domingo, 17 de maio de 2026

Sudeste Asiático Parte III: Halong e Ninh Binh

 

No barco, passeando pela Baía de Halong, no Vietnã
Foto de Wagner Cosse

Confira as fotos no final do texto
Clique nas fotos para ampliá-las

Textos em português, inglês e espanhol

A Baía de Halong é, sem dúvida, um dos maiores – senão o maior – atrativos naturais do Vietnã. Ela se situa no norte do país, no Golfo de Tonquim, quase na divisa com a China. Já Ninh Binh, numa região relativamente próxima, é conhecida como a “Halong” do delta do rio Vermelho. Visitamos os dois lugares em viagem àquele país, no mês de abril de 2026.

Declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1994, Halong fica a 164 km de distância de Hanói. Ela ocupa uma área de 1.500 km². São mais de 2.000 formações de calcário e dolomita que emergem da água, como pequenas montanhas de pedra, contrastando com os tons esverdeados e azulados do mar. O nome significa “dragão que desce do mar”, como se as pedras fossem as corcovas do mítico animal.

O passeio inclui o pernoite em uma embarcação, que lembra as antigas gaiolas do rio São Francisco, no Brasil, ou do rio Mississipi, nos EUA. Somos colocados nesse navio, em cabines confortáveis, com direito a uma pequena varanda. O transporte também oferece várias atividades de lazer, como aulas de tai chi chuan e de culinária vietnamita, além das refeições, como almoço, jantar e café da manhã.

Há outras formas tradicionais de navegar por aquelas águas, como em veleiros e barcos-dragão. Mas a maioria utilizava os mesmos modelos que o nosso.

O dia estava nublado, sem chuva. Por isso, Halong não se revelou com todo o esplendor que às vezes observamos nas fotografias. Mesmo assim, o lugar impressiona por suas formações rochosas e grutas.

Em determinada ilha, visitamos um mirante de onde se podia observar a impressionante paisagem. Ali também havia uma pequena praia, além de restaurante, café e lojas de artesanato.

A única nota negativa do passeio foi proporcionada por uma água-viva ou caravela, não sabemos exatamente, que abraçou o corpo do Wagner quando ele entrou no mar e queimou seu corpo em várias partes, principalmente no dorso e no pescoço. Imediatamente, os guias acionaram os primeiros socorros, limpando-o com vinagre branco e limão e, depois, entregando-lhe uma pomada para amenizar as dores das queimaduras.

Felizmente, para todos nós (principalmente para o Wagner), o problema não evoluiu para febre ou outros sintomas, o que nos obrigaria a ir para um hospital ou buscar um atendimento mais especializado (há casos de pessoas que morrem afogadas nessa mesma situação). Aos poucos, Wagner conseguiu superar as dores e retomar a viagem sem maiores danos. Isso, no entanto, me fez temer entrar naquelas belas, mas perigosas águas.

De acordo com os guias locais, não é comum, nessa época do ano, a presença desses animais marinhos naquelas águas. Mas, em razão das mudanças climáticas, coisas assim acabam acontecendo. Por sorte e pelo atendimento imediato, a situação pôde ser contornada.

 

Ninh Binh fica a 95 km de Hanói. O passeio é um bate-e-volta, saindo da capital vietnamita na parte da manhã e retornando no final da tarde.

Conhecemos, inicialmente, o sítio histórico de Hoa Lu, criado pelo imperador Tien Hoang De para ser a capital do país em 958. O antigo palácio e a cidadela estão em ruínas, mas conservam a beleza dos jardins e dos templos. Parte do complexo foi preservada, e outra parte passou por uma criteriosa restauração.

A grande atração, no entanto, é a própria natureza que circunda o complexo e que integra o delta do rio Vermelho, um dos mais importantes do Vietnã. O local foi apelidado de “Baía de Halong terrestre”, pela semelhança entre as formações rochosas desse lugar e as da famosa baía descrita anteriormente.

