quarta-feira, 10 de junho de 2026

Sudeste Asiático Parte VII: Chiang Mai e Santuário dos Elefantes na Tailândia

 

No interior do "templo dos homens", em Chiang Mai

Textos em português, inglês e espanhol
No final dos textos, confira as fotos da viagem
Clique nas fotos para ampliá-las


Depois de uma passagem pelo Vietnã e pelo Camboja, iniciamos a terceira fase de nossa viagem pelo Sudeste Asiático, agora visitando a Tailândia. Chegamos ao país no dia 12 de abril de 2026.

Aportamos em Chiang Mai, uma importante cidade do norte do país, situada a 800 km da capital, Bangkok. Trata-se da segunda maior aglomeração urbana da Tailândia, com cerca de 1,2 milhão de habitantes. Fundada em 1294, a “Rosa do Norte” conserva vários templos em sua área central, inclusive o Chedi Luang, do século XIV.

Quando chegamos à cidade, o país celebrava o Ano-Novo tailandês (Songkran), cuja festividade foi realizada entre os dias 13 e 15 de abril. A Tailândia entrou no ano de 2569, de acordo com o calendário chinês. A população comemorava com festas, procissões e cerimônias.

A manifestação mais inusitada era a guerra de água travada nas ruas, com pessoas de todas as idades portando armas de plástico que jorravam água. Quem passasse pela mira recebia um banho dos pés à cabeça. Lembra um pouco o Carnaval, mas com o espírito de crianças sapecas aprontando com seus amigos.

Até mesmo nós, os visitantes, éramos alvo das brincadeiras. E salve-se quem puder. Só fiquei um pouco alarmado quando notei que alguns retiravam água do rio local para abastecer suas metralhadoras aquáticas. Pelo menos as águas dali não eram tão poluídas quanto as do pobre Arrudas, em Belo Horizonte, onde vivo.

Aos domingos à noite, realiza-se uma feira na área central da cidade, nos arredores dos principais templos. Ela reúne roupas, artesanato, comidas típicas e diversos tipos de mercadorias. Os preços são muito convidativos. Muitos turistas passam por ali, além da população local.

Como acontecia o Songkran, as ruas estavam mais enfeitadas do que o habitual, com muita cor, luz e bandeirinhas. Os templos são deslumbrantes e, com a iluminação noturna, ficavam ainda mais atraentes. Um verdadeiro festival para todos os sentidos.

Santuário dos Elefantes

De Chiang Mai fomos para um santuário de elefantes. Aliás, um entre vários existentes nas cercanias da cidade. No nosso caso, visitamos o Elephant Jungle Sanctuary, localizado em uma região de florestas e montanhas, a aproximadamente uma hora e meia de carro da cidade. Lá vivem elefantes tailandeses, que são menores do que os africanos.

Durante a visita, os participantes são convidados a alimentar os animais, brincar com eles, assistir ao banho de lama e até participar dele, além de observar seu comportamento. Em determinado momento, utilizamos as tradicionais vestimentas Karen, confeccionadas com técnicas de tecelagem típicas da região. Guias acompanham o percurso, facilitam os deslocamentos e garantem a segurança dos visitantes.

Encerramos aqui esta postagem. Na próxima, visitaremos Chiang Rai e conheceremos alguns dos templos mais belos do país.

 English Version

After traveling through Vietnam and Cambodia, we began the third stage of our journey through Southeast Asia, this time visiting Thailand. We arrived in the country on April 12, 2026.

We landed in Chiang Mai, an important city in northern Thailand, located about 800 kilometers from the capital, Bangkok. It is the country's second-largest urban area, with approximately 1.2 million inhabitants. Founded in 1296, the “Rose of the North” preserves several temples in its historic center, including the 14th-century Chedi Luang.

When we arrived in the city, the country was celebrating the Thai New Year (Songkran), a festival held from April 13 to 15. Thailand had entered the year 2569 according to the Buddhist calendar. The population celebrated with festivals, processions, and religious ceremonies.

The most unusual tradition was the water battles that took place in the streets, with people of all ages carrying plastic water guns. Anyone who crossed their line of sight would receive a soaking from head to toe. It is somewhat reminiscent of Carnival, but with the playful spirit of mischievous children having fun with their friends.

