binh se encuentra a 95 km de Hanói. El paseo es de ida y vuelta en el mismo día, saliendo de la capital vietnamita por la mañana y regresando al final de la tarde.

Inicialmente conocimos el sitio histórico de Hoa Lu, creado por el emperador Tien Hoang De para ser la capital del país en el año 958. El antiguo palacio y la ciudadela están en ruinas, pero aún conservan la belleza de sus jardines y templos. Parte del complejo fue preservada y otra parte pasó por una cuidadosa restauración.

La gran atracción, sin embargo, es la propia naturaleza que rodea el complejo y que forma parte del delta del río Rojo, uno de los más importantes de Vietnam. El lugar fue apodado “Bahía de Halong terrestre”, debido a la semejanza entre sus formaciones rocosas y las de la famosa bahía anteriormente mencionada.

Allí se realiza un paseo en canoa por las aguas del río, rodeado de hermosas montañas de piedra, arrozales, cuevas y jardines. Incluso los cementerios cercanos al agua son bellísimos, ya que recuerdan la arquitectura de las pagodas budistas.

Las canoas reciben pequeños grupos de personas. En nuestro caso, solamente Wagner, el barquero y yo estábamos en la embarcación. El diferencial, además del paisaje, era la técnica utilizada para remar. En lugar de usar las manos, los barqueros —y las barqueras— utilizaban los pies con una habilidad extraordinaria.

Vale la pena destacar un importante detalle de este paseo. En la carretera entre Hanói y Ninh Binh pasamos por una asociación que realiza bordados con hilos de seda. Las bordadoras son mujeres con discapacidades derivadas de la Guerra de Vietnam contra Estados Unidos en las décadas de 1960 y 1970. Nacieron con esos problemas o los adquirieron a causa de minas terrestres o bombas de napalm ampliamente utilizadas en los combates contra el Viet Cong. Actualmente, estas personas crean obras encantadoras gracias al proyecto social. Tuvimos la oportunidad de comprar una pieza y tomarnos una fotografía junto a su autora.

Finalizo aquí esta publicación. Continuaré el viaje por Vietnam con nuevas y hermosas sorpresas.


Vista panorâmica da Baía de Halong (foto Thelmo Lins)

Com Wagner, tomando café da manhã no barco

Quarto da embarcação

Com Wagner e Mike, no cais

Fotografando ao lado da bandeira do Vietnã

Baía com tempo nublado




Aula de tai chi


Barco de mercadorias 

Vista geral 



Pescadores locais


Danos da água-vina nas costas do Wagner

Com nossa guia, em Hoa Lu

Entrada principal de Hoa Lu









No barco

Halong do rio Vermelho


Cemitério na beira do rio

Passeio atravessa cavernas



Destreza dos barqueiros de remar com os pés


Visita à associação das bordadeiras

Wagner e eu com a bordado que adquirimos na associação



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