Ali é realizado um passeio de canoa pelas águas do rio, circundado pelas belas montanhas de pedra, por plantações de arroz, por cavernas e jardins. Até os cemitérios próximos às águas são belíssimos, pois lembram a arquitetura dos pagodes budistas.

As canoas comportam grupos pequenos de pessoas. No nosso caso, somente Wagner, eu e o barqueiro estávamos na embarcação. O diferencial, além da paisagem, era o método de condução dos remos. Ao invés de usarem as mãos, os barqueiros (e as barqueiras) utilizavam os pés, com uma habilidade ímpar.

Vale ressaltar um importante detalhe desse passeio. Na rodovia entre Hanói e Ninh Binh, passamos por uma associação que realiza bordados feitos com fios de seda. As bordadeiras são mulheres que têm alguma deficiência em decorrência da guerra do Vietnã contra os EUA, nos anos 1960 e 1970. Elas nasceram com os problemas ou os adquiriram por meio das minas terrestres ou das bombas de napalm, amplamente utilizadas nos combates contra os vietcongues. Atualmente, essas pessoas criam obras encantadoras graças ao projeto social. Tivemos a oportunidade de comprar uma peça e fazer um registro fotográfico ao lado de sua autora.

 Finalizo aqui esta postagem. Continuarei a viagem ao Vietnã, com novas e belas surpresas.

 

 English version

 Halong Bay is, without a doubt, one of Vietnam’s greatest — if not the greatest — natural attractions. It is located in the north of the country, in the Gulf of Tonkin, almost on the border with China. Ninh Binh, in a relatively nearby region, is known as the “Halong” of the Red River Delta. We visited both places during a trip to that country in April 2026.

Declared a UNESCO World Heritage Site in 1994, Halong is located 164 km from Hanoi. It covers an area of 1,500 km². There are more than 2,000 limestone and dolomite formations emerging from the water like small stone mountains, contrasting with the greenish and bluish shades of the sea. Its name means “dragon descending into the sea,” as if the rocks were the humps of the mythical creature.

The tour includes an overnight stay on a vessel that resembles the old riverboats of the São Francisco River in Brazil or the Mississippi River in the United States. Guests are accommodated in comfortable cabins with small private balconies. The cruise also offers several leisure activities, such as tai chi and Vietnamese cooking classes, in addition to meals including lunch, dinner, and breakfast.

There are other traditional ways of navigating those waters, such as sailboats and dragon boats. However, most vessels followed the same model as ours.

The day was cloudy, though without rain. For that reason, Halong did not reveal itself with all the splendor often seen in photographs. Even so, the place impresses with its rock formations and caves.

On one of the islands, we visited a viewpoint from which the impressive landscape could be admired. There was also a small beach, as well as a restaurant, café, and handicraft shops.

 

The only negative aspect of the trip came from a jellyfish — or perhaps a Portuguese man o’ war, we are not entirely sure — that wrapped around Wagner’s body when he entered the sea and caused burns on several parts of his body, especially on his back and neck. Immediately, the guides provided first aid, cleaning the affected areas with white vinegar and lemon and later giving him an ointment to ease the pain from the burns.

Fortunately for all of us (especially Wagner), the problem did not develop into fever or other symptoms, which would have required a hospital visit or more specialized medical care (there are cases of people who end up drowning in similar situations). Little by little, Wagner overcame the pain and was able to continue the journey without greater consequences. However, the incident made me afraid of entering those beautiful yet dangerous waters.

According to local guides, the presence of these marine animals is not common at that time of year. However, due to climate change, such occurrences can happen. Fortunately, because of the immediate assistance, the situation was controlled.

 

Ninh Binh is located 95 km from Hanoi. The tour is a one-day round trip, departing from the Vietnamese capital in the morning and returning in the late afternoon.

We first visited the historic site of Hoa Lu, established by Emperor Tien Hoang De to serve as the country’s capital in 958. The ancient palace and citadel are in ruins, but they still preserve the beauty of their gardens and temples. Part of the complex has been preserved, while another part underwent careful restoration.