Even we, the visitors, became targets of the festivities. Every person for themselves! I became slightly concerned when I noticed that some participants were drawing water directly from the local river to refill their water guns. At least the river there was not as polluted as the poor Arrudas River in Belo Horizonte, where I live.

On Sunday evenings, a market takes place in the city center, around the main temples. It brings together clothing, handicrafts, local foods, and a wide variety of goods. Prices are very attractive. In addition to local residents, many tourists also visit the market.

Because Songkran was taking place, the streets were more decorated than usual, filled with colors, lights, and festive flags. The temples are breathtaking and become even more attractive when illuminated at night. A true feast for all the senses.

Elephant Sanctuary

From Chiang Mai, we traveled to an elephant sanctuary. In fact, just one among several located in the surrounding area. In our case, we visited the Elephant Jungle Sanctuary, situated in a mountainous and forested region about an hour and a half from the city by car. It is home to Thai elephants, which are smaller than their African counterparts.

During the visit, participants are invited to feed the animals, interact with them, watch their mud bath, and even take part in it, while observing their behavior. At one point, we wore traditional Karen clothing, made using weaving techniques typical of the region. Guides accompany visitors throughout the experience, facilitating movement and ensuring everyone's safety.

This concludes our post. In the next one, we will visit Chiang Rai and discover some of the most beautiful temples in the country.

 

Versión en Español

Después de nuestro paso por Vietnam y Camboya, iniciamos la tercera etapa de nuestro viaje por el Sudeste Asiático, esta vez visitando Tailandia. Llegamos al país el 12 de abril de 2026.

Arribamos a Chiang Mai, una importante ciudad del norte de Tailandia, ubicada a unos 800 kilómetros de la capital, Bangkok. Se trata de la segunda mayor aglomeración urbana del país, con aproximadamente 1,2 millones de habitantes. Fundada en 1296, la “Rosa del Norte” conserva varios templos en su centro histórico, entre ellos el Chedi Luang, del siglo XIV.

Cuando llegamos a la ciudad, el país celebraba el Año Nuevo tailandés (Songkran), una festividad que se lleva a cabo del 13 al 15 de abril. Tailandia había entrado en el año 2569 según el calendario budista. La población festejaba con celebraciones, procesiones y ceremonias religiosas.

La tradición más llamativa era la guerra de agua que se desarrollaba en las calles, con personas de todas las edades portando pistolas de plástico que lanzaban agua. Quien pasara por delante terminaba empapado de pies a cabeza. Recuerda un poco al Carnaval, pero con el espíritu travieso de niños que se divierten haciendo bromas a sus amigos.

Incluso nosotros, los visitantes, nos convertimos en blancos de las bromas. ¡Sálvese quien pueda! Me preocupó un poco ver que algunas personas sacaban agua directamente del río local para recargar sus pistolas de agua. Al menos las aguas de ese río no estaban tan contaminadas como las del pobre río Arrudas, en Belo Horizonte, donde vivo.

Los domingos por la noche se realiza un mercado en la zona céntrica de la ciudad, alrededor de los principales templos. Allí se reúnen vendedores de ropa, artesanías, comidas típicas y una gran variedad de productos. Los precios son muy atractivos. Además de la población local, muchos turistas visitan el lugar.

Como se celebraba el Songkran, las calles estaban más adornadas de lo habitual, llenas de colores, luces y banderines. Los templos son deslumbrantes y, con la iluminación nocturna, resultan aún más atractivos. Un verdadero festival para todos los sentidos.

Santuario de Elefantes

Desde Chiang Mai nos dirigimos a un santuario de elefantes. En realidad, a uno de los varios que existen en los alrededores de la ciudad. En nuestro caso, visitamos el Elephant Jungle Sanctuary, ubicado en una región de bosques y montañas a aproximadamente una hora y media en automóvil. Allí viven elefantes tailandeses, que son más pequeños que los africanos.

Durante la visita, los participantes son invitados a alimentar a los animales, interactuar con ellos, observar su baño de barro e incluso participar en él, además de conocer mejor su comportamiento. En determinado momento utilizamos las vestimentas tradicionales Karen, confeccionadas mediante técnicas de tejido características de la región. Los guías acompañan todo el recorrido, facilitan los desplazamientos y garantizan la seguridad de los visitantes.

Con esto concluimos esta publicación. En la próxima visitaremos Chiang Rai y conoceremos algunos de los templos más hermosos del país.

