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| No Templo Branco, em Chiang Rai |
Textos em português, inglês e espanhol
No final dos textos, confira as fotos da viagem
Clique nas fotos para ampliá-las
Chegamos
ao 16º dia da viagem ao Sudeste Asiático. Estamos (Wagner, meu companheiro de
viagem, e eu) na Tailândia, um dos países que mais recebem turistas no
mundo, graças às suas belezas naturais e à proximidade com a China e a Índia,
dois gigantes que concentram quase um terço da população mundial.
No
entanto, o que mais me atrai nesse país são seus templos. Oficialmente, segundo
o Escritório Nacional do Budismo, a Tailândia possui 44 mil templos
dessa filosofia. Ou seja, seriam necessários anos e anos para visitar todos.
Nós conhecemos alguns dos mais belos.
Existe
um passeio, com duração de aproximadamente 12 horas (ida e volta), que sai de
Chiang Mai bem cedinho e percorre 187 km até Chiang Rai. No caminho,
temos a oportunidade de conhecer algumas dessas maravilhas. O grupo era todo
formado por brasileiros, desde a guia, Giovana (que mora atualmente na
Tailândia), até os passageiros.
É
bom ressaltar que, ao contrário de muitos templos antigos, os que estamos
visitando são relativamente modernos, ou seja, foram construídos nas últimas
décadas.
Mulheres-girafa
No
percurso, fizemos uma parada na famosa aldeia das mulheres-girafa da
tribo Kayan Lahwi (também conhecida como Padaung). Elas usam espirais de latão
para alongar o pescoço. O adereço é inserido ainda na infância, por volta dos
seis anos de idade, e vai ganhando novas espirais à medida que elas envelhecem.
O
alongamento tem vários significados. Além de ser um símbolo de beleza e
status, representa uma forte identidade cultural e étnica desse povo nômade
que, por muitos anos, não teve um local fixo para se estabelecer. Outras
correntes também indicam que ele servia como proteção. Uma das crenças
populares é que os anéis eram usados para defender a garganta das mulheres
contra ataques de tigres.
Atualmente,
o ornamento é uma forma de sobrevivência financeira da aldeia, já que se
tornou uma atração exótica para os turistas. O lugarejo é um verdadeiro
mercado, com muitas barracas de artesanato a preços bem acessíveis. O principal
artigo são os tecidos produzidos em teares manuais, tradição mantida há muitas
gerações.
Vimos
poucos homens da tribo. A maioria deles, segundo nossa guia, trabalha nas
plantações e no pastoreio e passa boa parte do tempo fora de casa.
Chamou
nossa atenção a forma como eles cultivam suas hortaliças e frutas, entremeadas
por pés de cannabis, utilizada em seus rituais.
Cafeteria
tropical
Outra
parada foi no Lalitta Café, construído por um grupo chinês. A cafeteria
simula uma floresta tropical, com quedas-d’água, plantas, flores e muitas
estátuas. Com efeitos especiais de luzes e fumaça, além de um sistema de
umidificação do ar, o resultado é fantástico. O local virou atração turística e
ponto obrigatório para fotografias.
Templos de Chiang Rai
Retornando
aos templos, fizemos três paradas. Na primeira delas, conhecemos o Wat
Huay Pla Kang. O complexo combina arte tailandesa e chinesa, com um templo
e um pagode de 49 metros de altura. No alto de um morro, fica a estátua da Deusa
da Misericórdia, com aproximadamente 90 metros de altura. É possível
ingressar no interior da estátua com a ajuda de um elevador. Seus olhos vazados
transformam-se em um mirante, de onde se avista a paisagem local.
Foi
o monge budista Phop Chok Tissuwaso quem teve a ideia de criar essa
obra, inaugurada em 2007. Ao longo desses quase 20 anos, ele transformou o
local em um polo de assistência social, fornecendo abrigo, suporte e educação
para órfãos, idosos e pessoas carentes da região. O monge vive no local e, por
vezes, é visto entre os visitantes.