The main attraction, however, is nature itself, surrounding the complex and forming part of the Red River Delta, one of the most important regions in Vietnam. The site has been nicknamed the “Terrestrial Halong Bay” because of the similarity between its rock formations and those of the famous bay mentioned earlier.

There is a canoe tour along the river waters, surrounded by beautiful stone mountains, rice fields, caves, and gardens. Even the cemeteries near the river are beautiful, as they resemble the architecture of Buddhist pagodas.

The canoes accommodate small groups. In our case, only Wagner, the boatman, and I were on board. Besides the scenery, the most remarkable aspect was the rowing technique. Instead of using their hands, the boatmen — and boatwomen — rowed using their feet, with remarkable skill.

 

It is worth highlighting one important detail of this excursion. On the highway between Hanoi and Ninh Binh, we stopped at an association that produces embroidery made with silk threads. The embroiderers are women who have disabilities resulting from the Vietnam War against the United States during the 1960s and 1970s. They were either born with these conditions or acquired them due to landmines or napalm bombs widely used during the conflict against the Viet Cong. Today, these people create enchanting works thanks to the social project. We had the opportunity to buy one of the pieces and take a photograph with its creator.

I conclude this post here. I will continue sharing the journey through Vietnam, with new and beautiful surprises.


 

Versión en español

 La Bahía de Halong es, sin duda, uno de los mayores —si no el mayor— atractivos naturales de Vietnam. Está ubicada en el norte del país, en el Golfo de Tonkín, casi en la frontera con China. Ninh Binh, en una región relativamente cercana, es conocida como la “Halong” del delta del río Rojo. Visitamos ambos lugares durante un viaje a ese país en abril de 2026.

Declarada Patrimonio de la Humanidad por la UNESCO en 1994, Halong se encuentra a 164 km de Hanói. Ocupa un área de 1.500 km². Son más de 2.000 formaciones de piedra caliza y dolomita que emergen del agua como pequeñas montañas de piedra, contrastando con los tonos verdosos y azulados del mar. Su nombre significa “dragón que desciende al mar”, como si las rocas fueran las jorobas del mítico animal.

El paseo incluye pasar la noche en una embarcación que recuerda a los antiguos barcos fluviales del río São Francisco, en Brasil, o del río Mississippi, en Estados Unidos. Los pasajeros son alojados en cómodas cabinas con pequeños balcones privados. El transporte también ofrece diversas actividades recreativas, como clases de tai chi y cocina vietnamita, además de las comidas: almuerzo, cena y desayuno.

Existen otras formas tradicionales de navegar por esas aguas, como los veleros y los barcos dragón. Sin embargo, la mayoría utilizaba modelos similares al nuestro.

 

El día estaba nublado, aunque sin lluvia. Por ello, Halong no se reveló con todo el esplendor que a veces vemos en las fotografías. Aun así, el lugar impresiona por sus formaciones rocosas y cuevas.

En una de las islas visitamos un mirador desde donde se podía contemplar el impresionante paisaje. Allí también había una pequeña playa, además de restaurante, cafetería y tiendas de artesanía.

La única nota negativa del paseo fue provocada por una medusa —o quizás una carabela portuguesa, no lo sabemos exactamente— que rodeó el cuerpo de Wagner cuando entró al mar y le provocó quemaduras en varias partes del cuerpo, principalmente en la espalda y el cuello. Inmediatamente, los guías prestaron primeros auxilios, limpiando la zona con vinagre blanco y limón y entregándole posteriormente una pomada para aliviar el dolor.

Afortunadamente para todos nosotros (principalmente para Wagner), el problema no evolucionó hacia fiebre ni otros síntomas, lo que nos habría obligado a acudir a un hospital o buscar atención médica especializada (existen casos de personas que llegan a ahogarse en situaciones semejantes). Poco a poco, Wagner logró superar el dolor y continuar el viaje sin mayores consecuencias. Sin embargo, el episodio me hizo temer entrar en aquellas hermosas pero peligrosas aguas.

Según los guías locales, la presencia de estos animales marinos no es común en esa época del año. Pero, debido a los cambios climáticos, este tipo de situaciones termina ocurriendo. Afortunadamente, gracias a la atención inmediata, todo pudo resolverse.