Fotos

Chiang Mai

Cerimônia do Songkran




Templo na área central da cidade

Interior do templo


Enfeites da festa







Wagner e um dos templos da Cidade Antiga





Chedi Luang, o mais antigo templo de Chiang Mai

Interior do "templo dos homens": capela sistina budista

Templo dos Homens

Enfeito do Songkran

No interior de um dos templos

Songkran

Fotos retiradas das redes sociais

Jovens brincam de jogar água uns nos outros

Ritual evoca a limpeza para lavar o ano velho que se vai


Festa do Songkran em frente a shopping local (foto de Thelmo Lins)


Santuário dos Elefantes

Típico elefante tailandêns


Wagner alimenta elefante com traje karen


Santuário fica nas montanhas do norte da Tailândia





quarta-feira, 3 de junho de 2026

Sudeste Asiático Parte VI: Camboja e o santuário de Angkor

 

Angkor Wat: o templo dos templos



Textos em português, inglês e espanhol
No final dos textos, confira as fotos da viagem
Clique nas fotos para ampliá-las


Estamos chegando ao Camboja nesta parte da viagem ao Sudeste Asiático, realizada em abril de 2026. Todo o percurso, envolvendo também o Vietnã e a Tailândia, foi preparado pela agência Mundo Ásia, que tem como diferencial o atendimento com guias em português e espanhol.

                Camboja era um sonho que eu acalentava havia anos, principalmente por causa de Angkor Wat, um dos santuários mais belos criados pelo ser humano. Via as fotos em revistas especializadas, assistia a vídeos sobre o assunto e cheguei a comprar um livro exclusivamente sobre o complexo, que esmiúça essa grandiosa obra, tamanha a minha admiração por esse destino.

                Por isso, havia muita expectativa. Conhecer Angkor Wat e os outros templos que fazem parte do complexo estava entranhado em minhas artérias de viajante.

                Conheci o Camboja ao lado de meus companheiros de viagem, Wagner, Elisa e Sônia. Vivenciamos ali experiências maravilhosas e emocionantes, que contarei a seguir.

                De tuk-tuk, saímos do hotel, na cidade de Siem Reap, em direção a Angkor Thom. Fazia muito calor, como em quase todo o percurso da viagem. A temporada era de seca; portanto, o cuidado com a hidratação era maior e mais urgente. As monções (período chuvoso) começam em maio e vão até outubro.

 

                Angkor Thom (construído no século XII) ficou famoso internacionalmente por causa do filme “Lara Croft: Tomb Raider”, de 2001, estrelado por Angelina Jolie, devido à espetacular mistura de construções criadas pelo ser humano com as árvores da floresta, que dominaram aquele templo por quase 500 anos.

                Não se sabe exatamente por que Angkor foi abandonado. Relatos atestam que a região chegou a ter mais de um milhão de habitantes no auge do Império Khmer, que durou entre 802 e 1432. Seja por guerras, catástrofes ambientais ou outras situações análogas, a população retirou-se daquela região e deixou que a natureza tomasse conta de tudo.

                No século XIX, quando o Camboja foi colonizado pela França e se tornou parte da Indochina, exploradores europeus encontraram os templos abandonados e ficaram fascinados com o que viram. Afinal, o complexo abrange cerca de 180 km² de área, com milhares de obras de arte, esculturas, edifícios, jardins e lagos.

                Em Angkor Thom, em vez de limparem tudo o que a floresta havia conquistado, mantiveram as árvores mais frondosas, que espalharam seus troncos, caules e raízes pelos edifícios, num impressionante amálgama entre pedra e planta. Uma incrível simbiose entre a natureza e as construções humanas.

                No princípio, a religião predominante era o Hinduísmo, e vários vestígios demonstram essa influência, inclusive temas referentes ao Bhagavad Gita, uma espécie de bíblia dos indianos, escrita no século IV a.C. Posteriormente foi adotada a filosofia budista.

 

                A visita seguinte foi ao inacreditável templo Bayon, construído entre 1175 e 1240. Ele integra a última fase da arquitetura Khmer e é considerado uma síntese dos templos do complexo de Angkor. Suas 54 torres decoradas com esculturas de quase 200 rostos sorridentes são simplesmente acachapantes. A Porta Sul é uma das esculturas mais belas da região, assim como a ponte (ou calçada) que permite o acesso do público ao templo, ladeada por esculturas de deuses e demônios.