Templo
Azul
A
próxima parada foi o Wat Rong Suea Ten, ou Templo Azul, construído sobre
um antigo vilarejo onde tigres corriam livremente, o que originou seu nome, que
significa “Casa do Tigre Dançante”. O interior abriga uma grande estátua de
Buda em mármore branco.
O
conjunto atual foi construído entre 2005 e 2016 por artesãos da região, que
aprenderam as técnicas milenares desse tipo de edificação. É uma profusão de
cores dominada pelos tons azul e dourado. São fontes, ninfas, estátuas e
cachoeiras artificiais que adornam todo o complexo, riquíssimo em detalhes.
Templo Branco
A
próxima e última parada aconteceu no Wat Rong Khun, ou Templo Branco, a
principal atração de Chiang Rai. Ele foi criado pelo artista visual tailandês Chalermchai
Kositpipat, nascido em 1955. O criador misturou a filosofia budista com
influências da cultura pop, gerando um resultado belo e intrigante. Ficamos
absorvidos por tantos e curiosos detalhes.
O
branco é a cor dominante, mas também há espaço para o dourado e para muitos
espelhos. O espaço é muito bem cuidado, com um gramado verdejante e muitas
árvores. Em algumas esculturas, podemos contribuir com mensagens que remetam à
alegria, à felicidade e à prosperidade. Escrevemos o texto em uma folha de
metal, comprada na loja local, e depois a dependuramos nas esculturas.
Trata-se
da obra-prima de Kositpipat, famoso por trabalhos polêmicos ao redor do mundo,
principalmente aqueles relacionados a templos budistas, diante dos quais os
mais tradicionalistas torcem o nariz. Nesse caso, segundo a guia que nos
acompanhou na excursão, a obra foi bancada com recursos próprios do artista, o
que garantiu sua total liberdade de criação.
Dos
templos visitados naquele dia, foi o único para o qual tivemos de pagar
ingresso. E posso dizer que vale cada centavo investido!
Termino
aqui esta postagem. Continuaremos na Tailândia. A próxima parada será nas
praias de Phuket. Até lá!
English version
We
have reached the 16th
day of our journey through Southeast Asia. Wagner, my travel
companion, and I are in Thailand,
one of the countries that receives the largest number of tourists in the world,
thanks to its natural beauty and its proximity to China and India,
two giants that together account for nearly one-third of the world's
population.
However,
what fascinates me most about this country is its Buddhist temples.
Officially, according to the National Office of Buddhism, Thailand has 44,000 temples.
In other words, it would take years and years to visit them all. We had the
opportunity to see some of the most beautiful ones.
There
is an excursion lasting approximately 12
hours round trip that leaves Chiang Mai early in the morning
and travels 187 kilometers to Chiang Rai. Along the way, visitors can discover
some of these remarkable sites. Our entire group was made up of Brazilians,
from our guide, Giovana, who currently lives in Thailand, to all the
passengers.
It
is worth noting that, unlike many ancient temples, the ones we visited are relatively modern,
having been built over the last few decades.
Long-neck women
Along
the route, we stopped at the famous village of the Kayan Lahwi (Padaung) “long-neck
women.” They wear brass coils around their necks from
childhood, gradually adding more rings as they grow older.
The
practice carries several meanings. Besides being a symbol of beauty and social
status, it represents a strong cultural
and ethnic identity. Some traditions also suggest that the
rings served as protection, including against tiger attacks.
Today,
the ornament has become an important source of income for the village, which
attracts tourists from around the world. The settlement resembles a large
handicraft market, where visitors can purchase textiles produced on traditional hand looms,
a craft preserved for generations.
We
saw only a few men in the village. According to our guide, most work in
agriculture and livestock activities, spending much of their time away from
home.
We
were also surprised to see vegetables and fruit trees growing alongside cannabis plants,
which are used in local rituals.
Tropical
café
Another
stop was the Lalitta
Café, built by a Chinese group. The café recreates a tropical
rainforest environment with waterfalls, flowers, plants, statues, mist effects,
and humidified air. The result is spectacular, making it a popular tourist
attraction and photography spot.