 

Ninh Binh se encuentra a 95 km de Hanói. El paseo es de ida y vuelta en el mismo día, saliendo de la capital vietnamita por la mañana y regresando al final de la tarde.

Inicialmente conocimos el sitio histórico de Hoa Lu, creado por el emperador Tien Hoang De para ser la capital del país en el año 958. El antiguo palacio y la ciudadela están en ruinas, pero aún conservan la belleza de sus jardines y templos. Parte del complejo fue preservada y otra parte pasó por una cuidadosa restauración.

La gran atracción, sin embargo, es la propia naturaleza que rodea el complejo y que forma parte del delta del río Rojo, uno de los más importantes de Vietnam. El lugar fue apodado “Bahía de Halong terrestre”, debido a la semejanza entre sus formaciones rocosas y las de la famosa bahía anteriormente mencionada.

Allí se realiza un paseo en canoa por las aguas del río, rodeado de hermosas montañas de piedra, arrozales, cuevas y jardines. Incluso los cementerios cercanos al agua son bellísimos, ya que recuerdan la arquitectura de las pagodas budistas.

Las canoas reciben pequeños grupos de personas. En nuestro caso, solamente Wagner, el barquero y yo estábamos en la embarcación. El diferencial, además del paisaje, era la técnica utilizada para remar. En lugar de usar las manos, los barqueros —y las barqueras— utilizaban los pies con una habilidad extraordinaria.

Vale la pena destacar un importante detalle de este paseo. En la carretera entre Hanói y Ninh Binh pasamos por una asociación que realiza bordados con hilos de seda. Las bordadoras son mujeres con discapacidades derivadas de la Guerra de Vietnam contra Estados Unidos en las décadas de 1960 y 1970. Nacieron con esos problemas o los adquirieron a causa de minas terrestres o bombas de napalm ampliamente utilizadas en los combates contra el Viet Cong. Actualmente, estas personas crean obras encantadoras gracias al proyecto social. Tuvimos la oportunidad de comprar una pieza y tomarnos una fotografía junto a su autora.

Finalizo aquí esta publicación. Continuaré el viaje por Vietnam con nuevas y hermosas sorpresas.


Vista panorâmica da Baía de Halong (foto Thelmo Lins)

Com Wagner, tomando café da manhã no barco

Quarto da embarcação

Com Wagner e Mike, no cais

Fotografando ao lado da bandeira do Vietnã

Baía com tempo nublado




Aula de tai chi


Barco de mercadorias 

Vista geral 



Pescadores locais


Danos da água-vina nas costas do Wagner

Com nossa guia, em Hoa Lu

Entrada principal de Hoa Lu









No barco

Halong do rio Vermelho


Cemitério na beira do rio

Passeio atravessa cavernas



Destreza dos barqueiros de remar com os pés


Visita à associação das bordadeiras

Wagner e eu com a bordado que adquirimos na associação



domingo, 10 de maio de 2026

Sudeste Asiático Parte II - Hanói

 

Em Hanoi, com a escultura "Unity" ao fundo

Atenção: agora o blog tem texto com versões em inglês e espanhol, 
logo após o texto original em português.

No final do texto, confira as fotos. Clique nas fotos para ampliá-las


A primeira coisa que se observa ao chegarmos a Hanói, capital do Vietnã, é a quantidade absurda de motocicletas. Não é apenas pelo volume, mas também pelo intenso barulho das buzinas. Acredita-se que a cidade tenha aproximadamente 7 milhões desse tipo de transporte para uma população que gira em torno de 8,8 milhões de habitantes.

As motos estão em todos os lugares, inclusive nos passeios, onde ficam estacionadas. Que o pedestre se contente em transitar entre os veículos. Atravessar uma rua ou avenida, então, exige habilidade e atenção, uma vez que nem mesmo os sinais de pedestres são respeitados. Com o tempo, a gente acaba se acostumando, mas, no início, parece que estamos mergulhados no caos.