 

Angkor Wat ficou para o final do dia, pois é famoso o pôr do sol naquele local, principalmente pelas tonalidades alaranjadas com que colore as pedras do templo.

                Para se ter acesso ao sítio, atravessa-se uma ponte sobre um lago que, no passado, funcionava como fonte de abastecimento de água para a população local. Atualmente, ele é um belíssimo espelho d’água que cria uma moldura fantástica para o complexo.

                Nada do que vemos em vídeos ou fotografias se compara a estar naquele local ao vivo e em cores. Durante um bom tempo, mesmo com o calor abrasador e o cansaço proveniente de um dia inteiro de visitas, custamos a crer que aquilo pudesse existir, especialmente no Camboja atual, um dos países mais pobres daquela parte do mundo.

                Quanto requinte, quanta suntuosidade! Obras de altíssimo grau de sofisticação, realizadas pelos antepassados dos cambojanos, revelando seus extraordinários dons para a arte, em especial para aquela ligada à religiosidade. Edifícios que atravessam os tempos e que se tornaram Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco.

                Construído entre 1113 e 1150, durante o reinado de Suryavarman II, o projeto de Angkor Wat baseia-se em uma mandala do cosmo hindu. Além de cinco grandes torres em formato de flor de lótus, que representam a montanha sagrada dos deuses, há vários painéis com entalhes, inclusive um deles com mais de 600 metros, onde se encontram cenas de guerra, figuras de dançarinas (apsaras) e outras criaturas, totalizando mais de 2.000 entalhes.

 

                Mas o tour não terminou em Angkor Wat. No dia seguinte, percorremos também os complexos de Banteay Samre e Banteay Srei. Eles são menores, mas não menos requintados. Neles, podemos observar a arte escultórica dos antepassados dos cambojanos. Em especial, os sofisticados entalhes em pedra, que criam verdadeiros arabescos nas construções.

                Alguns desses locais são dominados por macaquinhos espertos e engraçados. Eles são uma espécie de guardiões das construções e, ao longo dos anos, graças à convivência com milhares de turistas, adquiriram a habilidade de se comunicar e até mesmo de pedir água aos transeuntes. Alguns aprenderam até a abrir garrafas de água. É preciso ter cuidado, pois podem pegar bolsas e outros objetos que, por acaso, algum visitante distraído não teve a prudência de guardar.

 

                A passagem pelo Camboja ainda trouxe duas surpresas. A primeira delas foi a visita a um templo, onde participamos de uma cerimônia budista. As orações, feitas por um jovem monge, foram direcionadas somente a nós quatro, com uma exclusividade quase divina. Foi um momento de extrema emoção, que levou alguns de nós às lágrimas. Houve ali uma verdadeira limpeza espiritual, com direito a bênção com água e pétalas de flores de lótus. Ao final, cada um de nós recebeu do monge uma singela pulseira, da cor de seu traje, que simboliza, entre tantas coisas, paz, amor e harmonia.

                E, finalmente, à noite, fomos a um espetáculo de danças folclóricas cambojanas, com direito a um farto jantar de iguarias locais. As exóticas coreografias mostraram um pouco da diversidade artística daquele país e de seu potencial como nação.

                Despedimo-nos do Camboja nesta postagem. Na próxima parada, começaremos a relatar a turnê pela Tailândia, que nos revelará lugares fabulosos.

 

English Version

 

We are now arriving in Cambodia during this stage of our Southeast Asian journey, undertaken in April 2026. The entire itinerary, which also included Vietnam and Thailand, was organized by Mundo Ásia, a travel agency whose distinguishing feature is the availability of guides fluent in Portuguese and Spanish.

                Cambodia had been a dream of mine for many years, mainly because of Angkor Wat, one of the most beautiful sanctuaries ever created by humankind. I had admired photographs in specialized magazines, watched countless videos about the site, and even purchased a book dedicated entirely to the complex, which examines this magnificent achievement in great detail. Such was my admiration for this destination.

                For that reason, my expectations were high. Visiting Angkor Wat and the other temples within the complex had long been etched into the very arteries of my traveler’s soul.

                I explored Cambodia alongside my travel companions Wagner, Elisa, and Sônia. Together, we experienced wonderful and deeply moving moments, which I will recount below.

                By tuk-tuk, we left our hotel in the city of Siem Reap and headed toward Angkor Thom. The weather was extremely hot, as it had been throughout most of our journey. It was the dry season, so staying hydrated required extra attention. The monsoon season begins in May and lasts until October.