Chiang
Rai temples
Returning
to the temples, our first visit was to Wat
Huay Pla Kang. The complex combines Thai and Chinese
architecture and features a pagoda rising 49 meters high. On a nearby hill
stands the impressive 90-meter-tall
statue of the Goddess of Mercy. Visitors can take an elevator
inside the statue and enjoy panoramic views through openings in its eyes.
The
project was conceived by the Buddhist monk Phop Chok Tissuwaso and inaugurated
in 2007. Over nearly two decades, the site has evolved into an important social
assistance center that provides shelter, support, and education for orphans,
elderly people, and low-income residents.
Blue
Temple
Our
next stop was Wat
Rong Suea Ten (the Blue Temple), built on the site of an old
village where tigers once roamed freely. The temple’s name means “House of the Dancing Tiger.”
Inside, visitors can admire a magnificent white marble Buddha.
Built
between 2005 and 2016, the temple complex is a vibrant display of blue and gold colors,
featuring fountains, mythical figures, statues, and artificial waterfalls, all
richly decorated with intricate details.
White Temple
Our
final destination was Wat
Rong Khun (the White Temple), the most famous attraction in
Chiang Rai. It was created by Thai visual artist Chalermchai Kositpipat,
who blended Buddhist philosophy with elements of popular culture, producing a
fascinating and unique masterpiece.
White
is the dominant color, complemented by golden structures and countless mirrors.
The grounds are impeccably maintained, with lush lawns and beautiful trees.
Visitors can leave messages of joy,
happiness, and prosperity on metal plaques that are later hung
among the sculptures.
The
White Temple is considered Kositpipat’s masterpiece. According to our guide,
the artist financed the project himself, ensuring complete creative freedom. Of
all the temples we visited that day, it was the only one that required an
admission ticket—and I can confidently say that it was worth every penny.
This concludes today’s
travel diary. We will continue our adventure in Thailand, with our next
destination being the beautiful beaches of Phuket. See you there!
Versión en español
Hemos llegado al día 16 de nuestro viaje por el Sudeste Asiático. Wagner, mi compañero de viaje, y yo estamos en Tailandia, uno de los países que más turistas recibe en el mundo, gracias a sus bellezas naturales y a su cercanía con China e India, dos gigantes que concentran casi un tercio de la población mundial.
Sin
embargo, lo que más me atrae de este país son sus templos budistas.
Oficialmente, según la Oficina Nacional del Budismo, Tailandia cuenta con 44.000 templos.
Es decir, harían falta años para visitarlos todos. Nosotros tuvimos la
oportunidad de conocer algunos de los más hermosos.
Existe
una excursión de aproximadamente 12
horas ida y vuelta que sale muy temprano de Chiang Mai y
recorre 187 kilómetros hasta Chiang Rai. Durante el trayecto, es posible
descubrir algunas de estas maravillas. Todo nuestro grupo estaba formado por
brasileños, desde nuestra guía, Giovana, que actualmente vive en Tailandia,
hasta los demás pasajeros.
Cabe
destacar que, a diferencia de muchos templos antiguos, los que visitamos son relativamente modernos,
construidos en las últimas décadas.
Mujeres jirafa
En
el camino hicimos una parada en la famosa aldea de las mujeres jirafa de la tribu Kayan
Lahwi (Padaung). Ellas utilizan espirales de latón alrededor
del cuello desde la infancia y van agregando más anillos a medida que crecen.
Esta
práctica tiene varios significados. Además de representar belleza y estatus
social, constituye una fuerte identidad
cultural y étnica. Algunas tradiciones también sostienen que
los anillos servían como protección, incluso contra los ataques de tigres.
Actualmente,
este adorno se ha convertido en una importante fuente de ingresos para la
aldea, ya que atrae turistas de todo el mundo. El lugar funciona como un gran
mercado artesanal donde se venden tejidos elaborados en telares tradicionales,
una tradición conservada durante generaciones.