 3.000 anos de história - Passada essa primeira impressão, a metrópole vai mostrando suas outras facetas. Trata-se de uma localidade habitada há quase 3.000 anos e que, por isso, conta um pouco da história do Vietnã e de toda a região conhecida como Indochina. Há edificações de vários desses períodos, a começar pelo instigante Bairro Antigo, fundado no século XIII por artesãos, com suas ruelas abarrotadas de lojas comerciais, templos, restaurantes e casas de massagem.

No bairro (ou quarteirão) francês, observamos várias edificações do período colonial, quando Hanói foi a capital da Indochina. A ópera, o hotel Sofitel, a catedral e o Museu de História pertencem a esse período, que durou boa parte dos séculos XIX e XX.


 Templo da Literatura - Já o Templo da Literatura, criado por volta do ano 1070, é a primeira universidade do país, onde os homens da elite aprofundavam seus conhecimentos, inspirados pela filosofia do chinês Confúcio (551 a 479 a.C.). A China dominou aquele território por quase 1.000 anos e deixou marcas profundas na cultura vietnamita.

A cidade apresenta praças belíssimas, onde a tranquilidade e a organização rivalizam com o trânsito caótico. No entanto, há harmonia nos templos e jardins que remetem à meditação e à concentração, características marcantes dos povos orientais.

 

Cidade pulsante - Hanói é uma cidade pulsante, com muitos jovens, muito movimento e muita agitação. O desenvolvimento econômico transforma os hábitos da metrópole e a conduz para uma nova dinâmica internacional. Mas é nítido que os preceitos tradicionais continuam enraizados e pautam toda a condução do progresso.

É muito comum observar a população se alimentando em pequenos restaurantes de rua, sentada em cadeiras que parecem feitas para crianças. As pessoas — inclusive os executivos de terno e gravata — sentam-se em círculo, carregando seus potes de sopa ou outros alimentos similares, confraternizando e trocando experiências do dia a dia.

A maioria da população é magra, pois a dieta é fortemente marcada por legumes e verduras. Segundo os guias locais, os vietnamitas não têm o hábito de caminhar ou fazer exercícios aeróbicos dessa natureza. “Todos que vocês veem caminhando são turistas”, brincam. A maioria usa a motocicleta até para ir à esquina, dizem eles.

Também pudera. O calor costuma ser infernal. A sensação térmica, quando estive lá, no mês de abril, beirava os 40 graus. É preciso disposição para enfrentar caminhadas com essa temperatura. Os vietnamitas não gostam de sol. Eles cobrem todo o corpo para evitar o bronzeamento. De acordo com os mesmos guias, quanto mais branca a pele, melhor. Para eles, é sedutor ou atraente conservar a pele completamente alva.

 

Encontro com as crianças locais - Outra experiência que nos marcou na viagem foi o encontro com as crianças no Templo da Literatura. Uma determinada escola da cidade levou seus alunos, ainda bem pequenos, para uma visita ao local e para registros fotográficos de formatura. Elas quiseram fotografar conosco, os visitantes, e nos presentearam com pulseirinhas típicas do Vietnã, retiradas dos próprios pulsos, transformando esses momentos pela delicadeza da espontaneidade.

Já outro grupo, acompanhado pelo professor de inglês, aproveitou o fato de aquele ser um local de grande afluxo de turistas para nos entrevistar. Foram momentos extremamente agradáveis, com muitas risadas e brincadeiras.

Outro ponto a destacar foi a oficina de arranjos florais oferecida pela agência de viagens Mundo Ásia. Lá tivemos a oportunidade de conhecer um pouco dos cheiros e fragrâncias das flores locais, além de acompanhar o processo de utilização da fibra retirada do caule das flores de lótus para a confecção de tecidos, que lembram muito a textura e a leveza da seda.

 

Herói nacional - O passeio em Hanói finalizou-se com a visita ao mausoléu de Ho Chi Minh (1890-1969), herói nacional, um dos articuladores do processo de libertação do Vietnã e um dos líderes da guerra contra os Estados Unidos, que marcou profundamente o país entre as décadas de 1950 e 1970 e da qual falaremos em outra postagem.