 

Angkor Thom, built in the 12th century, became internationally famous because of the 2001 film “Lara Croft: Tomb Raider,” thanks to its spectacular blend of human-made structures and giant jungle trees that had dominated the temple for nearly 500 years.

                No one knows exactly why Angkor was abandoned. Historical records indicate that the region may have been home to more than one million inhabitants at the height of the Khmer Empire, which lasted from 802 to 1432. Whether due to wars, environmental disasters, or other circumstances, the population left the area and allowed nature to reclaim everything.

                In the 19th century, when Cambodia was colonized by France and became part of Indochina, European explorers rediscovered the abandoned temples and were fascinated by what they found. After all, the complex covers approximately 180 square kilometers and contains thousands of works of art, sculptures, buildings, gardens, and reservoirs.

                At Angkor Thom, rather than removing everything the jungle had conquered, preservationists chose to keep the largest trees, whose trunks, branches, and roots spread across the ancient structures, creating an astonishing fusion of stone and vegetation—an extraordinary symbiosis between nature and human architecture.

                Originally, Hinduism was the dominant religion, and many remains still reflect that influence, including themes from the Bhagavad Gita, a sacred Hindu text written in the 4th century BC. Later, Buddhist philosophy became predominant.

 

                Our next stop was the incredible Bayon Temple, built between 1175 and 1240. It belongs to the final phase of Khmer architecture and is considered a synthesis of the temples of Angkor. Its 54 towers, decorated with nearly 200 smiling faces, are simply breathtaking. The South Gate is one of the region’s most beautiful monuments, as is the bridge (or causeway) leading to the temple, lined with sculptures of gods and demons.

                We arrived in Angkor Wat for the end of the day, as the sunset there is famous, especially for the orange hues that illuminate the temple’s stones.

                To reach the site, visitors cross a bridge spanning a lake that once served as a water reservoir for the local population. Today, it forms a magnificent reflective pool that provides a stunning frame for the complex.

                Nothing seen in photographs or videos compares to experiencing the site in person. For quite some time, despite the intense heat and the exhaustion from a full day of exploration, we found it difficult to believe that such a place could exist—especially in modern-day Cambodia, one of the poorest countries in that part of the world.

                What refinement, what grandeur! These highly sophisticated monuments, created by the ancestors of the Cambodian people, reveal extraordinary artistic talent, particularly in works connected to spirituality. These structures have endured through the centuries and have been recognized as a UNESCO World Heritage Site.

 

                Constructed between 1113 and 1150 during the reign of Suryavarman II, Angkor Wat was designed according to a mandala representing the Hindu cosmos. In addition to its five great lotus-shaped towers symbolizing the sacred mountain of the gods, the temple features numerous carved panels, including one extending for more than 600 meters. These reliefs depict battle scenes, celestial dancers known as apsaras, and many other figures, totaling more than 2,000 carvings.

 

                But our tour did not end at Angkor Wat. The following day, we also visited the complexes of Banteay Samre and Banteay Srei. Though smaller, they are no less exquisite. There, one can admire the sculptural artistry of Cambodia’s ancestors, especially the intricate stone carvings that create true arabesques throughout the structures.

                Some of these sites are inhabited by clever and amusing monkeys. They seem to act as guardians of the temples and, over the years, thanks to constant interaction with thousands of tourists, have learned how to communicate and even ask passersby for water. Some have even mastered the art of opening water bottles. Visitors should remain attentive, however, as the monkeys may seize bags or other belongings left unattended.

 

                Cambodia still had two surprises in store for us. The first was a visit to a temple where we took part in a Buddhist ceremony. The prayers, led by a young monk, were offered exclusively to the four of us, creating an almost divine sense of intimacy. It was an intensely emotional moment that brought some of us to tears. It felt like a genuine spiritual cleansing, complete with a blessing involving water and lotus petals. At the end of the ceremony, each of us received a simple bracelet matching the color of the monk’s robe, symbolizing, among many things, peace, love, and harmony.

                Finally, that evening, we attended a performance of traditional Cambodian dances, accompanied by a generous dinner featuring local delicacies. The exotic choreography offered a glimpse into the country’s artistic diversity and its cultural richness.

 

                We bid farewell to Cambodia in this chapter of our journey. In the next installment, we will begin recounting our travels through Thailand, a country that will reveal many more extraordinary places.