Vimos
pocos hombres en la comunidad. Según nuestra guía, la mayoría trabaja en
actividades agrícolas y ganaderas, pasando gran parte del tiempo fuera de casa.
También
nos llamó la atención ver cultivos de frutas y verduras mezclados con plantas de cannabis,
utilizadas en rituales locales.
Cafetería
tropical
Otra
parada fue el Lalitta
Café, construido por un grupo chino. La cafetería recrea un
bosque tropical con cascadas, flores, plantas, estatuas, efectos de niebla y
aire humidificado. El resultado es espectacular, convirtiéndolo en una de las
atracciones turísticas más fotografiadas de la región.
Templos
de Chiang Rai
De
regreso a los templos, nuestra primera visita fue al Wat Huay Pla Kang.
El complejo combina arquitectura tailandesa y china e incluye una pagoda de 49
metros de altura. En la cima de una colina se encuentra la impresionante estatua de la Diosa de la
Misericordia, de aproximadamente 90 metros de altura. Los
visitantes pueden subir al interior mediante un ascensor y disfrutar de vistas
panorámicas desde sus ojos.
La
obra fue concebida por el monje budista Phop
Chok Tissuwaso e inaugurada en 2007. Con el paso de los años,
el lugar se transformó en un importante centro de asistencia social para
huérfanos, ancianos y personas necesitadas.
Templo Azul
La
siguiente parada fue el Wat
Rong Suea Ten (Templo Azul), construido sobre un antiguo
poblado donde los tigres corrían libremente. Su nombre significa “Casa del Tigre Danzante”.
En su interior destaca una magnífica estatua de Buda de mármol blanco.
Construido
entre 2005 y 2016, el complejo deslumbra por sus intensos tonos azules y dorados,
además de fuentes, figuras mitológicas, estatuas y cascadas artificiales llenas
de detalles.
Templo Blanco
Nuestra
última visita fue al Wat
Rong Khun (Templo Blanco), la principal atracción de Chiang
Rai. Fue creado por el artista visual tailandés Chalermchai Kositpipat, quien
combinó la filosofía budista con elementos de la cultura popular, dando como
resultado una obra fascinante y única.
El
blanco domina el conjunto, acompañado por estructuras doradas y miles de
espejos. Los jardines están impecablemente cuidados, con césped verde y
abundantes árboles. Los visitantes pueden dejar mensajes de alegría, felicidad y prosperidad
en placas metálicas que luego se cuelgan entre las esculturas.
El
Templo Blanco es considerado la obra maestra de Kositpipat. Según nuestra guía,
el artista financió personalmente el proyecto, lo que le permitió gozar de
total libertad creativa. De todos los templos visitados ese día, fue el único
que exigió entrada, y puedo afirmar que valió
cada centavo invertido.
Aquí termina esta
crónica. Continuaremos nuestro recorrido por Tailandia. Nuestro próximo destino
serán las hermosas playas de Phuket.
¡Hasta la próxima!
FOTOS
Mulheres-girafa
| Wagner segura a sequencia de aneis que a mulher pode alcançar na velhice |
| Tecidos criados pelas artesãos locais |
| Pés de cannabis entre as hortaliças |
Café Tropical
| Wagner, no meio da paisagem tropical |
| Visual apreciado dos olhos da Deusa |
| Wagner em frente a um dos templos |
| Escadaria monumental |
| Deusa da Misericórdia: 90 metros |
| Pagode: 46 metros |
Templo Azul
| Interior do templo |
| Pinturas internas |
| Detalhe da fachada |
| Estátua de Buda em mármore branco |
| Vista do templo principal |
Templo Branco
| Fachada principal |
| Figuras da cultura pop fazem parte do acervo |
| Wagner e eu em uma das fachadas do templo |
| Jardins do templo |
| Gruta artificial |
| Wagner deposita sua oferenda na árvore-escultura |
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| Desejando boas novas para o "ano novo" |



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