Por fim, vale destacar o encantador Teatro de Marionetes na Água que, segundo a tradição, surgiu há mais de 1.000 anos. Em um palco que parece uma piscina, um grupo de bonequeiros, acompanhado por músicos e instrumentistas, realiza a mágica de transformar pequenos personagens de madeira em um espetáculo que conta um pouco dos mitos e das histórias da região, de maneira bastante lúdica e bem-humorada. Os sons extraídos daqueles instrumentos exóticos são um deleite para os sentidos.

A próxima etapa desta viagem acontece em Ninh Binh, a 95 km de Hanói, quando visitaremos o sul do delta do rio Vermelho e suas impressionantes formações rochosas. Conheceremos também a antiga capital real de Hoa Lu, criada no ano de 958.

 

Até mais! 

 

English version

                The first thing you notices upon arriving in Hanói, the capital of Vietnã, is the absurd number of motorcycles. It is not only because of the sheer volume, but also because of the intense noise of the horns. It is believed that the city has approximately 7 million motorcycles for a population of around 8.8 million inhabitants.

                Motorcycles are everywhere, including on the sidewalks, where they are parked. Pedestrians must simply accept weaving among the vehicles. Crossing a street or avenue requires skill and attention, since even pedestrian signals are often ignored. Over time, one eventually gets used to it, but at first it feels as though we are immersed in chaos.

                Once this first impression fades, the metropolis begins to reveal its other facets. It is a locality inhabited for nearly 3,000 years and therefore tells part of the history of Vietnam and of the entire region known as Indochina. There are buildings from several of these periods, beginning with the fascinating Old Quarter, founded in the 13th century by artisans, with its narrow streets packed with shops, temples, restaurants, and massage houses.

In the French Quarter, we observed several buildings from the colonial period, when Hanoi was the capital of Indochina. The opera house, the Sofitel Hotel, the cathedral, and the History Museum belong to this period, which lasted through much of the 19th and 20th centuries.

                The Temple of Literature, created around the year 1070, is the country’s first university, where elite men deepened their knowledge inspired by the philosophy of the Chinese thinker Confúcio (551–479 BC). China dominated that territory for nearly 1,000 years and left profound marks on Vietnamese culture.

                The city features beautiful squares, where tranquility and organization contrast with the chaotic traffic. Nevertheless, harmony prevails in the temples and gardens that evoke meditation and concentration, characteristics strongly associated with Eastern peoples.

                Hanoi is a vibrant city, full of young people, movement, and energy. Economic development is transforming the habits of the metropolis and leading it toward a new international dynamic. Yet it is evident that traditional values remain deeply rooted and continue to guide the course of progress.

                It is very common to see the population eating in small street restaurants, seated on chairs that seem made for children. People — including executives in suits and ties — sit in circles carrying bowls of soup or similar foods, socializing and exchanging stories about their daily lives.

                Most of the population is slim, since the diet is strongly based on vegetables and greens. According to local guides, Vietnamese people are not accustomed to walking or engaging in aerobic exercise of that kind. “Everyone you see walking is a tourist,” they joke. Most people use motorcycles even to go around the corner, they say.

                No wonder. The heat is usually unbearable. The heat index, when I was there in April, was close to 40 degrees Celsius. It needs determination to face long walks under such temperatures. Vietnamese people dislike the sun. They cover their entire bodies to avoid tanning. According to the same guides, the fairer the skin, the better. For them, maintaining completely pale skin is considered attractive and seductive.

                Another memorable experience during the trip was meeting children at the Temple of Literature. A local school had taken very young students there for a visit and for graduation photographs. They wanted to take pictures with us, the visitors, and gifted us traditional Vietnamese bracelets, removing them from their own wrists, transforming those moments through the delicacy of spontaneity.

                Another group, accompanied by their English teacher, took advantage of the fact that it was a place with a large influx of tourists to interview us. Those were extremely pleasant moments, filled with laughter and playful exchanges.