 

Versión en Español

 

Llegamos a Camboya en esta etapa de nuestro viaje por el Sudeste Asiático, realizado en abril de 2026. Todo el recorrido, que también incluyó Vietnam y Tailandia, fue organizado por la agencia Mundo Ásia, cuyo principal diferencial es la atención con guías en portugués y español.

                Camboya era un sueño que había atesorado durante años, principalmente por Angkor Wat, uno de los santuarios más bellos creados por el ser humano. Veía fotografías en revistas especializadas, observaba videos sobre el lugar e incluso llegué a comprar un libro dedicado exclusivamente al complejo, que analiza en detalle esta grandiosa obra, tal era mi admiración por este destino.

                Por eso, mis expectativas eran muy altas. Conocer Angkor Wat y los demás templos que forman parte del complejo estaba profundamente arraigado en mi espíritu viajero.

                Conocí Camboya junto a mis compañeros de viaje, Wagner, Elisa y Sônia. Allí vivimos experiencias maravillosas y emocionantes que relataré a continuación.

                En tuk-tuk salimos de nuestro hotel, en la ciudad de Siem Reap, rumbo a Angkor Thom. Hacía mucho calor, como durante gran parte del viaje. Era la temporada seca; por lo tanto, el cuidado con la hidratación era aún más importante. Los monzones (la temporada de lluvias) comienzan en mayo y se extienden hasta octubre.

 

                Angkor Thom, construido en el siglo XII, alcanzó fama internacional gracias a la película “Lara Croft: Tomb Raider”, estrenada en 2001, debido a la espectacular combinación de construcciones humanas con los árboles de la selva, que dominaron el templo durante casi 500 años.

                No se sabe con certeza por qué Angkor fue abandonado. Diversos registros indican que la región llegó a albergar más de un millón de habitantes durante el apogeo del Imperio Jemer, que se extendió entre los años 802 y 1432. Ya fuera por guerras, catástrofes ambientales u otras circunstancias similares, la población abandonó la zona y permitió que la naturaleza se apoderara de todo.

                En el siglo XIX, cuando Camboya fue colonizada por Francia y pasó a formar parte de Indochina, exploradores europeos encontraron los templos abandonados y quedaron fascinados por lo que vieron. Después de todo, el complejo abarca aproximadamente 180 kilómetros cuadrados y contiene miles de obras de arte, esculturas, edificios, jardines y lagos.

                En Angkor Thom, en lugar de eliminar todo lo que la selva había conquistado, se conservaron los árboles más frondosos, cuyos troncos, ramas y raíces se extendieron por las construcciones, creando una impresionante amalgama entre piedra y vegetación. Una extraordinaria simbiosis entre la naturaleza y la arquitectura humana.

                En sus orígenes, la religión predominante era el hinduismo, y numerosos vestigios reflejan esa influencia, incluidos temas relacionados con el Bhagavad Gita, una especie de biblia de los hindúes, escrita en el siglo IV a. C. Posteriormente, la filosofía budista pasó a ser predominante.

 

La siguiente visita fue al increíble templo Bayon, construido entre 1175 y 1240. Forma parte de la última etapa de la arquitectura jemer y es considerado una síntesis de los templos del complejo de Angkor. Sus 54 torres decoradas con casi 200 rostros sonrientes son simplemente impresionantes. La Puerta Sur es una de las esculturas más bellas de la región, al igual que el puente o calzada que conduce al templo, flanqueado por esculturas de dioses y demonios.

                Dejamos Angkor Wat para el final del día, ya que el atardecer en ese lugar es famoso, especialmente por los tonos anaranjados que iluminan las piedras del templo.

                Para acceder al sitio, es necesario cruzar un puente sobre un lago que antiguamente funcionaba como fuente de abastecimiento de agua para la población local. Hoy en día, se ha convertido en un hermoso espejo de agua que crea un marco espectacular para el complejo.

                Nada de lo que vemos en fotografías o videos se compara con la experiencia de estar allí en persona. Durante bastante tiempo, incluso bajo un calor abrasador y con el cansancio acumulado después de un día entero de visitas, nos costó creer que algo así pudiera existir, especialmente en la Camboya actual, uno de los países más pobres de esa región del mundo.

