segunda-feira, 22 de junho de 2026

Sudeste Asiático Parte VIII: Os templos de Chiang Rai

 

No Templo Branco, em Chiang Rai

Textos em português, inglês e espanhol
No final dos textos, confira as fotos da viagem
Clique nas fotos para ampliá-las

Chegamos ao 16º dia da viagem ao Sudeste Asiático. Estamos (Wagner, meu companheiro de viagem, e eu) na Tailândia, um dos países que mais recebem turistas no mundo, graças às suas belezas naturais e à proximidade com a China e a Índia, dois gigantes que concentram quase um terço da população mundial.

No entanto, o que mais me atrai nesse país são seus templos. Oficialmente, segundo o Escritório Nacional do Budismo, a Tailândia possui 44 mil templos dessa filosofia. Ou seja, seriam necessários anos e anos para visitar todos. Nós conhecemos alguns dos mais belos.

Existe um passeio, com duração de aproximadamente 12 horas (ida e volta), que sai de Chiang Mai bem cedinho e percorre 187 km até Chiang Rai. No caminho, temos a oportunidade de conhecer algumas dessas maravilhas. O grupo era todo formado por brasileiros, desde a guia, Giovana (que mora atualmente na Tailândia), até os passageiros.

É bom ressaltar que, ao contrário de muitos templos antigos, os que estamos visitando são relativamente modernos, ou seja, foram construídos nas últimas décadas.

Mulheres-girafa

No percurso, fizemos uma parada na famosa aldeia das mulheres-girafa da tribo Kayan Lahwi (também conhecida como Padaung). Elas usam espirais de latão para alongar o pescoço. O adereço é inserido ainda na infância, por volta dos seis anos de idade, e vai ganhando novas espirais à medida que elas envelhecem.

O alongamento tem vários significados. Além de ser um símbolo de beleza e status, representa uma forte identidade cultural e étnica desse povo nômade que, por muitos anos, não teve um local fixo para se estabelecer. Outras correntes também indicam que ele servia como proteção. Uma das crenças populares é que os anéis eram usados para defender a garganta das mulheres contra ataques de tigres.

Atualmente, o ornamento é uma forma de sobrevivência financeira da aldeia, já que se tornou uma atração exótica para os turistas. O lugarejo é um verdadeiro mercado, com muitas barracas de artesanato a preços bem acessíveis. O principal artigo são os tecidos produzidos em teares manuais, tradição mantida há muitas gerações.

Vimos poucos homens da tribo. A maioria deles, segundo nossa guia, trabalha nas plantações e no pastoreio e passa boa parte do tempo fora de casa.

Chamou nossa atenção a forma como eles cultivam suas hortaliças e frutas, entremeadas por pés de cannabis, utilizada em seus rituais.

Cafeteria tropical

Outra parada foi no Lalitta Café, construído por um grupo chinês. A cafeteria simula uma floresta tropical, com quedas-d’água, plantas, flores e muitas estátuas. Com efeitos especiais de luzes e fumaça, além de um sistema de umidificação do ar, o resultado é fantástico. O local virou atração turística e ponto obrigatório para fotografias.

Templos de Chiang Rai

Retornando aos templos, fizemos três paradas. Na primeira delas, conhecemos o Wat Huay Pla Kang. O complexo combina arte tailandesa e chinesa, com um templo e um pagode de 49 metros de altura. No alto de um morro, fica a estátua da Deusa da Misericórdia, com aproximadamente 90 metros de altura. É possível ingressar no interior da estátua com a ajuda de um elevador. Seus olhos vazados transformam-se em um mirante, de onde se avista a paisagem local.

Foi o monge budista Phop Chok Tissuwaso quem teve a ideia de criar essa obra, inaugurada em 2007. Ao longo desses quase 20 anos, ele transformou o local em um polo de assistência social, fornecendo abrigo, suporte e educação para órfãos, idosos e pessoas carentes da região. O monge vive no local e, por vezes, é visto entre os visitantes.

Templo Azul

A próxima parada foi o Wat Rong Suea Ten, ou Templo Azul, construído sobre um antigo vilarejo onde tigres corriam livremente, o que originou seu nome, que significa “Casa do Tigre Dançante”. O interior abriga uma grande estátua de Buda em mármore branco.

O conjunto atual foi construído entre 2005 e 2016 por artesãos da região, que aprenderam as técnicas milenares desse tipo de edificação. É uma profusão de cores dominada pelos tons azul e dourado. São fontes, ninfas, estátuas e cachoeiras artificiais que adornam todo o complexo, riquíssimo em detalhes.

Templo Branco

A próxima e última parada aconteceu no Wat Rong Khun, ou Templo Branco, a principal atração de Chiang Rai. Ele foi criado pelo artista visual tailandês Chalermchai Kositpipat, nascido em 1955. O criador misturou a filosofia budista com influências da cultura pop, gerando um resultado belo e intrigante. Ficamos absorvidos por tantos e curiosos detalhes.