                Another highlight was the flower arrangement workshop offered by the travel agency Mundo Ásia. There we had the opportunity to discover the scents and fragrances of local flowers, as well as learn about the process of using fibers extracted from lotus flower stems to produce fabrics that strongly resemble the texture and lightness of silk.

                Our tour in Hanoi concluded with a visit to the mausoleum of Ho Chi Minh (1890–1969), a national hero, one of the key figures in Vietnam’s liberation process, and one of the leaders of the war against the United States that profoundly marked the country between the 1950s and 1970s — a subject we will discuss in another post.

                Finally, it is worth highlighting the enchanting Water Puppet Theater, which, according to tradition, originated more than 1,000 years ago. On a stage resembling a pool, a group of puppeteers accompanied by musicians and instrumentalists perform the magic of transforming small wooden characters into a spectacle that tells some of the myths and stories of the region in a very playful and humorous way. The sounds produced by those exotic instruments are a delight to the senses.

                The next stage of this journey takes place in Ninh Binh, 95 km from Hanói, where we will visit the southern region of the Red River Delta and its impressive rock formations. We will also visit the ancient royal capital of Hoa Lu, founded in the year 958.

                See you soon!

 

Versión en español

Lo primero que se observa al llegar a Hanói, capital de Vietnã, es la absurda cantidad de motocicletas. No solo por el volumen, sino también por el intenso ruido de las bocinas. Se cree que la ciudad tiene aproximadamente 7 millones de motocicletas para una población de alrededor de 8,8 millones de habitantes.

                Las motos están en todas partes, incluso en las aceras, donde permanecen estacionadas. El peatón debe conformarse con circular entre los vehículos. Cruzar una calle o avenida exige habilidad y atención, ya que ni siquiera las señales peatonales son respetadas. Con el tiempo, uno termina acostumbrándose, pero al principio parece que estamos inmersos en el caos.

                Superada esta primera impresión, la metrópoli comienza a mostrar sus otras facetas. Se trata de una localidad habitada desde hace casi 3.000 años y que, por ello, cuenta parte de la historia de Vietnam y de toda la región conocida como Indochina. Existen edificaciones de varios de esos períodos, comenzando por el fascinante Barrio Antiguo, fundado en el siglo XIII por artesanos, con sus callejuelas repletas de tiendas, templos, restaurantes y casas de masaje.

                En el barrio francés observamos varios edificios del período colonial, cuando Hanói fue la capital de Indochina. La ópera, el hotel Sofitel, la catedral y el Museo de Historia pertenecen a esa época, que se extendió durante buena parte de los siglos XIX y XX.

                El Templo de la Literatura, creado alrededor del año 1070, es la primera universidad del país, donde los hombres de la élite profundizaban sus conocimientos inspirados por la filosofía del pensador chino Confúcio (551–479 a.C.). China dominó ese territorio durante casi 1.000 años y dejó profundas huellas en la cultura vietnamita.

                La ciudad presenta plazas bellísimas, donde la tranquilidad y la organización contrastan con el tránsito caótico. Sin embargo, existe armonía en los templos y jardines que remiten a la meditación y la concentración, características muy marcadas de los pueblos orientales.

                Hanói es una ciudad vibrante, con muchos jóvenes, mucho movimiento y gran agitación. El desarrollo económico transforma los hábitos de la metrópoli y la conduce hacia una nueva dinámica internacional. Pero es evidente que los valores tradicionales siguen profundamente arraigados y continúan orientando el rumbo del progreso.

                Es muy común observar a la población alimentándose en pequeños restaurantes callejeros, sentados en sillas que parecen hechas para niños. Las personas —incluidos los ejecutivos de traje y corbata— se sientan en círculo llevando sus recipientes de sopa u otros alimentos similares, compartiendo y conversando sobre las experiencias de su vida cotidiana.

                La mayoría de la población es delgada, ya que la dieta está fuertemente basada en verduras y vegetales. Según los guías locales, los vietnamitas no tienen la costumbre de caminar ni de practicar ejercicios aeróbicos de ese tipo. “Todos los que ustedes ven caminando son turistas”, bromean. La mayoría usa la motocicleta incluso para ir a la esquina, dicen ellos.