                ¡Cuánta elegancia, cuánta magnificencia! Monumentos de un altísimo nivel de sofisticación, construidos por los antepasados de los camboyanos, que revelan un extraordinario talento artístico, especialmente en las obras vinculadas a la espiritualidad. Edificaciones que han resistido el paso del tiempo y que fueron declaradas Patrimonio Mundial de la Humanidad por la Unesco.

                Construido entre 1113 y 1150, durante el reinado de Suryavarman II, Angkor Wat fue diseñado a partir de una mandala que representa el cosmos hindú. Además de sus cinco grandes torres en forma de flor de loto, que simbolizan la montaña sagrada de los dioses, el templo cuenta con numerosos paneles esculpidos, entre ellos uno de más de 600 metros de longitud. Allí pueden observarse escenas de guerra, figuras de bailarinas celestiales conocidas como apsaras y otras criaturas, sumando más de 2.000 relieves tallados.

 

                Pero el recorrido no terminó en Angkor Wat. Al día siguiente también visitamos los complejos de Banteay Samre y Banteay Srei. Son más pequeños, aunque no menos refinados. En ellos es posible admirar el arte escultórico de los antepasados camboyanos, especialmente los delicados grabados en piedra que forman auténticos arabescos en las construcciones.

                Algunos de estos lugares están habitados por pequeños monos traviesos y simpáticos. Son una especie de guardianes de los templos y, a lo largo de los años, gracias a la convivencia con miles de turistas, han desarrollado la capacidad de comunicarse e incluso de pedir agua a los visitantes. Algunos han aprendido hasta a abrir botellas de agua. Sin embargo, es necesario estar atento, ya que pueden tomar bolsos u otros objetos que algún turista distraído haya dejado sin vigilancia.

 

                Nuestro paso por Camboya aún nos reservaba dos sorpresas. La primera fue la visita a un templo donde participamos en una ceremonia budista. Las oraciones, realizadas por un joven monje, fueron dirigidas exclusivamente a nosotros cuatro, con una intimidad casi divina. Fue un momento de profunda emoción que llevó a algunos de nosotros hasta las lágrimas. Allí vivimos una auténtica limpieza espiritual, acompañada de una bendición con agua y pétalos de flor de loto. Al finalizar la ceremonia, cada uno recibió una sencilla pulsera del mismo color que la vestimenta del monje, símbolo, entre muchas otras cosas, de paz, amor y armonía.

                Finalmente, por la noche, asistimos a un espectáculo de danzas folclóricas camboyanas, acompañado de una abundante cena con especialidades locales. Las exóticas coreografías nos permitieron conocer un poco de la diversidad artística del país y de su enorme riqueza cultural.

                 Nos despedimos de Camboya en esta publicación. En la próxima etapa comenzaremos a relatar nuestro recorrido por Tailandia, un país que nos revelará lugares verdaderamente fascinantes.


Fotos

Com Wagner, no tuk-tuk

Nosso guia no Camboja, Elisa, Sônia e eu

Elisa e Sônia no tuk-tuk

Angkor Thom


Árvores tomaram conta dos templos no período de abandono




Wagner e as raízes da árvore centenária


Templos e floresta: simbiose















Bayon


Wagner na Porta Sul, com a ponte de deuses e demônios

Demônios da ponte


Macaquinhos são guardiões de Bayon


Sônia dialoga com a nova amiga



Detalhe das torres com faces sorridentes


Angkor Wat


Ponte de acesso a Angkor Wat




Passarela central


O templo se espelha na água


Jardim que circunda o santuário


Apsaras




Histórias contadas nas paredes







Tom alaranjado do final da tarde

Cerimônia no templo budista





Decoração no interior do templo

Jovem monge


Wagner, Sônia e Elisa: bênção emocionante


Nós quatro e o monge

Wagner e o monge

Banteay Samre e Banteay Srei



















Músicos se apresentam na região dos templos

Danças folclóricas


Wagner e eu no restaurante









Wagner e as dançarinas

Outras imagens



Área externa do hotel em Siem Reap

Almoço em Siem Reap

Comida visualmente bela e saborosa


Hall do hotel em Siem Reap

Aeroporto de Siem Reap

Com Elisa, Sônia e Wagner

Com Wagner, no hotel em Siem Reap: ano novo cambojano

Drinque de boas vindas em Siem Reap




Sudeste Asiático Parte VII: Chiang Mai e Santuário dos Elefantes na Tailândia

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