O branco é a cor dominante, mas também há espaço para o dourado e para muitos espelhos. O espaço é muito bem cuidado, com um gramado verdejante e muitas árvores. Em algumas esculturas, podemos contribuir com mensagens que remetam à alegria, à felicidade e à prosperidade. Escrevemos o texto em uma folha de metal, comprada na loja local, e depois a dependuramos nas esculturas.

Trata-se da obra-prima de Kositpipat, famoso por trabalhos polêmicos ao redor do mundo, principalmente aqueles relacionados a templos budistas, diante dos quais os mais tradicionalistas torcem o nariz. Nesse caso, segundo a guia que nos acompanhou na excursão, a obra foi bancada com recursos próprios do artista, o que garantiu sua total liberdade de criação.

Dos templos visitados naquele dia, foi o único para o qual tivemos de pagar ingresso. E posso dizer que vale cada centavo investido!

Termino aqui esta postagem. Continuaremos na Tailândia. A próxima parada será nas praias de Phuket. Até lá!

 

English version

We have reached the 16th day of our journey through Southeast Asia. Wagner, my travel companion, and I are in Thailand, one of the countries that receives the largest number of tourists in the world, thanks to its natural beauty and its proximity to China and India, two giants that together account for nearly one-third of the world's population.

However, what fascinates me most about this country is its Buddhist temples. Officially, according to the National Office of Buddhism, Thailand has 44,000 temples. In other words, it would take years and years to visit them all. We had the opportunity to see some of the most beautiful ones.

There is an excursion lasting approximately 12 hours round trip that leaves Chiang Mai early in the morning and travels 187 kilometers to Chiang Rai. Along the way, visitors can discover some of these remarkable sites. Our entire group was made up of Brazilians, from our guide, Giovana, who currently lives in Thailand, to all the passengers.

It is worth noting that, unlike many ancient temples, the ones we visited are relatively modern, having been built over the last few decades.

Long-neck women

Along the route, we stopped at the famous village of the Kayan Lahwi (Padaung) “long-neck women.” They wear brass coils around their necks from childhood, gradually adding more rings as they grow older.

The practice carries several meanings. Besides being a symbol of beauty and social status, it represents a strong cultural and ethnic identity. Some traditions also suggest that the rings served as protection, including against tiger attacks.

Today, the ornament has become an important source of income for the village, which attracts tourists from around the world. The settlement resembles a large handicraft market, where visitors can purchase textiles produced on traditional hand looms, a craft preserved for generations.

We saw only a few men in the village. According to our guide, most work in agriculture and livestock activities, spending much of their time away from home.

We were also surprised to see vegetables and fruit trees growing alongside cannabis plants, which are used in local rituals.

Tropical café

Another stop was the Lalitta Café, built by a Chinese group. The café recreates a tropical rainforest environment with waterfalls, flowers, plants, statues, mist effects, and humidified air. The result is spectacular, making it a popular tourist attraction and photography spot.

Chiang Rai temples

Returning to the temples, our first visit was to Wat Huay Pla Kang. The complex combines Thai and Chinese architecture and features a pagoda rising 49 meters high. On a nearby hill stands the impressive 90-meter-tall statue of the Goddess of Mercy. Visitors can take an elevator inside the statue and enjoy panoramic views through openings in its eyes.

The project was conceived by the Buddhist monk Phop Chok Tissuwaso and inaugurated in 2007. Over nearly two decades, the site has evolved into an important social assistance center that provides shelter, support, and education for orphans, elderly people, and low-income residents.

Blue Temple

Our next stop was Wat Rong Suea Ten (the Blue Temple), built on the site of an old village where tigers once roamed freely. The temple’s name means “House of the Dancing Tiger.” Inside, visitors can admire a magnificent white marble Buddha.

Built between 2005 and 2016, the temple complex is a vibrant display of blue and gold colors, featuring fountains, mythical figures, statues, and artificial waterfalls, all richly decorated with intricate details.

White Temple

Our final destination was Wat Rong Khun (the White Temple), the most famous attraction in Chiang Rai. It was created by Thai visual artist Chalermchai Kositpipat, who blended Buddhist philosophy with elements of popular culture, producing a fascinating and unique masterpiece.

White is the dominant color, complemented by golden structures and countless mirrors. The grounds are impeccably maintained, with lush lawns and beautiful trees. Visitors can leave messages of joy, happiness, and prosperity on metal plaques that are later hung among the sculptures.

The White Temple is considered Kositpipat’s masterpiece. According to our guide, the artist financed the project himself, ensuring complete creative freedom. Of all the temples we visited that day, it was the only one that required an admission ticket—and I can confidently say that it was worth every penny.

This concludes today’s travel diary. We will continue our adventure in Thailand, with our next destination being the beautiful beaches of Phuket. See you there!


Versión en español

Hemos llegado al día 16 de nuestro viaje por el Sudeste Asiático. Wagner, mi compañero de viaje, y yo estamos en Tailandia, uno de los países que más turistas recibe en el mundo, gracias a sus bellezas naturales y a su cercanía con China e India, dos gigantes que concentran casi un tercio de la población mundial.

Sin embargo, lo que más me atrae de este país son sus templos budistas. Oficialmente, según la Oficina Nacional del Budismo, Tailandia cuenta con 44.000 templos. Es decir, harían falta años para visitarlos todos. Nosotros tuvimos la oportunidad de conocer algunos de los más hermosos.