                Y no es para menos. El calor suele ser infernal. La sensación térmica, cuando estuve allí en abril, rondaba los 40 grados Celsius. Se necesita disposición para enfrentar caminatas bajo esas temperaturas. A los vietnamitas no les gusta el sol. Cubren todo el cuerpo para evitar el bronceado. Según los mismos guías, cuanto más blanca sea la piel, mejor. Para ellos, conservar la piel completamente pálida resulta atractivo y seductor.

                Otra experiencia que nos marcó durante el viaje fue el encuentro con los niños en el Templo de la Literatura. Una escuela de la ciudad llevó a sus alumnos, todavía muy pequeños, para visitar el lugar y realizar fotografías de graduación. Ellos quisieron fotografiarse con nosotros, los visitantes, y nos regalaron pulseritas típicas de Vietnam, quitándolas de sus propias muñecas, transformando esos momentos gracias a la delicadeza de la espontaneidad.

                Otro grupo, acompañado por su profesor de inglés, aprovechó el hecho de que aquel era un lugar con gran afluencia de turistas para entrevistarnos. Fueron momentos extremadamente agradables, llenos de risas y bromas.

                Otro punto destacado fue el taller de arreglos florales ofrecido por la agencia de viajes Mundo Ásia. Allí tuvimos la oportunidad de conocer un poco de los aromas y fragancias de las flores locales, además de aprender el proceso de utilización de la fibra extraída del tallo de las flores de loto para confeccionar tejidos que recuerdan mucho la textura y la ligereza de la seda.

                El recorrido por Hanói concluyó con la visita al mausoleo de Ho Chi Minh (1890-1969), héroe nacional, uno de los articuladores del proceso de liberación de Vietnam y uno de los líderes de la guerra contra Estados Unidos que marcó profundamente al país entre las décadas de 1950 y 1970, tema del que hablaremos en otra publicación.

                Por último, vale destacar el encantador Teatro de Marionetas sobre el Agua que, según la tradición, surgió hace más de 1.000 años. En un escenario que parece una piscina, un grupo de titiriteros, acompañado por músicos e instrumentistas, realiza la magia de transformar pequeños personajes de madera en un espectáculo que relata algunos de los mitos e historias de la región de manera muy lúdica y humorística. Los sonidos extraídos de aquellos instrumentos exóticos son un verdadero deleite para los sentidos.

                La próxima etapa de este viaje tendrá lugar en Ninh Binh, a 95 km de Hanói, donde visitaremos el sur del delta del río Rojo y sus impresionantes formaciones rocosas. También conoceremos la antigua capital real de Hoa Lu, fundada en el año 958.

                ¡Hasta pronto!

Álbum de Fotografias

Profusão de motos

Soldados guardam o túmulo de Ho Chi Ming

Pelas ruas de Hanói


Decoração no interior de um restaurante

Templo

Comércio de rua

Templo

Frutas embaladas

Passeio de tuk tuk pelo Bairro Antigo


Bairro (ou quarteirão) francês






Ópera de Hanói

Escultura "Unity"



Catedral de São José (inspirada na Notre Dame)

Jovens fazem poses para a câmera do celular

Exposição de rua

Bonsai

Templo da Literatura


Entrada principal

Jardineiros

Crianças visitam o templo e interagem conosco





Entrevista em inglês

Mural de madeira conta a história de Hanói





Lagoa Central e Ponte Vermelha








Oficina de arranjo floral


Parede enfeitada de chumaços de incenso


Arranjo floral criado por Wagner




Túmulo de Ho Chi Minh

Casas-tubo: característica das construções locais

Teatro de Marionetes na Água









Delicadas fibras extraídas do caule da flor de lótus
para produzir tecidos que se parecem com a seda



Sudeste Asiático Parte III: Halong e Ninh Binh

  No barco, passeando pela Baía de Halong, no Vietnã Foto de Wagner Cosse Confira as fotos no final do texto Clique nas fotos para ampliá-la...