Existe una excursión de aproximadamente 12 horas ida y vuelta que sale muy temprano de Chiang Mai y recorre 187 kilómetros hasta Chiang Rai. Durante el trayecto, es posible descubrir algunas de estas maravillas. Todo nuestro grupo estaba formado por brasileños, desde nuestra guía, Giovana, que actualmente vive en Tailandia, hasta los demás pasajeros.

Cabe destacar que, a diferencia de muchos templos antiguos, los que visitamos son relativamente modernos, construidos en las últimas décadas.

Mujeres jirafa

En el camino hicimos una parada en la famosa aldea de las mujeres jirafa de la tribu Kayan Lahwi (Padaung). Ellas utilizan espirales de latón alrededor del cuello desde la infancia y van agregando más anillos a medida que crecen.

Esta práctica tiene varios significados. Además de representar belleza y estatus social, constituye una fuerte identidad cultural y étnica. Algunas tradiciones también sostienen que los anillos servían como protección, incluso contra los ataques de tigres.

Actualmente, este adorno se ha convertido en una importante fuente de ingresos para la aldea, ya que atrae turistas de todo el mundo. El lugar funciona como un gran mercado artesanal donde se venden tejidos elaborados en telares tradicionales, una tradición conservada durante generaciones.

Vimos pocos hombres en la comunidad. Según nuestra guía, la mayoría trabaja en actividades agrícolas y ganaderas, pasando gran parte del tiempo fuera de casa.

También nos llamó la atención ver cultivos de frutas y verduras mezclados con plantas de cannabis, utilizadas en rituales locales.

Cafetería tropical

Otra parada fue el Lalitta Café, construido por un grupo chino. La cafetería recrea un bosque tropical con cascadas, flores, plantas, estatuas, efectos de niebla y aire humidificado. El resultado es espectacular, convirtiéndolo en una de las atracciones turísticas más fotografiadas de la región.

Templos de Chiang Rai

De regreso a los templos, nuestra primera visita fue al Wat Huay Pla Kang. El complejo combina arquitectura tailandesa y china e incluye una pagoda de 49 metros de altura. En la cima de una colina se encuentra la impresionante estatua de la Diosa de la Misericordia, de aproximadamente 90 metros de altura. Los visitantes pueden subir al interior mediante un ascensor y disfrutar de vistas panorámicas desde sus ojos.

La obra fue concebida por el monje budista Phop Chok Tissuwaso e inaugurada en 2007. Con el paso de los años, el lugar se transformó en un importante centro de asistencia social para huérfanos, ancianos y personas necesitadas.

Templo Azul

La siguiente parada fue el Wat Rong Suea Ten (Templo Azul), construido sobre un antiguo poblado donde los tigres corrían libremente. Su nombre significa “Casa del Tigre Danzante”. En su interior destaca una magnífica estatua de Buda de mármol blanco.

Construido entre 2005 y 2016, el complejo deslumbra por sus intensos tonos azules y dorados, además de fuentes, figuras mitológicas, estatuas y cascadas artificiales llenas de detalles.

Templo Blanco

Nuestra última visita fue al Wat Rong Khun (Templo Blanco), la principal atracción de Chiang Rai. Fue creado por el artista visual tailandés Chalermchai Kositpipat, quien combinó la filosofía budista con elementos de la cultura popular, dando como resultado una obra fascinante y única.

El blanco domina el conjunto, acompañado por estructuras doradas y miles de espejos. Los jardines están impecablemente cuidados, con césped verde y abundantes árboles. Los visitantes pueden dejar mensajes de alegría, felicidad y prosperidad en placas metálicas que luego se cuelgan entre las esculturas.

El Templo Blanco es considerado la obra maestra de Kositpipat. Según nuestra guía, el artista financió personalmente el proyecto, lo que le permitió gozar de total libertad creativa. De todos los templos visitados ese día, fue el único que exigió entrada, y puedo afirmar que valió cada centavo invertido.

Aquí termina esta crónica. Continuaremos nuestro recorrido por Tailandia. Nuestro próximo destino serán las hermosas playas de Phuket. ¡Hasta la próxima!

FOTOS

Mulheres-girafa



Wagner segura a sequencia de aneis que a mulher
pode alcançar na velhice

Tecidos criados pelas artesãos locais





Pés de cannabis entre as hortaliças


Café Tropical





Wagner, no meio da paisagem tropical




Wat Huay Pla Kang


Visual apreciado dos olhos da Deusa

Wagner em frente a um dos templos



Escadaria monumental

Deusa da Misericórdia: 90 metros


Pagode: 46 metros

Templo Azul




Interior do templo

Pinturas internas

Detalhe da fachada


Estátua de Buda em mármore branco

Vista do templo principal

Templo Branco



Fachada principal

Figuras da cultura pop fazem parte do acervo










Wagner e eu em uma das fachadas do templo



Jardins do templo

Gruta artificial





Wagner deposita sua oferenda na árvore-escultura

Desejando boas novas para o "ano novo"

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